Mensagens aos Leitores, Amigos e Afins

Do porquê o não lembrar do Natal, e da não-comunicação imediata com as pessoas


Psicologia Embora nos dias atuais eu não creia que assim que consideramos o dia presente como do ano seguinte, como tudo mudado, pois as etapas se sucedem em continuidade, digo que o último triênio encerra uma etapa em que certeiras situações que ocorreram em minha vida.

Em resumo? Os frutos colhidos nos últimos três anos delinearão grandes mudanças a partir de agora.

Projetos sólidos se sucederão como bases do que foi feito nestes três anos que se passaram. Literários como Karta Citina; filósofo-literários como os ensaios do 35º Fonema; os inéditos filosóficos, como o pessoal Estudos Metafísico-Analíticos Sobre As Sistemáticas do Conhecimento Através das Quéreres, que, se possível, comporá partes da Maçã; a ’27º Letra’, com análises dos cotidianos de um pensador; os Radares Musicais, como impressões dos álbuns de CDs que possuo – e virei a possuir, et coetera.

Speed of Sound Tudo isso porque novas mudanças de rotina serão necessárias. Coisas diversas serão necessárias a se fazer: obter recursos financeiros, para redispor as conexões que não possuo em casa e custear meu assumido futuro que é este: dispor das Letras.

No princípio, achava que seria bobagem compor todas essas coisas, mas todos os acertos, e erros descabidos, e acertos que julguei erros ao longo do caminho delimitaram o que sou hoje, um profundo pensador sobre sua própria situação, enquanto um fácil assimilador de conhecimento neste mundo.

Parti para o difícil novamente…

Cansei de ser o estudioso só pela auto-satisfação falsa de estudar. Quero fazer algo prático – mesmo que metafísico – pela minha pós-existência.

Assim, não só jogo as decorebas, datas e métodos prontos dos que somos obrigados a repetir da escola e manter junto conosco, como fazer com que essa nova sistemática da qual adotarei de percepção da existência, de maneira lógica e segundo os princípios da causa-conseqüência do senso-comum. Estes que ditam como devemos aprender as coisas, mas sim, agora, fazendo uso da relexão para saber de que vale tudo isso.


No mais, relações humanas não irão mudar.

Philosophia O que simplesmente irá ocorrer é que, os poucos relacionamentos constantes de minha vida não-físicos com qual mantenho freqüência (digo nisso Orkut e W. Live) podem ficar prejudicados devido às peripécias do tempo. Soma-se ao trabalho e aos estudos um desafio dramatúrgico que me foi concedido como projeto-alvo do ano vindouro, de minha ocupação de lazer. Verei se posso fazê-lo com qualidade e disponibilidade.

Ao pessoal do teatro de Osasco – trupe BrancaLeone – Cidade da Catenária, vai o meu muito obrigado pela experiência de encontrar um escape para minhas necessidades que estavam presas em meu pensamento. Lisístrata (2007) foi o marco em minha vida. Uma pena que o projeto não vingou nos poucos dias que aí me mantive.

Ao pessoal da verdejante Ibiúna, em especial a Cia. Una D’Art, que ofereceu a possibilidade de visualizar outros modus operandi do fazer teatro: apesar das falhas e das faltas – mais faltas e mais minhas – e dos prazos que desgastaram, A Trágica História de Romeu e Julieta (2008) ficará como uma experiência que me apropriou do trabalho que constituiu meu trabalho anterior na Cidade de Catenária. Assim, espero que os próximos trabalhos, mesmo não tão extensos quanto os dois primeiros, se tornem proveitosos como os outros foram.

A todos que contribuíram que este triênio eu estivesse como hoje estou, meus sinceros "muito obrigado".

E a todos que acreditam que após a virada do relógio tudo se transformará vigorosamente, um feliz Ano Novo cheio de realizações.

Aguardem por novidades!


Ouvindo... Coldplay: Talk

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Radar Musical: Dezoito

David Bowie - Best Of David Bowie

Best of Bowie

[EMI, coletânea]


E embora você seja aquela pessoa correta nos moldes tradicionais da história, aqueles impostos pela sociedade, há algo em você que clama por se manifestar: é a tal chamada identidade.

