Momento Poesia

As Faces De Um Rio


Mares em que são desaguados,
Interiores em que são desviados,
Seguindo o curso da gravidade.

Faces de um RioAs pedras que nele desbarrancam,
Fagulhas que delas reclamam,
Constante e plena atividade.

Animais que dele fazem ambiente,
Plantas, algas, de funções conscientes,
Energia em fluxo de condutividade.

Tapajós, Mississipi, Rio Negro,
Amazonas, Nilo, Solimões, Tietê em desespero,
Perfil dos rios daqui e de toda nacionalidade.


Ouvindo... Coldplay: Yellow

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Recado aos Colegas da Rede Live

Aviso Importante De Um Amigo


Venho por esta pequena nota avisar que nos próximos dias estarei organizando meus contatos de rede do serviço Live, e por necessidades pessoais, estarei eliminando alguns contatos "mortos".

Vale considerar, queridos leitores, que no período em que este espaço era particular, permiti que algumas pessoas pudessem conferir os conteúdos, visto a reciprocidade de alguns artigos que havia escrito na época. Como tornei este material público (salvo ressalvas descritas logo acima), talvez não haja mais a necessidade de comportar leitores ocasionais.

Isso não quer dizer que desconsiderarei as pessoas por motivos particulares. Para fins de esclarecimento, estarei eliminando os contatos que não atendem às seguintes condições:

  • Contatos que mantenham um espaço com conteúdo no Live Spaces, mesmo desatualizado;
  • Contatos aos quais já tenha conversado alguma vez pelo Messenger;
  • Amigos físicos, da vida real; e
  • Contatos identificados com imagens expressivas.

Caso desejem continuar a manter vínculos comigo e com este espaço, favor regularizar sua situação, adequando-se a uma das condições descritas acima.

De toda maneira, desejo a todos felizes experiências na internet, seja no ambiente Live ou fora dele.

Minhas estimas a todos.


Aviso de Cocheira

Imagem 

provisória ilustrativa do Grupo Filosofia Brasil. Convido a todos os interessados em Filosofia que possuam Messenger (MSN) a ingressar no grupo Filosofia Brasil, o primeiro do gênero no novíssimo serviço Live Grupos no país. Clique no link ou na imagem aqui próxima. Você precisa possuir uma conta no Windows Live (sua conta de Hotmail é o suficiente).


Aos amigos próximos da querida Cidade da CatenáriaOsasco – e a outros Osasquenses interessados no assunto, dedico um grupo especial para fins de Filosofia, em moldes parecidos ao Filosofia Brasil.

Imagem ilustrativa do grupo Philosophia Osasco. É o Philosophia Osasco!

Clique na imagem próxima ou no link logo acima. Assim como todo ingresso na rede Live, você precisa ter uma conta de Hotmail ou Messenger ou no Spaces.

Espero por vocês, conterrâneos osasquenses, sempre!


Ouvindo... Brian Wilson: Heroes and Villains

Radar Musical: Vinte e Três

Oasis - Definitely Maybe Oasis

Definitely Maybe

[Epic, estúdio]


Dentre diversas manias de tipos de aquisição de álbuns, uma das mais interessantes é conhecida pelo velho apelido de "o primeiro trabalho".

Talvez isso seja a coisa mais interessante em se tratando de bandas que já possuem alguns anos de estrada, e que seu primeiro álbum adquirido dela não seja um dos primeiros trabalhos dela. Assim foi com esses daqui.

E, apesar de saber que o máximo de coisas que lembro quanto à aquisição de álbuns como esse é que fatores como o preço camarada me fizeram adquiri-lo, digo que haviam ocasiões que me levaram a adquirir este aqui. Principalmente pelos extremos que o Grunge e o Britpop oferecem.

Mas uma coisa tenho certeza: desse álbum não conhecia nenhuma. A avaliação? Bom, ficaremos sabendo quando for conveniente.

