Iracema / Cinco Minutos

Por José de Alencar


Machado de Assis referindo-se à Iracema, de José de Alencar, disse: “… espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima.”

Iracema é a expressão máxima do nosso nativismo romântico. Tendo como pano de fundo histórico a fundação do Ceará, o romance conta a história entre o português Martin e a índia Iracema, a “virgem dos lábios de mel”.

José de Alencar é um dos grancdes patriarcas da literatura brasileira, pelo volume e mensagem de sua obra.

Fonte: Divulgação / Ed. Martin Claret


Apesar do período romântico prover material abundante acerca do sentimento mais sublime e mais sensível em nossas vidas, há determinadas obras que se destacam dentre as demais. Sejam elas atemporais ou não, estas obras-primas, além de infundir o amor, o respeito e a paixão pela alma gêmea, expressam facetas incríveis da realidade de seus escritores.

Iracema, em especial nessa dobradinha do escritor na obra, expressa muito bem como um conto descritivo em terceira pessoa pode gerir uma obra fascinante, que recai em algo além da paixão inalcançada / avassaladora, não deixando o foco principal da obra – a paixão propriamente dita – de lado, nem enfatizando-o, fazendo-o tornar uma obra de lugar-comum.

Embora Cinco Minutos possa não aparentar a mesma repercussão que Iracema, condensa um aspecto peculiar: o romance lido numa carta, visto pelo lado masculino e num ambiente aparentemente anti-romântico concebe uma obra que, ao menos não sendo fenomenal, ainda vale ser lida.

Qual o diferencial?

O diferencial de Iracema – nosso foco principal – reside exatamente nesse aspecto naturalista, exaltador da beleza pátria, ao justificar o batismo dos diversos lugares do Ceará, e da característica folclórica que faz dum fato histórico quase emancipar-se como legendário. A mística indígena, o sentimento unificador de pátrias e comunidades diferentes, as minúcias naturais, todos os elementos que permeiam a vida a dois de Martim e Iracema, a sabedoria anciã e o cúmplice companheirismo preenchem todas as lacunas que muitos romances dos tempos modernos deixam abertos nos tempos recentes.

Gostou? Recomendo a leitura. Apesar da riqueza, a presente edição conta com notas do próprio autor, justificando os termos de origem tupi, facilitando a leitura, além da divisão estrutural não permitir que os meandros da história se percam.

Avaliação

starstarstarstar e 1/2



Ouvindo... Nadie Te Amara Como Yo: Dyland & Lenny (RadioActitud.com

Boas festividades a todos. E que venha a segunda fase do FUVEST pra mim…

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