[Não que eu diga: desejo ser um Bowie da vida. Mas há certas coisas que precisamos nos permitir em determinados momentos para que o futuro não nos reserve transformações excessivas e prejudicialmente permanentes.]

Não é tão referente ao álbum em questão, mas em um ponto da minha vida, quis ser único e imprimir uma marca pessoal no mundo. E achei numa androgenia semelhante a de Bowie [em certos pontos] um escape para a personalidade. Já falei, por acaso, das correntinhas que carregava nas minhas calças dins, únicas, que carregavam bijouterias femininas [e não, eu não as vendia, as comprava e ganhava]. Talvez um manifesto de aproximação com as mulheres? Quem sabe! Eu não me lembro a razão correta.

E, embora sabemos que a androgenia da matriz em questão foi apenas uma fase na vida deste camaleão da música, nós notamos o quão influente este sujeito tão ímpar foi para a música.

E, em comentários à parte, foi o que me levou a conhecer grandes gênios da música como o assumidamente excêntrico Elton John dos anos setenta.

Setlist

  1. Space Oddity: a era do espaço bem definida no melhor esquema art rock.
  2. Changes: aqui começa a fase mais própria e famosa do sujeito em questão. Os pianos conferem todo o clima.
  3. Life On Mars?: idem. Com mais feeling.
  4. Starman: a pegada acústica confere um clima de passionalidade, tanto na original quanto em posteriores versões, como a nossa Astronauta de Mármore.
  5. Ziggy Stardust: inexplicável… Afinal, é progressivo, é para metal, glam ou o quê?
  6. John, I’m Only Dancing: talvez uma fórmula cronologicamente batida para Bowie.
  7. The Jean Genie: a saída da fase de deprê está em grande efusividade…
  8. Rebel Rebel: e o manifesto, ora andrógino, ora homossexual, denota uma característica dos pertencentes ao subgrupo alternativo do rock: a contestação.
  9. Faixa de destaque Young Americans: reviver o sentimento de anos dourados conferiu uma bela canção com coro e sopro de sobra, com um único problema: versão editada para single neste álbum.
  10. Fame: a canção sobre a fama, com uma palhinha de Lennon, tem um ar psicodélico…
  11. Golden Years: já não estamos mais na fase de evidência de Bowie, mas ele continua se reinventando.
  12. Sound And Vision: a voz madura dos dias atuais começa a sobrepor a alegre e efusiva voz glam do passado.
  13. "Heroes": um David Bowie puramente ortodoxo e alternativo.
  14. Ashes To Ashes: uma tentativa frustrada de resgatar o sentimento glam de tempos passados, com sucesso apenas na musicalidade.
  15. Fashion: os acertos a partir dessa fase de Bowie só se darão em experimentalismos como esse.
  16. Under Pressure: será devidamente comentada na coletânea do Queen, o qual faz parceria nesta canção.
  17. Let’s Dance: novos horizontes que Bowie traçou nessa fase foram um chute cego que chegou a gol. A canção só perde por estar na versão reduzida nesta coletânea.
  18. China Girl: a parceria em letra com Iggy Pop rendeu bons frutos: para Bowie, para Pop e para o público.
  19. Thursday’s Child: já em um momento de consagração, e musicalmente amadurecido, Bowie faz música pela simples diversão de fazer.

Plenamente Representativa?

Pelo currículo de Bowie, uma coletânea é insuficiente para expressar toda uma carreira. Soma-se o fato de se enxugar oito canções para caber 19 em um CD…

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Ainda se saiu bem a coletânea.

 


 


Ouvindo... David Bowie: Ashes to Ashes

 

 

 

 

Causos de Longinqual de Preta Terra

A Flautista Céltica

Longinqual também é um celeiro renomado de novos talentos. Um deles, certamente, é uma simpática moça que, na plenitude dos seus vinte anos, faz valer internacionalmente o nome da localidade. Informações sobre esta pérola longinquense será descrita a seguir.


Antes da Era Jarbas Magalhães – que, sabidamente, reelegeu-se aproveitando oportunidades obscuras – , o modesto município de Longinqual fazia pesados investimentos em eventos culturais. Estes eventos não sucumbiram ao público abandono pela iniciativa de ordem privada. Mas os ingressos custariam algo em torno de cinquenta por cento mais caros. Mas a qualidade dos eventos também aumentaria.