Setlist

  1. Rock ‘n’ Roll Star: já ouvi isso ontem [no sentido literal da palavra]. Animado, descontraído e bem rifado.
  2. Shakermaker: segue o padrão do que passaria a ser chamado de Britpop, mas bem mais pesado.
  3. Live Forever: as batidas pouco ortodoxas trazem à tona uma linda canção. Com direito a falsete.
  4. Up In The Sky: tudo equilibrado. Mas não passa disso…
  5. Columbia: um prenúncio de um apelo psicodélico.
  6. Supersonic: o vocal é inconfundível. E a canção tem lá seus "mistérios musicais" na percussão.
  7. Bring It On Down: até aqui, a canção mais Hard Rock.
  8. Cigarettes & Alcohol: fala sério… Não traz a lembrança dos tempos Glam de T-Rex?
  9. Digsy’s Dinner: uma brincadeira divertida.
  10. Faixa de destaque Slide Away: cheia de feeling e, por que não dizer, expurgadora de males?
  11. Married With Children: para encerrar, uma canção bem cool à moda acústica.

Boa estréia?

Interessante, mas por determinadas evidências, o álbum não possui uma marca que se imprima em nossas cabeças.

starstarstar e 1/2

 


 


Ouvindo... Oasis: Bring It on Down

 

 

 

Karta Citina: Sete


Norte de Samara

Assim que Yüren e Hércules chegaram ao quartel-general da instituição, o jovem finlandês tomou imediatamente a iniciativa de informar-se sobre as pessoas que naquela região haviam sofrido com as tempestades. Descrevendo detalhadamente, e fazendo-se valer de uma foto em um de seus aparelhos de navegação global da Bárbara, obteve dos bancos de dados modernos da instituição, que agora tinha atuação global para atuar em desastres naturais com uma eficácia assaz incrível, colaborando com forças locais de resgate e auxílio, nenhuma informação.

O atendente dispôs-se a auxiliar na busca a partir de algum instrumento que ela pudesse possuir que respondesse a um sinal de satélite, como um celular pessoal, um navegador global ou outro semelhante. Repassando as informações ao atendente, verificou-se – e nós sabemos muito bem de antemão – que Bárbara Svenska se encontrava (ou pelo menos o aparelho de navegação dela) na região costeira da Bélgica.

Yüren estranhou a informação que lhe foi dada: Bárbara Svenska nunca teve necessidade de estar por lá. E lhe veio à mente a possibilidade de o vôo que a conduzia tivesse estacionado pelas ocasiões das últimas horas. E sugeriu que fosse tentado um contato com ela que – como também o sabemos – não foi possível ser executado.

Uma leve aflição havia tomado conta do pouco ortodoxo coração do jovem Schuzkennott. E, já possuído por um sentimento irracional, exigiu, de modo um pouco mais intempestivo, detalhes sobre o roteiro que ela havia percorrido nas últimas horas. O atendente, intimidado, procurou responder com a maior calma:

– Preciso então que você preencha esse formulário, com seus dados de contato. Você terá que entender que o processo pode demorar até mesmo dias, pois envolve obter permissões de operadoras, casar dados de agendas, para comprovarmos e justificarmos essa invasão de privacidade…

– Como assim, justificar? Veja as coisas lá fora! E não me engane que sei que a Europa toda estava assim! Numa hora dessas, não existe o porquê em privacidade!

– Desculpe, senhor, mas são procedimentos. A instituição preza pela sua idoneidade e não deve entender que ela é um meio de traçar o que o indivíduo fez ou deixou de fazer…

– Sinto muito digo eu! – exasperou Yüren, de forma que os presentes ouviram com claridade – Então a instituição é mais importante que as vidas que ela diz salvar? Ora!!! Faça-me o favor…

Hércules interveio a fim de evitar que uma discussão maior se aglutinasse no recinto.

– Yüren, por favor. Não é a hora nem o momento para ocasionar dissidências assim – e voltando para o atendente. – Desculpe-me o jovem. Ele passou por uma experiência desagradável na floresta.

E conduziu Yüren até a uma área externa, solicitando-o generosamente que cumprisse os procedimentos, avisando-o do almoço que a instituição estava cedendo aos presentes, e pedindo-lhe que ali comparecesse. Mesmo a contragosto, Yüren assentiu com as recomendações do companheiro, e ambos foram almoçar após o preenchimento do formulário.

