Radar Musical: Trinta e Nove

Radiohead

Hail to The Thief

[Parlophone/EMI, estúdio]


É fácil notar, durante o progresso dessa odisséia musical,
que conforme meus rendimentos foram tornando-se mais escassos, busquei
sugestões musicais pouco convencionais, daquelas
que você possa se surpreender por um bom
período de tempo. E que, passado algum tempo sem ter contato com ela, redescubra coisas incríveis. Com este sentimento,
adquiri – a um salgado preço, deveras – a então inédita obra do Radiohead, superestimada pelo menos entre os roqueiros menos
exigentes. Será que foi tudo isso, afinal? Talvez dez anos mais, possamos saber
o impacto dessas opiniões.

E esta foi uma escolha difícil,
já pelo fato do desembolso, da possibilidade de arrependimento – convém
declarar aqui que outros experimentalismos anteriores não foram bem-sucedidos –
e de outras inconveniências que se me afiguraram no momento. Superadas, no
entanto, deleitei-me quando pude a ouvir com carinho a obra.

E cada faixa mostrou-se surpreendente
para mim. Falavam tanto de OK Computer, de autoria da mesma banda. E,
pelo comprovado, os lances mirabolantes deste álbum eram tão evidentes o quanto
fosse possível. O arrependimento é nulo até
o presente momento. E, posso arriscar, sentiria falta
de adquiri-lo, buscando faze-lo o quanto antes fosse possível, caso naquela
época não o tivesse obtido.

Setlist

  1. Faixa de destaque 2
    + 2 = 5 (The Lukewarm.)
    : defeito da faixa? Não. É intencional.
    Uma extensão do OK Computer, mas com ares de canção de protesto.
  2. Sit Down.
    Stand Up. (Snakes & Ladders.)
    : explorações instrumentais
    evidentes – é impressão minha, ou temos um apelo psicodélico ao melhor estilo
    da banda?
  3. Sail to the
    Moon. (Brush the Cobwebs out of the Sky.)
    : um elemento bem
    colocado no conjunto – o teclado – conjuntamente com uma suave melodia vocal.
  4. Backdrifts.
    (Honeymoon is Over.)
    : como a banda consegue fazer uma levada
    pop com instrumental eletrônico e terminar com um resultado completamente
    diferente?
  5. Go to Sleep.
    (Little Man being Erased.)
    : um novo elemento – acústico –
    confere suntuosidade a essa obra-prima, mesclado com ataques de guitarra e
    outras coisinhas diversas.
  6. Where I End and You Begin. (The Sky is
    Falling in.)
    : mais experimentalismos – na cadência do ritmo,
    nos elementos musicais adicionais – com mais tradicionalidade – o vocal que não
    modifica muito – mas ainda mantém a linha contestante do álbum.
  7. We suck Young
    Blood. (Your Time is Up.)
    : não esperávamos algo tão tenebroso
    assim…
  8. The Gloaming.
    (Softly Open our Mouths in the Gold.)
    : finalmente, os
    experimentalismos mais extremados foram tragos à tona, em todo o conjunto da
    obra.
  9. There there.
    (The Boney King of Nowhere.)
    : a percussão latejante e gigante
    dá mostras de uma nova obra-prima. E nisso ela acerta.
  10. I Will. (No
    man’s Land.)
    : um teclado e vocais – algo que destoa a essa
    altura do álbum. Por sorte, o “quase estrago” é breve.
  11. A Punchup at a Wedding. (No no no no
    no no no no.)
    : algo de mais alegre no álbum [Espera! Existem
    coisas alegres em se tratando desta banda?].
  12. Myxomatosis.
    (Judge, Jury & Executioner.)
    : comicidades – e mais
    experimentalismos!
  13. Scatterbrain.
    (As Dead as Leaves.)
    : com ares de romântica, bem ao estilo da
    banda.
  14. A Wolf at the Door. (It Girl. Rag
    Doll.)
    : embora menos experimental, o apelo do lírico pelo
    protesto eleva a música a uma condição digna de encerrar bem um bom álbum.

Ortodoxo?

Nem um pouco…

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e ½



Ouvindo... Radiohead: I Will. (No Man’s Land.)

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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