Um destes notáveis sempre foi o Festival de Música Ao Ar Livre, este ano em sua 15ª edição. Nele, destaca-se uma pequena notável flautista céltica há mais de três anos, consagrada fora dos limites desse tão estimado povoado do qual vos falamos.

Reconhecida internacionalmente, Ariana Drica Farnesi, moradora do distrito de Juncal dos Paraopebas, extremo sul, bairro residencial modesto e tecnológico, que possui a maior comunidade céltica fora dos domínios europeus [êpa… Os celtas ainda existem?]. Ariana mantém as tradições da música folclórica de sua comunidade, sempre com apresentações com a banda Fulschoffen Blakground, composta de amigos que ela incorporou da região central, com seus estilos musicais mais lugares-comuns, como blues e rock.

O Pasquim Local é um dos maiores incentivadores do FBg, junto com a Associação de Bochas, que tomou cabo do FeMusAL há dois anos, em verdade, para trazer como carro-chefe a instrumentalidade céltico-ocidental do grupo.

Drica, como prefere ser chamada, é uma dessas personalidades mais estimadas, ao contrário de Shayna. Todo mundo procura sempre ter a oportunidade de estar perto dela. Ela é conhecida por ser uma das cabeças-de-chave do grupo das laurianas, um daqueles quinze grupos de mulheres nas quais as podemos classificar por ali.

Se existe alguém que causa um positivo alvoroço na cidade, este alguém é Drica. Quando ela precisa se deslocar do centro, onde realiza estudos independentes de música, às noites de sexta-feira, já em horário em que os ônibus para o Juncal não passam mais, os taxistas fazem questão de oferecer a ela um preço diferenciado. Como o longo caminho de três horas nas sinuosas pistas recém-pavimentadas [coisas de propagandagem política do Jarbas para com os célticos] e parcamente iluminados oferecem nada mais que longos minutos de tédio, nada melhor que conversar sobre os rumos da cultura com a pequena e lauriana notável. Abaixo transcrito um trecho final duma dessas longas conversas.

– Sabe Drica? Fico feliz em saber o quanto vosso grupo faz pela nossa cidade…

– Ah, por quê? É só um patrocínio de peso, seu Plínio…

– Não! Mais que isso… Há até blogueiros falando de nossos feitos para o mundo [ah, seu Plínio, sabia das coisas…]. É o Generais da Interpretação fazendo história pelo teatro, o Itaperoaba pela cultura africana, vocês e mais alguns pela música, o grafismo ideológico das escolas de artes do distrito de Gálio Magalhães – que precisa de melhores estradas, confesso eu – e o pós-fenomenolismo da Faculdade de Filosofia Longinquense… E eu fico pensando, como, com tanto incentivo e manifesto cultural, um conformista ainda conseguiu se reeleger.

– São bilhões, Plínio… Precisamos de estrutura demasiada o suficiente pra atingir toda a população. Se o Blakground fosse passar uma mensagem de conscientização a todos os cidadãos, não teríamos mais vida pessoal. O distrito industrial, como você bem sabe, está tão atrelado com o Jarbas quanto um lobo é culpado por sumiço de galinhas. Palavra de uma lauriana – tal como vocês me consideram – e confirmadas por andressinas como a Shayna…

– Êpa, paremos com assuntos nesse quesito! Sabe que, quanto menos citemo-la, melhor pra gente.

– Deixa disso, Plínião [risos]! São papos de jovens imaturos, que não sabem respeitar mulheres de caráter forte que nem ela.

– Mudemos de assunto, porque prefiro as cintinianas como minha esposa. Como foi o FeMusAL desse ano?

– Ah, uma maravilha! Doze bandas locais, algo bem cabalístico. Ao fim da temporada, as doze se reuniram para duas suítes. A Passion Play dos britânicos do Jethro Tull, e o Opus Poi Müzik do Comboio Elétrico Longinquense. Uma orquestra que foi ovacionada pelo público…

– Fala sério, Drica: você se alimenta de pão, leite e ovações anuais?

