Capítulo Cinquenta e Oito

Diferenciações ou A Compreensão do Universo da Juventude


Eu sempre, se não considerei, vi-me diferente dos demais. Não sei se pelo fato de ler bulas de remédios e me acostumar com termos como náusea ao invés de vômito; ou por, ao descrever um adjetivo de um leão, não costumava descrever um adjetivo, mas dois ou três, e ainda usando algum advérbio modal; ou por realizar um texto longo, descrevia sucintamente fatos, de tal forma que o sujeito nunca era explicitamente repetido mais que duas vezes. E, incrivelmente, minha língua falada é mais carregada de expressões específicas que a escrita. Quer uma prova do que falo? Não, acho que não. Você não irá querer ouvir, não é isto minha opinião [poderia], mas sim a da vontade geral.

Bill Gates: o exemplo de sucesso da cultura dos excluídos [Fonte: IE Sempre tomo isto como fato não mais pela afirmação de minha identidade – ou da crise que a aparente ausência dela dita – posto que hoje busco mais mesmo alguém que possa tomar referência de um diálogo um pouco mais refinado. Mas é neste fator que reside essa crise existencial complexa: são raras, no universo de pessoas a meu alcance, aquelas que, com a mesma idade, possam conceber o mesmo arcabouço de vocabulário e ter um domínio de assuntos diversos quanto o que eu possuo.

Surge então nesse encadeamento de questões uma das mais fundamentais: como pude construir tal situação? Duas coisas ocasionam isso: a primeira deve-se ao ócio infantil. Alguém que nunca se dispôs a buscar jogar bola na quadra do bairro, a empinar pipa na rua – mesmo sem usar os “cortantes” – ou até mesmo a cultivar amizades duradouras, pelo fato do núcleo familiar estar de posse de aluguel. Posso condenar a família por isso? Não só não posso, como também fiz um mal social ao, naquele dito período de crise de identidade. Hoje me considero mais resolvido do passado, pelo passado recente ter proporcionado situações desagradáveis a mim. [Fatos que já foram elucidados neste projeto.]

A questão central talvez esteja levantada pela seguinte situação, a qual li em um determinado blógue, e do qual, em escala de amostra grátis, posso perceber que a juventude tem ídolos que proporcionam pouco ou mísero esforço de comunicadores que são capazes de proporcionar. É… Pensar neste mundo de hoje faz tanta diferença, que quem pensa mais que a média, já possui uma maneira bem facilitadora de ganhar dinheiro. Pensar virou mercadoria.

Por isso que digo: só a Filosofia salva!

Poucas pessoas são capazes de, ao ingressar no ensino superior, além de perceber o valor de cidadania e didático, que deveria ser o passo fundamental alcançado pela totalidade da comunidade universitária, perceber o real valor acadêmico do fazer um curso superior, seja ele de cunho de disseminação de conhecimento – como uma licenciatura – ou de colocação profissional – tecnólogo ou destinados ao mercado de trabalho estritamente. – Fato certo é que, de uma maneira nacional, alunos egressos do ensino médio vêem nas universidades algo como os americanos vêem as deles, através das nossas conhecidas “fraternidades” tão discutidas em filmes exaltadores à cultura nerd ou sobre esportistas…

A Esq, "Zina": o sucesso da exclusão da cultura exemplo [Fonte: Virgula/UOL] Nesse cadinho de jovens engessados pelos conhecimentos tecnológicos, que vêem Bill Gates como ídolo-mor do sucesso intelectual – o nerd que ganhou dinheiro através de ações discutíveis – ou as celebridades instantâneas que ascendem ao sucesso massificado por oportunidade, encontram-se jovens que possam não ter domínios de algoritmos, posses de patentes de tecnologia, corpos bonitos ou contatos influentes. São jovens que ficam no intermédio desta escala bipolar de concepção de tecnologia – concepção de fama, que são bombardeados através dos mais diversos conceitos de existir e no qual compete um fator para que não se degolem na corda da ignorância: o discernimento. Sim! Jovens assim como este que vos fala, tem vinte e duas quadras de estações do ano na bagagem e uma sincera indecisão sobre como conduzir o próprio sucesso, se concebendo conteúdo pr’uma minoria, ou vomitando desconteúdo de acordo com o que a maioria diz desejar ouvir. [Não à toa, tenho todo tipo de rede social que você possa imaginar, gerenciar todas é um distúrbio de tempo e manter a qualidade das principais é uma odisseia.]

E voltando ao âmbito pessoal, é incrível que percebo toda a questão dessa maneira e não busco corrigi-la como ela merece. Apenas fico falando, e dando margem ao comentário geral do qual todo ato do jovem é fútil. Sim! Não podemos nos livrar de efetuar atos fúteis em determinados momentos, mas podemos buscar nosso sincero ingresso àquilo que acreditamos ser necessário, talvez nem para mudar o mundo, ou para mudar as mentalidades, mas para proporcionar caminhos que busquem inserir o conteúdo do excluso no âmbito dos inclusos.

E os filósofos leigos, assim como eu, são esses exclusos que não querem tanto ser inclusos, mas querem ver a maioria inclusa fazer o que nós, como exclusos, fazemos.

E o leão? O dito é altamente voraz, austero em seu meio, mas é incapaz de deglutir carne em decomposição, agindo em náuseas.

Não entendeu? Não é mais meu intuito. Prefiro ficar com os filósofos…


Ouvindo... Pixies: Here Comes Your Man

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s