E, enquanto o almoço ocorria, um coordenador da instituição dirigiu-se aos presentes, solicitando que após a refeição, fossem estes ao auditório, para uma reunião emergencial.

E, organizadamente, após o almoço, assim foi feito. E em língua local e em inglês, os coordenadores locais convocaram os membros para comporem o quadro de voluntários para a missão de auxílio em localidades remotas na Europa central, assoladas pelos temporais ocorridos.

Yüren ficou pensando sobre a possibilidade de Bárbara ainda estar em viagem, e esta ter sido interrompida da forma mais bruta imaginável pelo mesmo temporal. Mas suas suspeitas só seriam confirmadas após resposta da instituição, uma vez que Yüren se permitiu a aprender a confiar somente em fatos confirmados e evidenciados. E, imerso nesse pensamento, não percebeu que a reunião havia cessado, e Hércules o cutucava insistentemente.

– Yüren. O rapaz ali deseja falar com você.

E indicou os guichês em que os membros recebiam as atribuições e identificações, às quais designavam seus postos de trabalho. Estes se dirigiam ao pátio da entidade em grupos pré-estabelecidos, onde caminhões do exército russo se mobilizavam para recolhê-los para as regiões que necessitavam, e para as zonas de fronteira, àqueles que tinham como destino outras nações.

A princípio, Yüren estranhou a convocação:

– Hércules. Não sou associado a Médicos, e você sabe disso.

– Sim, mas tomei a liberdade de comentar sobre você para eles, pois aqui entre nós você é um estranho, e eles estão te chamando para uma conversa – respondeu Hércules.

E, buscando um dos coordenadores ali presentes, apresentou-se.

– Sr. Yüren Schuzkennott. Você é finlandês, ao que me consta nas informações do seu amigo? – indagou este ao nosso jovem.

– Sim. Mas o que tenho a ver com a entidade? Não sou membro.

– Sim, sabemos. Mas você terá que vir conosco na delegação que se dirige à Escandinávia. As forças armadas finlandesas estão convocando todos os cidadãos para uma força-tarefa, pela ONU, em caráter emergencial, e você está nesse perfil de admissão.


No Brasil, o trio de amigas, conduzido por um veículo pesado do exército, estava indo em direção a São Paulo. Mas apesar da prestatividade do exército em levar os moradores de outras localidades o mais depressa possível, diversos empecilhos ao longo das diversas estradas que estes ingressavam, como barrancos desmoronando, troncos de árvores lançados sobre as vias, poças de água intransitáveis…

A movimentação frenética de veículos diversos, nas duas direções de muitas vias rodoviárias denotava que havia tanto preocupações com parentes quanto pessoas com medo de permanecer nos locais de origem, refugiando-se em outras localidades.

Muito preocupadas com as situações enfrentadas, consultaram um dos cabos as condições de São Paulo. Este, para alívio do trio, lhes respondeu:

– São Paulo, incrivelmente, só sofreu com as chuvas um pouco fortes, mas as ventanias que atingiram o país forram barradas por uma cortina natural chamada serra da Cantareira.

– Um segundo, senhor: você disse… O país? – questionou Henvellen.

– É… Algo incrível e ao mesmo tempo terrível. Já ouvi falar de desastres assim em minha infância, quando morava no sul do Brasil, provenientes de massas de ar frio. Mas o serviço meteorológico brasileiro constatou um fenômeno estranho, proveniente do norte.

– Como assim, do norte?

– Eu não tenho melhores informações, mas ao que me consta, uma cortina de temporais veio do Atlântico Norte e varreu as Américas como se fosse uma bomba nuclear de grandes proporções. Tempestades de areia, granizo, chuva forte e ventanias, como já foi dito, foram eventos observados só aqui no Brasil, conforme o que podemos constatar via rádio com as forças armadas diversas.

As preocupações se multiplicaram. Além de Janeny na Amazônia, havia familiares que não moravam na região de São Paulo. Alguns dos tios e primos de Henvellen viviam no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Muitos dos parentes de Sioue viviam no interior do estado paulista. Somente Ângela pôde assegurar que não só os seus pais e parentes próximos, mas toda a sua comunidade de imigrantes da Haamuskhalia vivia na região da capital, e, provavelmente, a sorte da natureza parecia ter sorrido para a megalópole mais dinâmica da América do Sul.