– De pão, leite, panquecas, acqua vitae, o almoço de todo bom brazuca e um petisquinho… A ovação eu ofereço pra cidade. Olha lá, vê aquela tenda? Já chegamos!

– Foi boa a conversa. O pagamento pode ser feito na segunda.

– Faço questão de pagar agora. Seu expediente termina quando?

– Pra falar a verdade, só ficam os "meninos" do Bandeira Dois.

– Pois bem. Fique! Tem uma festa folclórica ali na tenda, você é meu convidado!!!

– Puxa… Fico agradecido. Só espero que a patroa não pense coisas.

– Relaxa! Eu a convidei também… Ela já está lá. De qualquer jeito você também viria aqui.

– Ah, essas laurianas e cintinianas, como se entendem…

É por essas que os taxistas ofereceram-se para conduzí-la por preço diferenciado. Toda sexta há uma festa folclórica celta nos Juncal do Paraopebas, irrecusável. E, aos taxistas solteiros, sempre havia alguma céltica que correspondesse às suas expectativas.

Mas nenhuma dessas era a nossa matriz lauriana, já comprometida consigo mesma e com o mundo da música.

E por que pensar nela, quando haviam cerca de três mil com o mesmo perfil de idade, somente por ali?


Ouvindo... Wisin Y Yandel: Síguelo

Radar Musical: Dezessete

Alice In Chains - MTV UnpluggedAlice In Chains

MTV Unplugged

[Columbia/Sony Music, ao vivo]


Estava a dever sobre aquela atividade de risco. Pois bem, irei elucidá-la: em plena chuva, estava eu numa das minhas localidades mais queridas naquela cidade, onde passei minha tenra infância. Embora não lembre o motivo exato de estar lá. Lembro que sempre buscava ali, personificado num lugar específico, saudades de tempos áureos de minha vida, em que prosas, poesias e afins traziam tantas emoções [não, eu não inaugurei o movimento emo] para minha existência. Algo que não traz tantos sentimentos assim hoje em dia, por razões biológicas ou por não encontrar nada de novo na música hoje em dia.

E eu, afoito por ouvir esta e a aquisição antes comentada, fiz pela paciência minha amiga para poder chegar em casa e ouvir meus dois regalos [porque presente vem dos outros e depois do passado].

Tanto este como o Live do Alice tem a falta de uma canção que entraria no contexto de "ao vivo" das duas produções. A épica I Stay Away com o clipe de massinha inconfundível do qual eu presenciara nas minhas primeiras audições de MTV em casa.

E esse disco cumpre com a estigma que toda canção grunge pode ser posta ao violão…

Setlist

  1. Faixa de destaque Nutshell: disco de Alice In Chains = expurgação de males de cabo a rabo, + o elemento acústico = purificação catársica.
  2. Brother: idem, talvez com um pouquinho menos de feelin’.
  3. No Excuses: existem canções, ao mesmo tempo, animadas e expurgatórias? Está é a prova capital disto. E ainda de palhinha, um solinho de Metallica.
  4. Sludge Factory: envolvente, instigante.
  5. Down In A Hole: por que essas canções down nos deixam mais up que o cantor?
  6. Angry Chair: os acordes fazem desta versão uma das canções mais equilibradas e coesas em todo o álbum.
  7. Rooster: a potência desta canção ao vivo nunca denotaria um versão mais harmoniosa ao acústico. Perfeita!
  8. Got Me Wrong: faltavam canções com atmosfera mais leve. Esta chegou em tempo.
  9. Heaven Beside You: uma clássica em bons termos no acústico, com destaque para o vocal.
  10. Would?: tem sua beleza, mas nada comparado às versões elétricas.
  11. Frogs: uma canção densa e complicada, que por muito pouco, não joga o álbum no atoleiro de um brejo [que não seja o nosso].
  12. Over Now: outra canção densa, mas que levanta o ânimo da apresentação para a "forjada" finalização…
  13. Killer Is Me: …que, após muita relutância do público, vira num "mais um", uma canção tipicamente aos moldes de um acústico e inédita no repertório.

Hard Grunge combina bem com violão?

Palavras não explicam nada o conceito desse álbum. Já sem o adicional atingiu o conceito máximo.

