Momento Poesia

Atos de Viver


Formatar um texto
evitar um incesto
consertar o disco rígido
pílula pro dia frígido

Fonte: Afranëo/ Wrodpress O policial entrou na favela
engenheiro troca a manivela
o carro bateu no guard-rail
cancelei o envio do meu e-mail

Joaquim perdeu sua senha
Clara Heloísa deixou de sanha
ele foi pro banco reclamar o prejuízo
ela foi na Augusta perder o juízo

Nove meses e um aborto,
depois do coma, o retorno.
A vida, um eterno refazer
e desfazer – F4 e Control Zê.


Ouvindo... Anahit Manukyan: Im Miak (Armenian Radio Stver)

Proêmio… E o início de tudo

Documenta ó Musa-Mor, os meus feitos
de pessoa austera e vívida, dês’
que, distinte à cidade italiana
deslocado esteve, aprouve destarte
e distado de seu leito maternal
concebeu-se a digna honra audaz de ser
paulistano uspiano em moradia
preto-terrense e, assim, desafia
todas as regras espaço-temporais.

(USPianeia, Livro 1, vv. 1-9)

Em toda a minha vida, quis me envolver num projeto grandioso, que pudesse criar em mim uma realização pessoal, mas nunca soube qual ele seria…

Até o ano passado, sequer sonhava com a possibilidade de ser USPiano. Hoje esta possibilidade não é tão-só real, como também o meio de subvertê-la será mais complicado. Não há mais como voltar atrás nesta decisão.

Hoje, sei que o curso que faço na nobre unidade da FFLCH da USP não forma escritores, e sim, pessoas capazes de lidar com os fenômenos da língua e da linguagem.

Mesmo assim, quero dissecar todas as possibilidades de escritor que tal vivência de quatro a cinco anos promoverá a mim. USPianeia é uma realização disso.

Até o presente momento, me deparo com quase 200 versos, que irão estender-se indefinidamente até o fim do curso. Meu objetivo é descrever poeticamente os fatos que me conduziram para a USP e o que presencio por lá de maneira poética, por assim dizer.

Neste blógue, serão colocadas ideias que combinem muito bem com o projeto, epopeias menores (aguarde, mana smile_tongue) e servirá de memória de importantes acontecimentos presentes necessários de serem especificados posteriormente, quanto mais próximo eu for chegando do presente momento da composição deste material.

Isso não significará o detrimento de outros projetos em andamento (este é o último que pretendo montar individualmente, e definitivo). Brejo do Sapinho, meu blógue mais genérico e pessoal, continuará a ser a cartada pública de brainstorm de ideias gerais, resenhas filosóficas e outras miudezas preciosas.

A quem puder presenciar este meu trabalho por aqui. Digo com toda a certeza: Parabéns. Você é um habilitado a colaborar com esse projeto. Sinta-se recompensado por todo momento que você deixar sua contribuição neste espaço.


Abraços e pôr lápis em punhais.

(Um bom decassílabo, não acham?)


Ainda mantenho os mesmos costumes de tempos de Brejo do Sapinho.

Ouvindo... R.E.M.: Everybody Hurts

Momento Poesia

Atado


Sinto e ressinto,Fonte: Atelier Dos Tapetes | Blogspot
o recinto vazio,
ressentimento
insensível

Consinto no sim,
o fluir de jasmim
sem fim
enfim

Recinto em carmim,
folias e festins
que dizes de mim,
distado, distinto escarpim?

Irreversível
compêndio em cetim,
que flui assim,
assim até o fim…


Ouvindo... Te Quiero Pa Mi: Juno ”The Hitmaker” (RadioActitud.com

Radar Musical: Quarenta e Oito

Korn

Follow the Leader

[Immortal/Epic, estúdio]


Como a ocasião em que me encontrava quando comprei este álbum e o anterior já foi elucidada, convém contar a situação que vivi o dia da compra. Neste meu primeiro ano de USP, não possuo as sextas-feiras com aula. Aproveitei uma delas para visitar uma unidade religiosa da comunidade que frequento.

Até aí tudo bem. Problema é que, ao sair pelo lado da rua mais suspeito – e decerto o que imaginava encarar algo cabuloso – estava eu tentando enviar uma mensagem ao meu pai via SMS, e compenetrado em digitar os caracteres certinho, eram onze da manhã, e ia procurar ceder satisfação a qual lugar depois da comunidade estaria indo naquela região de São Paulo.