E, vencendo os obstáculos, um por um, com auxílio de diversas máquinas veiculares, e um pouco de espírito aventureiro, os moradores paulistanos, embrenhando-se pelo principal tronco viário que liga São Paulo a Paraná, levaram cerca de dois dias a atravessar todo o caminho até a região metropolitana, onde cada um pôde assumir sua própria vida.

Mas, condolizados pelos fatos ocorridos, muitos dos paulistas daquela região e paulistanos empenharam-se em serem voluntários de instituições diversas e da força civil especial, sempre acionada em casos de gravidade alta. No entanto, mesmo a alta disponibilidade de voluntários, o número era insuficiente para formar equipes de apoio que pudessem complementar forças locais de resgate e apoio nos incontáveis locais onde os prejuízos foram evidentes. O quadro era sério: a situação enfrentada pelas forças de apoio tinha gravidade altíssima. Na verdade, estava num nível nunca antes imaginado.

Henvellen, das três, foi a única que não se encorajou a tornar-se voluntária nas forças-tarefa Brasil afora, preferindo permanecer em Osasco, a esperar notícias dos seus familiares. Sioue e Ângela não hesitaram em se voluntariar para os trabalhos, e em três dias após a chegada em São Paulo, estavam partindo para as missões na região do Vale do Parnaíba, junto com o exército.


Ouvindo... Judas Priest: Hell Patrol

Radar Musical: Vinte e Dois

Bob Dylan - MTV Unplugged Bob Dylan

MTV Unplugged

[Columbia/Sony, acústico ao vivo]


Outro dos muitos aritstas interessantes ao qual fiz questão de conhecer era Bob Dylan. Falava-se muito do trovador do rock, de suas peripécias líricas e, obviamente, tinha um grande apreço pela Knockin’…, composição sua, à voz do Guns ‘N Roses.

Quis conferir então o material que, não muito diferente de outros, estava em preço promocional. Ainda mais porque, em se tratando de folk, uma viola combina muito bem.

Realmente falando, ocasião especial para a aquisição deste álbum não foi muito clarividente, de tal forma que o mesmo acabou por passar batido em minha concepção. Talvez eu ainda não tenha a paciência dos acordes músico-populares-ianques bem desenvolvida.

Mas este foi um dos álbuns definitivos para que meu gosto por gaitas – as eruditamente chamadas harmônicas – fosse consagrado.

Setlist

  1. Tombstone Blues: como a própria música diz, é um bom blues. E a voz de bêbado é ainda mais cômica.
  2. Shooting Star: o clima de teclados é legal [ué… não era acústico, sem elétricos?]. E a gaita, então?
  3. Faixa de destaque All Along The Watchtower: a história mostra o caráter maduro de um dos maiores compositores do folk rock. A platéia responde por si só.
  4. The Times They Are A-Changin’: na época, o marco do verdadeiro protesto inteligente, ainda no puro folk. Hoje, um clássico.
  5. John Brown: talvez um elo entre o folk rock e o country?
  6. Desolation Row: uma trovada extensa, mas não por isso maçante.
  7. Rainy Day Women # 12 & 35: as toadas de blues sobressaem o mesmo vocal embriagado de sempre.
  8. Love Minus Zero / No Limit: a canção de cunho mais romântico de todo o álbum. Um clima zen permeia toda a canção. E a platéia também [não, esta não dorme].
  9. Dignity: para quebrar o clima de paz, algo mais animado.
  10. Knockin’ On Heaven’s Door: a canção mais conhecida entre os hardies; a expurga-males; a que causa mais indignação poética; a mais (…) [e a que trouxe o sujeito que vos fala ao mundo do rock].
  11. Like A Rolling Stone: é canção ou poesia? Bom, em se tratando de Dylan, podemos considerar ambas as opções. Ainda mais pela efusividade da platéia.
  12. With God On Our Side: a notável canção-protesto implica num clima de reflexão acerca do futuro, previsto desde décadas de ouro. Os aplausos são de respeito a um músico ativista.

E a voz de bebum?

Foi superada pelo conteúdo das canções.