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Ouvindo... Alice in Chains: Over Now

 

 

Karta Citina: Cinco


Norte de Samara

O grupo ao qual Yüren estava presente havia sido imprudente, ao se dispersar floresta adentro. As recomendações dadas eram para que os grupos permanecessem unidos, para cooperação mútua. Um ou outro se arriscava a auxiliar os presentes a se dirigir aos postos de emergência, ao qual nosso amigo churrasqueiro e precavido se encontrava. Este, muito solidário, apesar da pouca experiência, desejava correr de encontro aos outros presentes para auxiliá-los, mas foi impedido pelos monitores de plantão, tamanho o perigo que sair estava se apresentando.

Os ventos eram preocupantes e estranhos, já que empurravam as coisas para o chão, algo que nunca antes fora presenciado por ninguém. Mas não havia tempo para se estudar o comportamento daquelas ventanias. Fato é que árvores mais robustas estavam sucumbindo ao chão aos poucos, o que tornou as atitudes do grupo desesperadoras.

A quem permaneceu com o detentor do mapa, mais uma desagradável surpresa: o vento remove da mão do aventureiro o mapa. E estes estavam em uma direção contrária a qualquer acampamento ou posto emergencial. Quedas eram constantes entre os membros da equipe, mas o espírito solidário em horas assim fala mais forte com a consciência, demonstrando afeição com o próximo. Após enfrentar os riscos por inesgotáveis vinte minutos, parte dessa equipe consegue alcançar outro posto subterrâneo para ali abrigar-se com segurança.

O mesmo não poderia ser dito ao outro grupo, onde Yüren se encontrava, embora um pouco à parte, no mais mesquinho estilo egoístico. Apesar de encontrar, na base da intuição de sobrevivência, daquelas que obtemos em momentos desesperados, um caminho aberto em direção a um posto, ainda que mais distante, árvores já se encontravam caídas, obstruindo as passagens e retardando a chegada dessas pessoas a algum local seguro.

Em tempo: Samara outrora enfrentou tempestades diversas, mas nunca algo de tamanha estirpe que pudesse descaracterizar o ambiente daquela forma. As árvores que não caíam, definitivamente estavam envergando de forma surpreendente, todas em direção ao chão, fazendo chover muitas de suas mais vigorosas folhas, às quais enfrentaram adversidades dos tempos frios com a maior naturalidade. Agora, elas eram protagonistas numa tenebrosa novela em que almas à procura de diversão campestre agora se viam cara a cara com um desastre pessoal.

Uma dessas almas que fora interrompido pela chuva de folhas em sua perseguição pela sobrevida era Áquil, o qual havia sido interrompido por uma pedra à qual não havia notado. Dando de joelhos direto ao chão, a colisão, certeiramente havia rompido ligamentos da sua rótula, deixando-o incapacitado para continuar sozinho. Necessitava, certamente, da ajuda de alguém.

Yüren era o último da comitiva que ali passava. Um dos poucos que ainda arriscava a carregar seu robusto equipamento, o qual ainda não havia descarregado. Atravessando o ambiente cuidadosamente, embora exasperado por sua vida, estava a um ritmo menor que os outros, tomando o devido cuidado com os tropeços diversos pelo caminho.

Deparando-se com a presença de Yüren, Áquil fez esforço para que seu clamor de ajuda fosse mais evidente que o coro do vento que ali soprava.

– Aqui, rapaz! Ajude-me!!! Quebrei o joelho, não consigo mais andar, por favor!!!

Yüren viu um corpo lançado ao chão e uma mão erguendo-se a pedir ajuda, entre a dança de folhas que permeava o local. Não imaginamos o porquê, mas Yüren percebeu que precisaria fazer algo ali, pois uma vida ficara solícita aos seus cuidados até o ponto mais seguro que pudesse achar. Mas mesmo assim, pelo fato de aliviar a carga, Yüren não desejou abrir mão do seu caro equipamento para auxiliar melhor o novato.

Outro mais experiente da equipe vinha de encontro aos dois. Este havia percebido que uma cadeia de árvores grandes estava em queda, como um dominó, em direção a eles.

Yüren fazia esforço em demasia para arrastar pelos braços o jovem rapaz até dar de encontro com uma pedra, que o faz tropeçar de costas, com equipamento e tudo. O terceiro campista não hesitou em auxiliá-lo a sair dali.

