Radar Musical: Trinta

Pearl Jam - Vitalogy Pearl Jam

Vitalogy

[Epic, estúdio]


Há álbuns que marcam nossa vida definitivamente. Como todos sabem no meio da música pop internacional, Charles Manson fez a ruína da sua vida após uma audição distorcida do álbum branco dos Beatles. Lógico que eu não matei qualquer pessoa por esse álbum, mas ele me custou, num determinado momento de minha vida, minha concepção acerca do mundo e da realidade.

Isso, não muito prontificado, foi algum tempo após sua aquisição. Antes, não me influenciara por tais impropérios. O álbum sempre soara normal para mim quando o adquiri. E, como muitos, havia uma música "carro-chefe" que incentivava essa compra.

Vitalogy é um ponto antes do divisor de águas de Pearl Jam em que se via as amarras do Grunge se perder com a morte de Cobain do Nirvana. E, nisto, Eddie & Cia. se viram bem sucedidos ao prenunciar que o futuro para bandas Grunge em exclusivo as reduziria a pequenos círculos locais de Seattle.

Setlist

  1. Last Exit: embora isso seja Pearl Jam, a voz pouco aparenta acompanhar o ritmo latente da música. Mas vale para um bom princípio.
  2. Spin The Black Circle: em homenagem ao vinil. Dizem que é a mais punk? Eu digo que é a mais metal!!!
  3. Not For You: uma incrível implicância musical [e não é para você!], sempre crescente.
  4. Faixa de destaque Tremor Christ: o instrumental do começo já demonstra uma fortíssima canção. E com razão: dissipa tudo que é coisa ruim através do feelin’.
  5. Nothingman: com certeza, não haverá outra canção tão suave e romântica quanto essa durante todo o álbum. Será?
  6. Whipping: remontando as raízes…
  7. Pry, To: uma singela brincadeira de soletrar…
  8. Corduroy: algo em desacordo com o Pearl Jam daquela época, mas que combina bem com os seus dias atuais.
  9. Bugs: experimentalismos? Línguas dizem que haverá coisas mais incríveis adiante…
  10. Satan’s Bed: o contrapeso da 4ª faixa – o ode à profanação, o desfazer de um árduo trabalho purgativo.
  11. Better Man: o carro-chefe do álbum. Sensibilidade contrastando com o feelin’ próprio do Pearl Jam – uma canção digna de entrar no repertório já nos tempos de Ten.
  12. Aye Davanita: indistinguível. Pelo coro, pela falsa inversão da bateria, pela falta de palavras definidas…
  13. Immortality: a canção-póstuma para Cobain – seca, sem vida, que nem a imagem vendida do pobre coitado!
  14. Hey Foxymophandlemama, That’s Me: a peça-chave – a máxima do experimentalismo; o costume da banda em todo álbum que faz; o limite entre a lucidez e a insanidade. E quem diria que o apreciador pouco avisado dissesse em um confuso momento que essa seria a inversão de Revolution #9, dos Beatles? E são oito minutos que valem por quarenta pela sua densidade muito espessa.

Um Trabalho Impecável?

É o terceiro de minha posse do Pearl Jam. Sempre apresenta algo novo aos nossos ouvidos.

starstarstarstar e 1/2



Ouvindo... Pearl Jam: Aye Davanita

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Resenhas Filosóficas: Um

Considerações Sobre Um Teatro Moderno

Capa do livro

Resumo de livro. Fonte:

Email Diderot, Denis;

Paradoxo Sobre o Comediante

ISBN 85-7556-793-4

(Paradoxe Sur Le Comédien)

Ed. Escala, 2006


Email Ibiúna, domingo, 8 de março de 2009

Há algum tempo venho degustando livros literato-filosóficos a respeito de diversos assuntos, e cinco deles me foram concedidos de empréstimo por uma colega de teatro. Comecemos pelo da fonte que debulhei no dia presente.

O interesse por teatro me fascina, e o autor demonstrou, numa linguagem reflexiva, o quanto o teatro estava disperso – na minha opinião de filósofo leigo- da realidade do público; uma questão de arte de parnasianismo antigo, que, pela satisfação de si próprio, acaba identificando-se sempre com o passado, e assim impede sua própria evolução.

Os fatos dos dias presentes demonstram a eficácia das instruções do autor com respeito ao teatro, bem como um possível acato às suas sugestões. O respeito do público se conquista com um distanciamento a suas ingerências. A melhoria das técnicas de encenação e uso de linguagens, compondo o espetáculo em si, são conquistados por uma outra análise do relacionamento com o público, através da resposta aos estímulos que neles são incutidos.