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Technorati Marcas: ,,

 


Ouvindo... Bob Dylan: Dignity

 

 

 

O Porta-Voz de uma "Grande Potência"

No dia 20 de Janeiro, tomará a posse da nação ianque o democrata Barack Obama. Deixando de lado todas as convenções a respeito de sua etnia e origem, fica a pergunta: a posição norte-americana frente ao mundo irá mudar verdadeiramente?


Guerras infundadas, a instalação de um terror suspeito e uma grave crise econômica que interfere no bom funcionamento econômico mundial. Assim é o quadro que o caricata e “mico” presidente George W. Bush entrega à oposição nas mãos do presidente aclamado pelo público jovem conectado a tecnologia e pelos instisfeitos pelas insurgências e omissões de oito anos de governo republicano. No entanto, uma pergunta paira sobre as cabeças de pessoas ao redor do mundo: o novo governo terá foco nas necessidades internas, reconsiderará as atitudes irresponsáveis sobre nações em conflito ou será o continuismo de uma barbárie imperial que aos poucos mostra sua fragilidade e sua finitude?

Embora há anos o mundo enxerga os Estados Unidos como o protótipo de sociedade a ser seguida, da fonte em que a moda, a música, o comportamento e o consumo irrestrito e de luxo deve ser bebericada, vemos a ascendência de diversas outras nações que buscam despolarizar esses estigmas globalizados. Ademais, observamos, com o advento da crise econômica que ameaça o sistema financeiro tal como o conhecemos, que esse protótipo impecável possui as suas falhas, e elas demonstram que a nação ianque não está imune ao seu histórico político, assim como qualquer outro país.

Os mais entendidos, com um pouco de atenção e ousadia, conseguem perceber que problemas internos nos Estados Unidos como a criminalidade, o desemprego, calamidades naturais e deficiência no sistema de saúde público não estão aquém de outras nações que aspiram uma posição de países desenvolvidos, como o Brasil, por exemplo. Observam-se semelhanças e até impropriedades que podem tornar alguns dos problemas de organização social ianque maiores em amplitude que outras nações, igualmente desenvolvidas, apresentam em escala menos nítida.

E considerando que o modelo dito democrático ianque, que possa ainda não ser o ideal, não tem na figura do presidente o absoluto governo da nação, visto a autonomia das unidades dos cinquenta Estados, a assembléia e o senado. Assim sendo, quem garante que, mesmo havendo um forte desejo pessoal de Obama pela cessão de conflitos que envolvem um dedo do histórico ianque de influência global, o senado ou uma assembléia permitirão que tal decisão seja acatada na maior simplicidade?

É preciso levar em conta que, mesmo havendo uma coerção social por um Estados Unidos melhor, mais voltado às necessidades que foram dantes abandonadas por caprichos corporativos e presidenciais, essas mesmas corporações ianques, que exportam tecnologias diversas de utilidades e futilidades, como a bélica que, não por demais dizer, é a mais expressiva nas receitas daquela nação, não desejam perder o seu quinhão para outros impérios famintos de insumos financeiros. E será que o presidente Barack Obama terá a capacidade de abdicar a posição de supremacia combalida em favor de esquerdas radicais dispersas pelo mundo? Só o tempo – no mínimo, os próximos quatro anos – poderá dizer.



Ouvindo... Roxy Music: Jealous Guy

Karta Citina: Seis


Norte de Samara, manhã de 7 de abril de 2024

Após assegurarem sua proteção nos redutos de emergência pela noite anterior, e após um árduo trabalho por parte dos monitores em obter contato com qualquer serviço de meteorologia, seja ele pelos meios ditos corriqueiros – o que foi em vão – e por métodos mais tradicionais, como a radiodifusão analógica. Neste, perceberam uma predisposição assaz enorme doutros operadores desses equipamentos, por certo antigos, dado os fatos que ocorreriam nas últimas horas.

Primeiro, fez-se da necessidade de assegurar que outras tempestades não seriam mais evidenciadas, o que foi elucidado como fato positivo: serviços de meteorologia remanescentes comprovaram que não surgiriam mais quaisquer intempéries naquela região durante um longo período de tempo, ao alcance dos próximos quatro dias.

