Capítulo Cinquenta e Seis

Novos Sonhos


computer Ibiúna, domingo, 4 de janeiro de 2009

Uma das últimas coisas que deixo registradas do ano que passara é um singelo, porém confuso sonho, cuja significação é misteriosa.

Isso porque, primeiro, é raro eu ter sonhos que possa me lembrar durante muito tempo após tê-los. Fato comprovado disso é Karta Citina, cuja idéia original tinha o centro da história com base num sonho desses, descabidos, que tive dias assim como esse descrito.

Pois bem, o sonho em questão se valia de três momentos distintos. Dos dois primeiros tenho vagas, porém resumidas lembranças.

No primeiro momento – e isso já num estado embriagado da viligância, ou seja, imerso nos sonhos – eu voava, livre das amarras da gravidade, em direção aos astros, para os quais ia seguir em viagem para encontrar vida inteligente fora daqui. Seriam estes aliens bem apessoados, seja em seu espírito amistoso, seja em suas faces? Isso eu não pude perceber. E, assim que me deparei com indivíduos que expectassem essas considerações, vejo-me imergindo para a porta do segundo momento, um segundo patamar destes meus sonhos.

Nesse curto, porém confuso segundo momento, eu engrandecia, de forma a ficar tão grande quanto superastros que encontramos no universo dos sonhos: bactérias eram, comparativamente, planetas e pequenos satélites. Buracos negros, apenas pontos de sucção que insistiam em sugar nossos dedos dos pés, como aspiradores de pó. E estrelas super-grandes, nebulosas vermelhas que são milhões de milhões vezes maiores que o nosso Sol terreno da vigília, do tamanho de irmãos menores [que, a propósito, não tenho].

E, nem bem me acostumava com essa habitualidade do sonho, encontro uma brecha espacial que me trouxe ao terceiro momento e mais extremo patamar da presença dos sonhos: uma pensão donde era restritivo a entrada e a saída de outrem. E, apesar de minha intromissão não autorizada, fui concedido a conhecer o local.

Quem me recebeu foi a gerente-maior que se identificava como Doix [ou Dois, em francês] e que tinha como braço direito um sujeito do qual, estranhamente, eu já tinha as vezes de conhecê-lo muito bem. Este se chamava Mo, e pelo que pude perceber, ele era um nipônico. Mas seu rosto, nunca o soube até então.

E, ofertado o convite de Doix para conhecer as instalações do familiar local, vejo por conhecer seu filho mais conhecido, e alguns hóspedes um tanto quanto excêntricos, mas que muito bem conviviam entre si. Eles estranharam a presença minha ali, mas Doix se tratou logo de especificar minha visita ali no local. E a efusividade em me apresentar as instalações do local se misturavam com os papos intimistas de cada um dos camaradas e mulheres que ali se apresentavam.

[Não sei o porquê, eles se pareciam como artistas de televisão…]

E, regularmente, perguntava por Doix e a ela questionava sobre a chegada de Mo. E ela, informando [ao que me parece, lucidamente] que Mo estava em muitas ocupações, a mando dela, e que demoraria a chegar, mas não a ponto de minhas horas de sono serem extintas pelo relógio do despertar.

E todo o pessoal dali, sempre muito carinhoso… Parece que os conhecia há muito tempo, e principalmente, Doix passava segurança pela sua presença.

Mas, dentre os hóspedes, havia um casal que permanecia sempre na sua, e não era muito lá essas coisas com os outros. E assim que me deparei com ela [não lembro o nome da tal] esta me incitou, de uma maneira muito assustadora, a conhecer seu marido.

A sua aparência era dita daquelas sogras que todo brasileiro estereotipado costuma dizer ter. E, no que ouvi os rastros do sujeitinho marido dela, os arrepios tomaram conta de mim.

Decididamente, ambos não queriam que eu permanecesse lá por muito tempo. E mesmo Doix intervindo para que eles não interferissem na minha visita ali, de forma a me extrair fora daquele patamar de sonho; a voz tenebrosa do homem me fez perder contato com aquela pensão ilúcida, da qual nunca mais tive acesso.

E lembro, em período de meia-vigília, que Doix ainda reclamava: "Ora o que vocês fizeram! Agora será difícil permitir que ele volte aqui novamente…"

E quem sabe, deixando registrada essa presença ao mundo das hipotéticas verdades, talvez não possa ter acesso a pensão do terceiro patamar dos sonhos?


Aguardem por novos capítulos do Vigésimo Sétimo Fonema, e também em breve mais uma parte de Karta Citina.

Este aqui no qual vos deixei registrado servirá como base de uma publicação futura de um livro com base neste sonho.

Ouvindo... Yes: Leave It

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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