A leitura, por fim dizer, apesar de não ter um delimitador para tornar leve a seqüência da absorção do texto, é bastante objetiva, por se tratar de um diálogo entre duas pessoas.

Uma coisa é certa: depois dessa leitura, olhar o teatro com olhos críticos não será mais a mesma coisa.


Estrutura: LâmpadaLâmpadaLâmpada

Clareza: Boca abertaBoca abertaBoca abertaBoca aberta

Conteúdo contestativo: BravoBravo

Avaliação final: EstrelaEstrelaEstrela e ½


Ouvindo... Bad Company: Bad Company

Radar Musical: Vinte e Nove

R. E. M. - The Best Of In Time '88 '03 R.E.M.

In Time: The Best Of R.E.M. 1988 – 2003

[Warner, coletânea]


Estamos já num momento de 2004 em que as coisas eram consideradas divertidas, e o clima pesado do início do ano se dissipava aos poucos. Os trabalhos estavam fluindo por todos os lados, e as expectativas sobre os tempos vindouros estavam abrandando. Assim era o quadro pessoal quando da aquisição deste álbum.

Este, em específico, faz-me lembrar de uma colega que tinha, nesse período, algumas aspirações absurdas e pretensiosas demais para uma estudante de ensino médio – embora, convenhamos, ela podia realizá-los e muito bem -, mas acima de tudo, é alguém em que podemos depositar confiança notável. Lembranças a ti, Fernanda.

Bom… Deixemos de pessoalidades, e tratemos do trabalho em si. O R.E.M. é uma daquelas bandas que sempre dá gosto de ouvir em todos os momentos, sem deixar-nos abatidos nem enfadados com suntuosidades, nem esperançosos por causa de um repertório limitado: eles sempre se reinventam.

Um notado detalhe nesta coletânea é que são considerados apenas os destaques da banda na era da gravadora em questão. Há uma fase, anterior e ainda mais criativa, que muito bem podia estar contida nesse álbum, recheando ainda mais nosso paladar trovador.

Setlist

  1. Man On The Moon: primorosa balada, com todas as suas nuances.
  2. Faixa de destaque The Great Beyond: como pode uma canção ser tão alegre e melancólica ao mesmo tempo?
  3. Bad Day: a complexidade lírica desta canção é notável. Uma prova evidente da capacidade da banda.
  4. What’s The Frequency, Kenneth?: mais uma vez, toda a pomposidade despretensiosa em fazer canções alegres.
  5. All The Way To Reno: contrapesos bem definidos, constituindo uma obra leve.
  6. Losing My Religion: a levada acústica e os bandolins são fatores determinantes neste lugar-comum da banda.
  7. E-Bow The Letter: a canção mais complexa, mais zen e, não por isso, menos merecedora de elogios.
  8. Orange Crush: um convite irresistível a se animar.
  9. Imitation Of Life: ode à alegria do século XX.
  10. Daysleeper: suave, muito suave… quase de ninar.
  11. Animal: a atmosfera instrumental grandiosa junto a um lírico simples resulta numa perfeita sincronia musical.
  12. The Sidewinder Sleeps Tonite: o potencial vocal de Michael Stipe é posto à prova nessa canção – e acaba por sair dele aprovado.
  13. Stand: comparável a uma alegre cantiga de roda, pela cadência ritmada e pelos ímpetos de alegria.
  14. Electrolite: uma balada padrão, mas que desmerece em nada frente a todo o conjunto dantes apresentado.
  15. All The Right Friends: uma rápida e efusiva tacada de mestre, em se tratando de músicas para animar.
  16. Everybody Hurts: eles também sabem fazer românticas baladas expurga-males.
  17. At My Most Beautiful: piano, leve percussão e um discreto uso do vocal – receita perfeita que a banda também sabe fazer.
  18. Nightswimming: outra receita contendo piano, encerrando longos setenta e cinco minutos de uma seleção musical bastante equilibrada.

Complexo e Criativo

Seleção perfeita. Mas, por ser uma seleção…

starstarstarstar e 1/2


Technorati Marcas: ,

Ouvindo... R.E.M.: At My Most Beautiful

Radar Musical: Vinte e Oito

Jethro Tull - Crest of a Knave Jethro Tull

Crest Of A Knave

[EMI/Chrysalis, estúdio]


Quando uma banda se destaca, pedimos bis.

Assim, quando adoramos dois trabalhos, não hesitamos em adquirir um terceiro. Assim foi com a banda do homem da flauta transversal.

Lembro-me de um comentário ao qual fiz com um professor de tempos de SENAI, ao qual disse que ía, com orgulho, na contramão da massa na musicalidade. Crest… é a prova viva disso.