Qual não foi minha surpresa ao ouvir [os tios indicam traços de nasalização]:

– Õi, Amõr…

E observar que ali tinham duas… garotas (?) de programa. Naquele horário??? [fiquei abismado ao saber que existia plantão, ali, em hora tão sagrada] E, na possibilidade de observar se essa interrogação entre parênteses era válida, pus-me a observar se houvesse detalhe fisiológico que derrubasse por tese ou a interrogação ou o termo dito.

Parece que não podemos dar vacilo ao sermos propostos a um convite desses [os entendidos sabem do que estou falando], ou aceitamos ou somos taxados de lerdos. Preferi a segunda opção, mas por não aceitar. Eis o que ouço por não aeitar:

– Que é? Tomõu Gardenãl?

Segui meu caminho, ignorando tal desfeita [fico imaginando quantos clientes elas(es?) perdem para cada hesitação dessas], e de perna bamba, tamanho meu constrangimento…

Aquele caminho para o shopping – único local válido para achar coisas tais como aquela do Ryan Adams e esta do qual estou pondo em reserva nessa digressão – a partir desse dia, fiz de outra maneira. Porque, apesar de estar em certas securas de carência afetiva, não envido esforços em atos tão diminutos, e ainda assim, não faria com alguém que tivesse esse tipo de tratamento chulo com clientes em potencial (basta ter um chakra vital denso para ser considerado cliente em potencial).

E, depois, como já disse anteriormente, tenho um convívio fenomenal com pessoas ainda mais interessantes e com mais conteúdo, que tais gêneros de pares com que se envolver já não possuem a mesma graça…

Depois duma digressão dessas, vamos ao álbum, cuja primeira audição, como já vos diria, é tão indigesta quanto essa desfeita libidinosa e broxante… Tal álbum, sempre recai num tema deveras contestativo na carreira do Korn que é a descaracterização da infância, e a capa é evidente nesse trabalho de descaracterizar tal fase já considerada morta da vida.

Setlist

* convém dizer que, por um motivo místico, o presente álbum possui 12 faixas inicias de 5 segundos, supostamente silenciosas. começando a música efetivamente a partir da 13ª faixa. Por questões de formatação, passaremos a contar a 13ª como primeira nessa lista.

  1. It’s On: o álbum já começa no berro e no esganiçado sussurro. Digno de nota de uma banda que bebeu na fonte de Faith No More.
  2. Freak on a Leash: a canção-identidade da banda – o mesmo traço evidente na anterior e o contraste entre os momentos de suavidade aguda dos solos e do refrão marcado, recheado pela batida tribal.
  3. Got the Life: evidente o traço que identifica essas canções do Nü-Metal. Seu parentesco com o Rap diz tudo.
  4. Dead Bodies Everywhere: algo suave? Não! Apenas uma aclimatada para algo puxado para um Speed Metal. E muito “dumal” smile_devil
  5. Faixa de destaque Children of the Korn: mais um traço do casamento do Metal com o Rap, personificado com o Ice Cube.
  6. B.B.K.: mais força, mais força, more power – muita quebra, muita retomada, e a mesma idéia de base de sempre – fórmula ainda não muito batida… E ainda aparecem surpresas de remix e outras insanidades.
  7. Pretty: sempre queremos um rompimento, mas não conseguimos – ou conseguimos? – Resposta num dado momento: não! Nunca!
  8. All In The Family: a participação de Fred Durst foi um tanto quanto diminuta nesta faixa, superada pela de Davis. O porta-voz do Limp não tem costume de fazer coisas assim. Resultado – um poema declamado sobre uma base. Quase um fiasco.
  9. Reclaim My Place: uma retomada rápida traz toda a agressividade que, como já vimos, será a marca dominante neste conjunto. Resultado de muita batida tribal, entre outros itens que estamos já há muito acostumados aqui.
  10. Justin: já estamos tão acostumados com este caráter formular que passamos a prestar atenção nas minúcias. E percebemos muitas viagens alucinógenas lúcidas no álbum. A começar pela distorção no refrão.
  11. Seed: até aqui presenciamos músicas agressivas, mas nenhuma que começasse tão sombriamente quanto essa… Seja lá pelo tempo ou per si, com certeza uma das mais densa do conjunto.
  12. Cameltosis: quem é Trevant Hardson? E que coisa psicodélica é essa? Mais um Rap no Metal?
  13. My Gift to You: muito mais ostensiva, densa, e misteriosa que qualquer outra coisa que já apareceu neste álbum [e detalhe para os fãs de Korn: ela termina do mesmo jeito de Daddy, do auto-intitulado de estreia]. Ponto falho: tem um material extra após uma longuíssima e sufocante pausa.

Agressivo?