Em seguida, fez-se a questão de verificar o fato ocorrido. Surpreenderam-se com as informações obtidas: apesar das dissensões entre os diversos operadores, uma coisa observava-se constantemente quanto ao dia passado. Tempestades fortes assolaram toda a Europa e a Ásia Central, como que se uma bomba fosse “lançada” em um determinado lugar, e seus efeitos fossem irradiados em uma amplitude inimaginável.

Fazendo questão de saber o epicentro desse fenômeno, descobririam que ele ocorrera na região de Armeggendya na Finlândia, e dali se espalhara fortemente por toda a extensão da Escandinávia, alcançando primeiro a Europa ocidental e seguindo por toda a extensão daqueles que, sobrevivendo, colocaram seus velhos comunicadores à disposição.

E, conforme as comunicações ocorriam, percebiam-se novos contatos ingressando nas mesmas faixas de freqüência da África e do Oriente Médio. Foram observadas fortes tempestades de areia misturadas com umidade. Cidades pequenas foram quase soterradas, e em Dubai por pouco não se observou tragédias envolvendo os epopéicos edifícios quilométricos.

A reação dos monitores, entre si próprios, era de pasmo:

– Que pandemônio de fim de mundo foi este!?

– Fico pensando no Yüren. Ele era dessa localidade. Talvez não tenha sobrado nada por lá. Acho que temos que tomar cuidado ao dar essas notícias a ele – respondeu um outro.

– Principalmente porque o rapaz presenciou uma morte durante a confusão. Áquil foi encontrado pela equipe de emergência, prensado pelo tronco de um pinus sobre o pescoço. Mesmo que sobrevivesse, ficaria irreversivelmente tetraplégico – respondeu um terceiro.

– Houveram outras mortes, a saber? – indagou o segundo.

– Só mais uma, em outro grupo. O coitado foi arrastado pela forte ventania ao rio, ficou preso entre pedras no seu fundo e morreu afogado – respondeu o primeiro.

– Evitemos então de entrar em detalhes sobre o assunto. Acredito que será melhor retirarmos os campistas daqui e levá-los a uma localidade mais segura – concluiu o segundo.

Nos alojamentos de emergência dos campistas, havia a expectativa de saber qual a procedência do resto do programa que mal havia começado, embora todos tivessem a certeza que não seria mais seguro continuar a acampar naquele local.

E Yüren encontrava-se pasmo ante o acontecimento do dia anterior. Nunca, em toda a sua vida, teria presenciado um acidente tão grave quanto aquele, principalmente pela agonia manifesta do então finado rapaz. E embora nossa personagem em questão não tenha desenvolvido em seus poucos anos de vida uma moral puramente altruísta a ponto de condená-lo pelo fato, a ocasião forneceu este sentimento de impotência ao jovem, por se tratar de uma relação, mesmo que não manifesta, de civilidade ante o próximo.

Essa ocasião ainda tinha o reforço dos boatos maldosos que circulavam entre os outros campistas, cada qual, de preferência, comentando em sua língua nativa em despeito às mazelas involuntárias do jovem. Yüren pôde perceber a fervilhança das panelinhas com respeito a ele, conforme o papo discorria e o sentimento de repulsa tomava conta dos presentes.

Pelo lado daqueles que pouco presenciaram os fatos tais como ocorreram, surgiam maldosos comentários acerca da incompetência organizacional de Yüren. Segundo a opinião deles, foi uma irresponsabilidade austera o rapaz não auxiliar a condução dos acompanhantes aos abrigos, bem como não estar de prontidão para qualquer procedimento emergencial de forma a garantir, a todo custo, a sobrevivência de quem quer que fosse. Soma-se a esse fato que o terceiro ao qual estava tentando auxiliar Yüren e Áquil ter posto sua vida em risco eminente, podendo ocasionar uma tragédia maior. Para eles, “uma incompetência dita com todas as letras”.

