O Porta-Voz de uma "Grande Potência"

No dia 20 de Janeiro, tomará a posse da nação ianque o democrata Barack Obama. Deixando de lado todas as convenções a respeito de sua etnia e origem, fica a pergunta: a posição norte-americana frente ao mundo irá mudar verdadeiramente?


Guerras infundadas, a instalação de um terror suspeito e uma grave crise econômica que interfere no bom funcionamento econômico mundial. Assim é o quadro que o caricata e “mico” presidente George W. Bush entrega à oposição nas mãos do presidente aclamado pelo público jovem conectado a tecnologia e pelos instisfeitos pelas insurgências e omissões de oito anos de governo republicano. No entanto, uma pergunta paira sobre as cabeças de pessoas ao redor do mundo: o novo governo terá foco nas necessidades internas, reconsiderará as atitudes irresponsáveis sobre nações em conflito ou será o continuismo de uma barbárie imperial que aos poucos mostra sua fragilidade e sua finitude?

Embora há anos o mundo enxerga os Estados Unidos como o protótipo de sociedade a ser seguida, da fonte em que a moda, a música, o comportamento e o consumo irrestrito e de luxo deve ser bebericada, vemos a ascendência de diversas outras nações que buscam despolarizar esses estigmas globalizados. Ademais, observamos, com o advento da crise econômica que ameaça o sistema financeiro tal como o conhecemos, que esse protótipo impecável possui as suas falhas, e elas demonstram que a nação ianque não está imune ao seu histórico político, assim como qualquer outro país.

Os mais entendidos, com um pouco de atenção e ousadia, conseguem perceber que problemas internos nos Estados Unidos como a criminalidade, o desemprego, calamidades naturais e deficiência no sistema de saúde público não estão aquém de outras nações que aspiram uma posição de países desenvolvidos, como o Brasil, por exemplo. Observam-se semelhanças e até impropriedades que podem tornar alguns dos problemas de organização social ianque maiores em amplitude que outras nações, igualmente desenvolvidas, apresentam em escala menos nítida.

E considerando que o modelo dito democrático ianque, que possa ainda não ser o ideal, não tem na figura do presidente o absoluto governo da nação, visto a autonomia das unidades dos cinquenta Estados, a assembléia e o senado. Assim sendo, quem garante que, mesmo havendo um forte desejo pessoal de Obama pela cessão de conflitos que envolvem um dedo do histórico ianque de influência global, o senado ou uma assembléia permitirão que tal decisão seja acatada na maior simplicidade?

É preciso levar em conta que, mesmo havendo uma coerção social por um Estados Unidos melhor, mais voltado às necessidades que foram dantes abandonadas por caprichos corporativos e presidenciais, essas mesmas corporações ianques, que exportam tecnologias diversas de utilidades e futilidades, como a bélica que, não por demais dizer, é a mais expressiva nas receitas daquela nação, não desejam perder o seu quinhão para outros impérios famintos de insumos financeiros. E será que o presidente Barack Obama terá a capacidade de abdicar a posição de supremacia combalida em favor de esquerdas radicais dispersas pelo mundo? Só o tempo – no mínimo, os próximos quatro anos – poderá dizer.



Ouvindo... Roxy Music: Jealous Guy

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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