O ano de 2004 me reservava, apesar de muitos contratempos, a possibilidade constante de convívio com pessoas que muito podiam acrescentar, tal como uma outra fã inveterada de Jethro Tull – aquela do Catfish Rising – cujo o fato de citá-la traz-me à lembrança a banda, e vice-versa [Paula, me liga!].

Enfim, falando musicalmente, passada a efeverscência de Aqualung, mas consolidada entre verídicos fãs, Crest… mostra que o tempo não envelhece bandas.

Setlist

  1. Steel Monkey: começa bem metal e ao mesmo tempo bem eletrônico, e a levada mantém-se assim por todo o decorrer. Não se nota a falta da famosa flauta.
  2. Faixa de destaque Farm On The Freeway: as pausas, a leveza, o peso dos riffs, tudo bem dosado, à moda deles.
  3. Jump Start: o clima de canção cigana faz o diferencial nesta leve balada com pitadas de solos de guitarra.
  4. Said She Was A Dancer: mesmo com ampla leveza, a banda ainda conserva sua magia.
  5. Dogs In The Midwinter: sempre há de ter um espaço para as flautas, mesmo em meio a sintetizadores…
  6. Budapest: pouco mais de dez minutos de levadas acústicas e elétricas, de um trovadorismo incrível e do que eles sabem fazer melhor: suítes bem balanceadas.
  7. Mountain Man: trazendo peso novamente ao conjunto, inclusive no cantar.
  8. The Waking Edge: o mistério no princípio com a flauta. A revelação de uma história logo após com todo o conjunto.
  9. Raising Steam: para terminar, uma dose de sintetizadores e bateria eletrônica, com guitarras e um vocal sempre em prontidão.

Valeu o Repeteco?

Garantidamente.

starstarstarstar e 1/2



Ouvindo... Jethro Tull: Jump Start

Radar Musical: Vinte e Sete

Frank Zappa - Lumpy Gravy Frank Zappa

Lumpy Gravy

[Ryko, estúdio]


Este também foi mais um daqueles álbuns classificados na categoria curiosidade a se adquirir. Num mercado em que há falta de muitas bandas e artistas, ver um álbum destes, sem dúvida incita a vontade de conhecê-lo mais. Mesmo sem ter qualquer referência sobre tal.

Bom, levando-se considerações à parte, o álbum constituiu uma jogada de risco ou talvez até uma bola fora no quesito musical, segundo os moldes clássicos. Mas o humor inscrito nele faz valer um pouco o alto investimento em duas faixas apenas, com duração de quinze minutos cada.

Quanto ao período de aquisição, ainda me encontrava na época de terceiro semestre no SENAI. Trabalhos efeverscendo para todo lado, ali e na escola regular. Um emprego ocupando o período, já com pouca expectativa de crescimento de minha parte e iniciativa. Mas, creio eu, nessa época, iria delimitar os meus rumos futuros no ano de 2005. O qual colocou toda minha vida ao avesso – e que oportunamente será descrito aqui futuramente.

E, quanto a este de Frank Vincent Zappa, vai um aviso de cocheira: se você não gosta de experimentalismos, favor não comprar o álbum, e veremos a seguir o porquê.

Setlist

  1. Lumpy Gravy Part One: The Way I See It, Barry / Duodenum / Oh No / Bit Of Nostalgia / It’s From Kansas / Bored Out 90 Over / Almost Chinese / Switching Girls / Oh No Again / At The Gas Station / Another Pickup / I Don’t Know If I Can Go Through This Again
    Começa bem musical, mas uma conversa entre duas mulheres e um diálogo quase inaudível fazem uma queda na vibe, recaindo em sons experimentais e em algumas repetições. Apesar do aparente ganho da música, os discursos voltam novamente, pequenos sons ganham espaço, novamente dando lugar a orquestrações pouco ortodoxas, que ameaçam crescer, mas nunca o conseguem.
  2. Lumpy Gravy Part Two: Very Distraughtening / White Ugliness / Amen / Just One More Time / A Vicious Circle / King Kong / Drums Are Too Noisy / Kangaroos / Envelops The Bath Tub / Sessão de destaque Take Your Clothes Off
    Muita conversa e sons pouco musicais por longos quatro minutos, batucadas e orquestrações psicodélicas contrabalanceando mais discursos e sons soltos. Há um momento em que verídicos arranjos musicais aparecem aos oito minutos, e daí predominam até o grand finale, que infelizmente, poderia se estender por mais alguns minutos.

E então?

Média, mas o final compensa.

starstarstar e 1/2



Ouvindo... Frank Zappa: Lumpy Gravy (I)