Uma árvore estava com iminente risco de queda exatamente ali.

Yüren, já sendo arrastado pelo campista experiente, reclamou efusivamente pelo companheiro.

– Eu não preciso de ajuda! Posso me erguer!!! Aquele sujeito caído ali é quem precisa.

– Não vai ser possível ajudá-lo! Preciso arrancar você daqui ou senão seremos três amassados por um tronco!

E Áquil, lançado ao chão, implorava com uma voz fraca e trêmula, ouvida apenas por Yüren em meio à ventania:

– Por favor! Eu te perdôo das críticas minhas, mas preciso de ajuda.

E, antes que qualquer um dos presentes ali pudesse tomar uma iniciativa em favor de Áquil, o tronco sujeito a cair despenca sobre o jovem. Uma terrível cena que apenas Yüren pôde assistir. O grito pavoroso que se sucedeu depois, das duas ocasiões, uma: ou causara uma lesão maior no jovem ou definitivamente o mataria.

Nenhum dos dois procurou saber do ocorrido. Poucos minutos depois, estariam em segurança no posto subterrâneo mais próximo, a esperar o dia amanhecer e o tempo acalmar-se.

Mas, aquela noite, a imagem da queda da árvore sobre o jovem ficaria tão latente na cabeça de Yüren, que o sono tardaria e muito para chegar aos seus olhos.


Caverna do Diabo, estado de São Paulo, algumas horas depois

Ângela, Sioue e Henvellen, já após uma balanceada refeição nos restaurantes locais, mantenedores das tradições do século anterior, encontravam-se em seu destino-alvo. As grutas que compunham o enigmático complexo de cavernas, que em questão de anos, tornaram-se atrações turísticas badaladas da região, por mais que nunca se modificassem – em termos, já que, por certas vezes, algum desavisado e ecologicamente inconsciente busca guardar para si um “pingente” de lembrança do local – sempre deixavam o trio maravilhado. Bárbara seria uma quarta que tiraria proveito daquela vista, mas não o faria por motivos de viagem, dos quais nós já estamos muito bem informados.

A badalação pelo local era tamanha que, por pouco, o trio não conseguiria participar da expedição por causa da capacidade máxima de visita por guia, que foi atingida por não muitos turistas após elas.

As águas cristalinas que escorriam pelas fendas eram constantemente iluminadas pelas luminárias utilizadas pelos guias e turistas que ali atravessavam. Os desenhos naturais pela parede enigmáticos que faziam jus ao nome do ponto turístico instigavam desde os mais religiosos aos mais pagãos. O ruído dos morcegos guinchando era a trilha sonora do ambiente, junto com o discreto bater de asas dos animais, incomodados constantemente pelas luzes andarilhas que trafegavam caverna adentro e caverna afora. Além de tudo isso, alguns aracnídeos e insetos compunham toda a fauna terrestre, entre as diversas estalactites e estalagmites milenares presentes, além de alguns peixes nos lagos de água potável.

Ali era um dos poucos, mas privilegiados lugares do mundo em que a tecnologia dos tempos pós-comtemporâneos era deixada de lado. Na melhor das hipóteses, ouviam-se ruídos dos rádios-comunicadores das equipes de expedição. Máquinas fotográficas eram proibidas nas mãos dos turistas, no entanto, os guias, esporadicamente, fotografavam os ambientes das cavernas em dias fechados ao público, e caso fosse do desejo do turista ter uma recordação do local, informava-se ao guia sua pretensão, e este lhe presenteava com um cartão postal do local mais próximo e parecido com o desejado. Nada dos novos anos vinte: somente a vida simples do século anterior.

Sioue era uma das que mais ficavam atemorizadas com tal cenário, mas esse era daqueles temores oportunos, os quais você se sujeitava plenamente a passar. O famoso não-querer querendo.

Bem vinha o grupo encerrar sua expedição pelo local, dirigindo-se às saídas, quando se depararam com outros guias, da expedição do turno anterior, retornando com quase todos os turistas. Todos tinham impressos na face o susto convicto.