Entretanto, Yüren procurou, na medida do possível, apesar do seu titubeio com respeito ao resgate, ser prestativo, como nunca fora em sua vida. Haviam, é claro, mais razões do que emoções que fossem capazes de justificar tal atitude, mas é inegável que o resultado negativo tenha tido caráter emocional para causar um impacto em sua vida. Mas, ao invés de resignar-se diante das ocorrências, parece que nossa personagem procurou uma justificativa racional para si de ter evitado presenciar aquela cena: melhor lhe seria, pensou consigo próprio ter dado ouvidos às orientações dos monitores minutos antes e ter tomado as providências para evitar qualquer constrangimento, e jamais permitir ter se envolvido na morte de Áquil.

No entanto, a título de defesa moral, somente o terceiro campista não se deixou envolver pelas picuinhas que sorrateiramente eram formadas, evitando-as. Buscou oferecer apoio moral ao colega, combalido racionalmente.

– Eu podia ter sido mais prestativo, mais ágil, menos desorganizado – desabafou Yüren. – Jamais irei permitir-me que algo assim aconteça de novo… Nunca pude ter cometido uma falha dessas!

Enquanto o jovem finlandês se recolhia aos seus próprios pensamentos, virando sua face longe de toda a panelinha e discursos tempestivos, daqueles que notamos somente pela entonação, o experiente campista, de nacionalidade francesa, procura acalmá-lo e confortá-lo, da melhor e mais cabida maneira.

– Tranqüilize-se. Eu sei que você teve a melhor a das intenções, mas não podemos ser super-heróis bem sucedidos, sempre…

Foi então que uma terceira pessoa, dirigindo-se a ele em alemão, comentou:

– Nós sabemos que você estava com ele. Quer se reponsabilizar também pela tragédia? Sabe que durante toda a estadia esse sujeitinho manteve-se aquém de todos, como se vivesse em outro mundo? Faça-me o favor…

– Você, vá para o inferno com suas pragas! – respondeu o campista que salvou a vida de Yüren, em um tom áspero na língua alemã.

Após o sujeito dissidente ter se afastado da presença de ambos, estes dois voltaram a se conversar em inglês:

– Ele falava de mim, eu pude perceber – disse Yüren.

– Deixe estar! Ele mal sabe o risco que passaria se estivesse em situação semelhante. Eu já verifiquei situações mais sensíveis em outros lugares. Sou um membro-auxiliar dos Médicos Sem Fronteiras.

E, no que o campista deixaria se permitir contar sua história, vieram alguns dos monitores, os quais deixaram expostos em público sua decisão sobre o que fazer dali em diante, bem como o ocorrido sobre toda a Europa.

A princípio, Yüren ficou estarrecido com o que ocorreu, por causa de sua namorada, e a ansiedade tomou conta dele, pois as informações eram dadas com muito cuidado e aos poucos, mas também teriam que ser curtas e diretas, de forma a não permitir atitudes desprevenidas entre os presentes. Estes foram poupados de detalhes sobre as mortes dos dois campistas, embora houvessem muitas especulações sólidas a respeito do paradeiro destes.

E, como decisão conjunta por parte dos monitores, decidiu-se por não continuar as atividades de acampamento na região, sendo que, de alguma forma, teriam que manter os campistas na zona urbana de Samara, visto que as rotas de saída da cidade estavam também prejudicadas pelos temporais, como também algumas edificações que não suportaram os mesmos temporais.

A preocupação de Yüren era justamente se o distrito onde morava Bárbara havia sido atingido, fato comprovado duas horas após a saída da área de acampamento, ao dirigir-se à região dos apartamentos. A área fora isolada pela Defesa Civil, pois quase todos os edifícios, que mesmo não possuindo mais que cinco andares, eram assaz antigos, haviam cedido. Contabilizou-se muitas mortes, mas nenhuma que correspondesse à Bárbara.

O jovem finlandês fez-se agradecido pelo fato de lembrar que o vôo dela poderia estar em atraso, mas será que ainda não teria partido da origem, ou pela hora, teria sido atingido já em território europeu?

O outro campista – o que salvou nosso jovem – que o acompanhara até ali, pois tinha se hospedado num hotel modesto, ali naquele mesmo distrito, observou-o preocupado. Não hesitou em questioná-lo.