No máximo, mas não adiciona muito valor, nem toca o espírito musical como outros álbuns da mesma linha contestadora [vide: Toxicity do System of a Down]

starstarstar e 1/2


Technorati Marcas: ,,

Ouvindo... Korn: Cameltosis

Apesar desse meu discurso moralista no aparte dessa resenha, não sou puritano. smile_wink

Radar Musical: Quarenta e Sete

Ryan Adams

Easy Tiger

[Universal/Lost Highway Records, estúdio]


Após um hiato de cerca de três anos, duas experiências de teatro, uma mudança – drástica – de endereço, duas oportunidades profissionais, duas acadêmicas e uma destas por fim sendo assentidas – a mais importante que me vejo carregar hoje que é realizar um curso superior em Letras na USP [quem lê este blógue já o sabe]. Tal curso me permitiu resgatar, com mais profundidade, o senso crítico universitário que precisava fundamentar naquele passado – grifo no passado – de Matemática.

Nisso, houveram muitos crescentes e decrescentes no meu gosto musical: descobri com propriedade o Reggaeton, voltei a ouvir mais rádios POP, ou não; mas ainda mantive minha velha biblioteca, que cresceu com essa nova preferência. As canções lugares-comuns viraram apenas posses que seria costume ter… Descobri as famosas e temidas bandas “lugares geográficos” e gostei de algumas coisas nelas… Construí essas resenhas anteriores, até a de número 46. Mas as preferências ainda estão lá, encabeçadas como as concebi. Precisava de algo novo.

Nesse contexto, numa ida ocasional ao antro consumista – diga-se shopping – em busca de obras da sétima arte dignas de nota [em breve preparo uma resenha sobre uma delas], deparei-me com dois álbuns, tão díspares quanto as preferências que eles impeliam em mim. Este é o primeiro que me veio a interesse, embora não o primeiro pretendido.

Tinha que ter alguma coisa do Country Alternativo, e devido à fama deste sujeito, neste álbum com um conjunto, decidi apreciar tal obra, tal como segue, ainda a digeri-la.

Setlist

  1. Goodnight Rose: tem uma toada de country xumbrega, mas vale pelo lírico e o anasalamento vocal.
  2. Two: a levada é indistinguível, a linha entre o que é Rock e o que é Country está pouco evidente, mas se analisarmos o lírico, tende mais ao segundo lado. Nada que desvalorize a composição, até aqui vemos uma crescente ascensão do conjunto.
  3. Everybody Knows: quem conhece Thick As a Brick do Jethro Tull? Eu acho que notei um plágio por aqui… Ou foi o excesso de café que se toma ao ouví-la (ou a sugestão de tomar café que ela imprime)?
  4. Faixa de destaque Halloweenhead: ousei eleger esta como uma faixa digna de execução de rádio. Feeling impressionante, o constraste harmonia e quebras… Espero não ter criado expectat5ivas tão logo de início. E pena ela não durar tanto assim.
  5. Oh My God, Whatever, Etc.: sempre há de haver um acústico em minhas escolhas… é uma perseguição. Pelo menos, esta é uma das mais bem elaboradas que já ouvi.
  6. Tears of Gold: poderia chegar lá, mesmo sendo Country Alternativo. Mas chega lá sendo Country Mainstream…
  7. The Sun Also Sets: evoca, musicalmente, Eagles. Mas cria uma identidade própria, digna de nota dentro do Universo Rock.
  8. Off Broadway: cria-se, aqui, toda uma atmosfera espacial bastante interessante.
  9. Pearls on a String: paradoxo – uma canção tipicamente encaixada no conjunto Country, mas com uma lírica fenomenal. Pena acabar no mesmo ritmo em que começou.
  10. Rip Off: a música dos se – a ambição lírica [não tão grande quanto a de um Bob] e os arranjos fenomenais são pouco ortodoxos.
  11. Two Hearts: esta é uma daquelas canções que seguram a ponte de um álbum de Country Rock para que ele não pareça apenas Country.
  12. These Girls: difícil categorizar esta. Ela soa tão comum e ao mesmo tempo tão intrínseca…
  13. I Taught Myself How to Grow Old: a gaita deu créditos o suficiente para dizer que essa balada mereça ser canção que encerra o álbum com chave de ouro.

Eta Peão!

O álbum tem seu charme, mas é bem magrinho. Vale um bom conceito, apesar de ser uma das primeiras audições…

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Ouvindo... Ryan Adams: Two Hearts

Com esse artigo, retomo [se possível] minha rotina de publicações, Pelo menos aos fins de semana. smile_teeth