Nem bem as explicações começaram a ser dadas entre os guias e turistas, perceberam-se barulhos de galhos robustos de árvores de porte grande chocar-se com a entrada das cavernas. Ao passo que as pessoas deixaram-se perceber, uma chuva deveras grosseira caía ao lado de fora do local, mas a força dessa chuva era de surpreender até mesmo os guias mais experientes que ali estavam. Ventanias urravam caverna adentro, amedrontando as pessoas que ali estavam.

Os que ali se abrigaram informavam que nuvens cinzentas e espessas vinham do nordeste, com uma rapidez incrível. Uma cortina de chuva era notável a quilômetros de distância, e junto com esses fenômenos, via-se, pouco a pouco, moradias mais rústicas e precárias sendo desfeitas pelos ventos que ali sopravam, na forma de diversos mini-furacões que descendiam das nuvens em direção à terra. Algo nunca visto antes naquela região.

E, por cerca de duas horas e meia, apreensividade e pânico generalizavam-se entre os presentes dentro das grutas e cavernas. A comunicação de rádio e outras se tornaram indisponíveis. Por diversas vezes, acreditava-se que o teto das cavernas sucumbiria ante os choques de diversos materiais que por ali voavam. Acuados no mais profundo antro das cavernas, pois as entradas entulhavam-se de galhos, troncos velhos e até algumas árvores inteiras, pedregulhos e, por vezes, granizos de tamanho considerável.

Após a decisão de esperar a passagem dos fenômenos por uma hora após a garantia de sua cessão, montou-se uma força tarefa com o intuito de desobstruir as passagens de saída, após um eficiente trabalho cooperativo, toda a equipe pôde enfim deixar o local. Era fim de tarde, o céu estava incrivelmente limpo de nuvens e o sol apontava o seu ocaso no horizonte. Nem aparentava uma tempestade ter atravessado a região.

No entanto, as surpresas foram evidentes e estarrecedoras quando as comitivas de turistas chegaram aos postos de controle e aos centros das cidades mais próximas. Alagadiços nas partes baixas e as suspeitas dos surpreendidos pelas tempestades confirmadas: árvores arrancadas dos solos, casas destruídas, debandadas dos comércios e, dos poucos que encorajaram-se a enfrentar as adversidades, soterrados. Um ou outro se salvara, e sua aparência denotava pura e simplesmente um contato com uma experiência cuja descrição com propriedade e equivalência assemelharia ao Juízo Final.

A preocupação havia tomado conta do trio de meninas, assim que os guias que as acompanhavam, bem como outros turistas da capital paulista, tentavam contato com parentes em outros lugares ou conectavam suas televisões portáteis. As poucas emissoras que ainda tinham sinais de retransmissão anunciavam tormentas parecidas em muitas outras regiões de capitais brasileiras. Janeny estaria a essas alturas no Rio de Janeiro, ou em curso à região amazônica. Independentemente da sua localização, comprovou-se, via rádio amador, a passagem de uma corrente de ar forte, por vezes seguida de granizo, de chuva ou até de grupos de ciclones de pequena proporção.

Mas as tentativas de contatar Janeny eram em vão. O alcance da telefonia móvel era horrível por todos os lados. Os turistas e guias, que somavam cerca de quatrocentas pessoas, estavam isoladas de todas as formas e assim permaneceriam por aquele dia.


Ouvindo... Prodigy: Smack My Bitch Up

Radar Musical: Dezesseis

The Clash - Combat Rock The Clash

Combat Rock

[Epic, estúdio]


 

Existem certas ocasiões que você lembra dos detalhes da compra de algo. Este e o álbum seguinte a ser comentado tem dessas.

Era um dia em que a chuva ameaçava bravamente. Eu fazia minhas idas costumeiras ao centro comercial da Cidade da Catenária. E este e mais um álbum estavam em preço promocional pelo selo que estavam sendo vendidos. Mas o detalhe fica por conta da atividade de risco que me propus a fazer depois de todas as compras efetuadas. Esta fico por contar no próximo capítulo.

Quanto ao álbum, mais uma vez, têm daquelas uma ou duas músicas que chama a sua atenção, por você já conhecê-las e muito bem. As surpresas ficam reservadas pelo que você vai ouvir.