– Espero que a pessoa que você procure não esteja por aí… E desculpe não me apresentar: sou Hércules, francês e engenheiro civil. De toda forma, acho inseguro tentarmos permanecer por aqui. Fiquei sabendo de outro lugar que talvez tenhamos melhor sorte em permanecer. São as instalações subterrâneas da Médicos Sem Fronteiras, logo ao sul da cidade. Quanto à confirmação da pessoa que você procura, acredito que você tenha que esperar pelas notícias da Defesa Civil.

E, no que ambos se dirigiam ao posto da entidade, outro membro, este médico, identificando Hércules pela pequena insígnia que sempre carregava na camisa, convocou-o imediatamente para uma reunião extra-oficial no local.

Respondendo oportunamente, convidou Yüren a participar dela, justificando haver possíveis informações sobre os sobreviventes do distrito de residência da Bárbara.


Iporanga, estado de São Paulo

O amanhecer da região de Registro revelou os evidentes estragos na região de Registro, onde se localizava a caverna do Diabo, e onde se encontravam as três amigas da Bárbara. O rio Ribeira havia inundado alguns bairros ribeirinhos e mais adiante, diziam os radioamadores, a região entre Sete Barras e Registro tinha rompido um dique recém construído. Muitas das saídas da região estavam prejudicadas pela água que invadiu consideravelmente as estradas.

Somente o Exército conseguiu mobilizar-se com algum prazo de urgência, pois a Defesa Civil teve dificuldades para obter contingente o suficiente para prestar assistência, uma vez que muitos dos membros do quadro não haviam dado resposta, e a entidade fora acionada para buscar a si própria.

O quadro de destruição na cidade de Iporanga, no seu ponto mais alto, era desolador. As casas de alvenaria mais antigas não haviam resistido, ou por causa da sua localização, ou por causa das tempestades propriamente ditas. Mas, ao que parece, a geografia local permitiu que os da região mediana fossem protegidos pelos vales locais, não sofrendo muitos estragos. As vilas mais baixas, como já foi dito, foram atingidos pelas águas do Ribeira.

Assim que o grupo de visitantes das cavernas alcançou as regiões menos atingidas da cidade, tentaram obter contato com familiares, amigos, ou informar-se sobre as condições do tempo com os noticiários. A surpresa de muitos foi perceber que os meios de comunicação ainda estavam inoperantes, e até as retransmissoras de televisão estavam sem cobertura local.

E Sioue, Henvellen e Ângela ficaram todo o dia tentando entrar em contato com a família e, em especial, com Bárbara, buscando, peripateticamente e em vão, sinais com seus celulares.

Uma outra pessoa, no entanto, dispunha de um telecomunicador especial via satélite, o qual estava plenamente operante. Ao constatar a busca das três moças, a pessoa prestou-se a fornecer auxílio.

– Com licença, posso ajudar?

– Sim, por favor – respondeu Gysph. – Estamos tentando entrar em contato com uma amiga nossa em viagem, mas não conseguimos.

– Ela pode ser contatada via satélite?

– Acho que ela pode, sim – interferiu Henvellen. – Mas não temos essa tecnologia.

– Eu tenho. Poderiam fornecer-me o número?

E após fornecer o número de celular da Svenska, as três esperaram apreensivamente uma resposta positiva que demorava a ser obtida.

– O sinal de GPS dela não consta aqui no Brasil. Ela porventura viajou para outra localidade?

– Sim. Ela mora na Rússia. Talvez já esteja por lá – disse Sioue.

E, ajustando o alcance do comunicador, após alguns minutos de busca, conseguiu identificar o sinal do celular da Bábi, que apontava estaticamente numa região litorânea da Bélgica – a que, como sabemos, o avião foi forçado a aterrissar.

O operador do aparelho questionou as moças:

– Por acaso ela havia feito uma parada na Bélgica? Se ela esteve em alguma viagem de avião, garanto que ela está parada.

– Estranho – comentou Sioue. – Ela nunca teria nada com a Bélgica.

– Ela não comentou nada comigo a respeito de uma passagem por lá – complementou Ângela. – Tente entrar em contato com ela.

Mas, apesar do celular estar chamando perfeitamente, ninguém atendia do outro lado da linha.


Ouvindo... Elton John: Tiny Dancer