Radar Musical: Quarenta e Oito

Korn

Follow the Leader

[Immortal/Epic, estúdio]


Como a ocasião em que me encontrava quando comprei este álbum e o anterior já foi elucidada, convém contar a situação que vivi o dia da compra. Neste meu primeiro ano de USP, não possuo as sextas-feiras com aula. Aproveitei uma delas para visitar uma unidade religiosa da comunidade que frequento.

Até aí tudo bem. Problema é que, ao sair pelo lado da rua mais suspeito – e decerto o que imaginava encarar algo cabuloso – estava eu tentando enviar uma mensagem ao meu pai via SMS, e compenetrado em digitar os caracteres certinho, eram onze da manhã, e ia procurar ceder satisfação a qual lugar depois da comunidade estaria indo naquela região de São Paulo.

Qual não foi minha surpresa ao ouvir [os tios indicam traços de nasalização]:

– Õi, Amõr…

E observar que ali tinham duas… garotas (?) de programa. Naquele horário??? [fiquei abismado ao saber que existia plantão, ali, em hora tão sagrada] E, na possibilidade de observar se essa interrogação entre parênteses era válida, pus-me a observar se houvesse detalhe fisiológico que derrubasse por tese ou a interrogação ou o termo dito.

Parece que não podemos dar vacilo ao sermos propostos a um convite desses [os entendidos sabem do que estou falando], ou aceitamos ou somos taxados de lerdos. Preferi a segunda opção, mas por não aceitar. Eis o que ouço por não aeitar:

– Que é? Tomõu Gardenãl?

Segui meu caminho, ignorando tal desfeita [fico imaginando quantos clientes elas(es?) perdem para cada hesitação dessas], e de perna bamba, tamanho meu constrangimento…

Aquele caminho para o shopping – único local válido para achar coisas tais como aquela do Ryan Adams e esta do qual estou pondo em reserva nessa digressão – a partir desse dia, fiz de outra maneira. Porque, apesar de estar em certas securas de carência afetiva, não envido esforços em atos tão diminutos, e ainda assim, não faria com alguém que tivesse esse tipo de tratamento chulo com clientes em potencial (basta ter um chakra vital denso para ser considerado cliente em potencial).

E, depois, como já disse anteriormente, tenho um convívio fenomenal com pessoas ainda mais interessantes e com mais conteúdo, que tais gêneros de pares com que se envolver já não possuem a mesma graça…

Depois duma digressão dessas, vamos ao álbum, cuja primeira audição, como já vos diria, é tão indigesta quanto essa desfeita libidinosa e broxante… Tal álbum, sempre recai num tema deveras contestativo na carreira do Korn que é a descaracterização da infância, e a capa é evidente nesse trabalho de descaracterizar tal fase já considerada morta da vida.

Setlist

* convém dizer que, por um motivo místico, o presente álbum possui 12 faixas inicias de 5 segundos, supostamente silenciosas. começando a música efetivamente a partir da 13ª faixa. Por questões de formatação, passaremos a contar a 13ª como primeira nessa lista.

  1. It’s On: o álbum já começa no berro e no esganiçado sussurro. Digno de nota de uma banda que bebeu na fonte de Faith No More.
  2. Freak on a Leash: a canção-identidade da banda – o mesmo traço evidente na anterior e o contraste entre os momentos de suavidade aguda dos solos e do refrão marcado, recheado pela batida tribal.
  3. Got the Life: evidente o traço que identifica essas canções do Nü-Metal. Seu parentesco com o Rap diz tudo.
  4. Dead Bodies Everywhere: algo suave? Não! Apenas uma aclimatada para algo puxado para um Speed Metal. E muito “dumal” smile_devil
  5. Faixa de destaque Children of the Korn: mais um traço do casamento do Metal com o Rap, personificado com o Ice Cube.
  6. B.B.K.: mais força, mais força, more power – muita quebra, muita retomada, e a mesma idéia de base de sempre – fórmula ainda não muito batida… E ainda aparecem surpresas de remix e outras insanidades.
  7. Pretty: sempre queremos um rompimento, mas não conseguimos – ou conseguimos? – Resposta num dado momento: não! Nunca!
  8. All In The Family: a participação de Fred Durst foi um tanto quanto diminuta nesta faixa, superada pela de Davis. O porta-voz do Limp não tem costume de fazer coisas assim. Resultado – um poema declamado sobre uma base. Quase um fiasco.
  9. Reclaim My Place: uma retomada rápida traz toda a agressividade que, como já vimos, será a marca dominante neste conjunto. Resultado de muita batida tribal, entre outros itens que estamos já há muito acostumados aqui.
  10. Justin: já estamos tão acostumados com este caráter formular que passamos a prestar atenção nas minúcias. E percebemos muitas viagens alucinógenas lúcidas no álbum. A começar pela distorção no refrão.
  11. Seed: até aqui presenciamos músicas agressivas, mas nenhuma que começasse tão sombriamente quanto essa… Seja lá pelo tempo ou per si, com certeza uma das mais densa do conjunto.
  12. Cameltosis: quem é Trevant Hardson? E que coisa psicodélica é essa? Mais um Rap no Metal?
  13. My Gift to You: muito mais ostensiva, densa, e misteriosa que qualquer outra coisa que já apareceu neste álbum [e detalhe para os fãs de Korn: ela termina do mesmo jeito de Daddy, do auto-intitulado de estreia]. Ponto falho: tem um material extra após uma longuíssima e sufocante pausa.

Agressivo?

No máximo, mas não adiciona muito valor, nem toca o espírito musical como outros álbuns da mesma linha contestadora [vide: Toxicity do System of a Down]

starstarstar e 1/2


Technorati Marcas: ,,

Ouvindo... Korn: Cameltosis

Apesar desse meu discurso moralista no aparte dessa resenha, não sou puritano. smile_wink

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