Decerto, este não é o dos mais concorridos álbuns do Clash. A fase mais punk deles já havia se desconectado de suas mentes, e outras mil referências musicais já estavam presentes em sua veia musical. Mas, mesmo assim, é um álbum que gera muita diversão para quem ouve e não é muito exigente em termos de punk rock.

Setlist

  1. Know Your Rights: bom… Aqui ainda tem punk
  2. Car Jamming: e aqui ainda tem animação. Ainda é impossível se perceber porquê tanto comentário pouco efusivo.
  3. Should I Stay Or Should I Go?: uma velha conhecida sempre em forma. Não sei se fico ou se vou…
  4. Faixa de destaque Rock The Casbah: esta foi uma das pioneiras desde que eu conheci verdadeiramente o rock. E, não sei o porquê, mas eu "vejo" azul quando ouço essa…
  5. Red Angel Dragnet: uma prosa musicada.
  6. Straight To Hell: aqui já se percebe, notadamente, a diferença. A bateria à tribal, o clima dos teclados… Alguém, por favor, diga a mim se isso é ska?
  7. Overpowered By Funk: agora é evidente a multireferência musical.
  8. Atom Tan: voltando às raízes, uma breve brincadeira.
  9. Sean Flynn: certeiramente, a canção mais zen de todo o álbum.
  10. Ghetto Defendant: [mesmo não sabendo inglês] o espírito de protesto nesta prosa musicada é visível, pela toada e pela narrativa de fundo.
  11. Inoculated City: mais uma brincadeira para rechear o álbum.
  12. Death Is A Star: uma canção que não entra no contexto da banda. Mas e daí? O álbum está por acabar mesmo…

Bom trabalho?

No contexto

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Technorati Marcas: ,,,

Ouvindo... The Clash: Red Angel Dragnet

Aguardem! Em breve, mais um capítulo de Karta Citina.

 

 

 

Radar Musical: Quinze

Travis - The Man WhoTravis

The Man Who

[Epic/Independiente, estúdio]


 

E depois de uma parte importante da história musical ser decifrada, agora é hora de voltarmos à (a)normalidade repertorial. Travis é uma dessas excentricidades que arriscamos por motivos diversos.

Como já disse, pura e simplesmente, fiz preferência por este álbum pela linda capa feita numa tundra – como pode ser conferido logo acima – e os álbuns do Travis costumam ter esse trabalho bem feito de imgem que nos faz ficar fascinados e adquirí-lo [claro, salvo algumas limitações financeiras].

Mas, como tem aquele detalhe de ouvir os álbuns mais com o PC que no radinho, aquela atenção que deveríamos focar no álbum fica relegada a segundo plano. Longe da ortodoxilidade do rock – até do mais puxado a pop – este álbum tende mais a algo mais suave que propriamente ao Britpop.

Mas conforme o tempo – e isso se demonstra agora, no momento em que eu escrevi essa resenha – percebemos a magia deste álbum.

Setlist

  1. Writing to Reach You: parece Oasis no princípio, todo mundo diz isso, mas e daí? É Travis mandando bem pra aquecer.
  2. The Fear: uma canção padrão do Britpop apesar do diferencial, suave, coesa e limpa.
  3. As You Are: peso e contrapeso gradualmente distribuídos.
  4. Driftwood: faltava algo acústico… Bem em tempo.
  5. The Last Laugh Of The Laughter: feliz, mas melancólico. Pode?
  6. Turn: uma canção para expurgar males, mas… Dentro desse conceito musical?
  7. Why Does It Always Rain On Me?: forte em emocionar. Suave na harmonia.
  8. Luv: a gaita confere um ar bucólico para toda a composição.
  9. Faixa de destaque She’s So Strange: as minúcias desta canção trazem um diferencial de todo o álbum. A atmosfera é envolvente.
  10. Slide Show: mais uma canção acústica dá o tom para o fim do álbum, calma e serena…
    Mas ao fim de uma grande pausa [que poderia comportar uma outra música tranqüilamente], quem insiste em ouvir até o talo, é surpreendido por uma balada forte, Blue Flashing Light.

É rock? É pop? É o quê?

Simplesmente, um bom álbum, na média.

starstarstar e 1/2


 

Technorati Marcas: ,,

 


 

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