Radar Musical: Quatorze

Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band Beatles

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

[EMI/Parlophone, estúdio]


 

Muito tempo antes de sonhar com este valioso arquivo vivo musical de quarenta e seis álbuns, falava-se tanto no álbum supra-citado. Via reportagens diversas fazendo referências a este menino-prodígio, cujo suspeito passado lúcido se concerne ante ao aceitável no mundo da música. Bom… Isso é o que diziam deste álbum aqui descrito. Sim, e daí?

Curiosidade satisfeita, resta então a nós dizer o que este álbum tem como divisor de águas, seja para o Fab Four, seja para a música em geral. A princípio, fala-se na superação musical sobre os Beach Boys – aqueles garotos praieiros – e, sim, sem dúvidas a maturidade musical dos Beatles é evidente, assim como a inventalidade.

Há quem diga que Pepper’s… seja o estopim do movimento progressivo, e talvez estejam certos por uma ou outra canção. Mas ainda há o latente passado de Beatles em muito do álbum.

Novidade? Até aqui não.

Bom… E o psicodelismo? Há sim uns lances meio escabrosos no álbum de pirar o cabeção, mas já houveram outras bandas que superassem essa expectativa em um álbum inteiro. Eles não vieram a fazer isso. Tomorrow Never Knows, do álbum anterior, só tem apelo igualmente alcançável por uma canção solta de George Harrison.

Falamos do álbum. Agora falemos da situação de compra. Era um daqueles dias em que passeava pela bela Cidade da Catenária. E era um álbum caro, numa loja tradicional. Investimento de risco? É certo, mas ainda por cima, fiz a vez de adquirir uma relativa pechincha que chamava a atenção, principalmente, pela sua capa. Poderia falar de ambos os álbuns, mas fiquemos a separá-los pela ordem.

Mas, situações a parte deste que vos falo, o mais divertido é identificar quantos rostos há pelo álbum todo. A menos que alguém diga a você, após riscar seu valioso encarte, quantos rostos se tem ali, você dificilmente consegue contá-los sem contar por mais de uma vez um mesmo. E os detalhes! O colorido…

Setlist

  1. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band: uma boa brincadeira para se começar o álbum.
  2. With A Little Help From My Friends: na certeza, a canção mais linda no conjunto.
  3. Lucy In The Sky With Diamonds: a canção nada-com-nada que causa é um dos mais notáveis princípios da piração.
  4. Faixa de destaque Getting Better: uma das melhores canções para cima que pude ouvir em minha existência, senão a melhor. E ainda tem um apelo psicodélico muito sensacional.
  5. Fixing A Hole: dá vontade de viver no passado…
  6. She’s Leaving Home: para quem diz que Beatles não sabem fazer música barroca clássica, taí a contra-prova.
  7. Being For The Benefit Of Mr. Kite: comparações à parte, o progressivismo-psicodélico desta música é sensacional. Por acaso foi daqui que surgiu A Passion Play do Jethro Tull?
  8. Within You Without You: se você tem alergia a psicodelismo oriental, essa música é a mosca que pousou em sua sopa.
  9. When I’m Sixty Four: Beatles também sabem fazer historinhas de criança…
  10. Lovely Rita: dá vontade de viver no passado II – a missão…
  11. Good Morning Good Morning: notável referência aos tempos de yeah yeah yeah!
  12. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise): a mesma brincadeira, com mais energia musical.
  13. A Day In The Life: E para encerrar, o oráculo do futuro dos Beatles tardios com bastante experimentalismo.

Uma Lenda Sempre Viva?

Fica a critério de cada um.

starstarstarstar e 1/2


 

 


 

Ouvindo... Beatles: With a Little Help from My Friends

 

 

 

 

Radar Musical: Treze

Alice In Chains - Live

Alice In Chains

Live

[Columbia, ao vivo]


Nas minhas primeiras audições de rock, Alice In Chains era uma das bandas que considerava mais viscerais. Mais visceral que isso, acredito que só o Mike Patton, do finado Faith No More. Mas o que me chamou a atenção a essa banda foi uma das músicas presentes nesse álbum. Até onde conhecia, a versão em estúdio de uma música em ocasional tinha um solo inconfundível, inigualável, e que até então, dava nós na veia só de ouvir.

Possa eu estar dizendo isso tudo como fuga do assunto… Talvez sim, talvez não. Após o alegre álbum do Oasis, eu não lembro mais das ocasiões em que adquiri os álbuns que estarão a seguir, tamanha a compulsoriedade de adquirir tudo aquilo que almejava desde os idos de dois mil e dois. Mas saiamos dessa fuga…

O Alice In Chains, com seu vocal tendencioso ao deprimível, mostra-se uma das bandas mais competentes quando o assunto é presença de palco. Isso nenhum grungeiro nega. Todo o conjunto é harmonioso na medida das regularidades das linhas mais pesadas do grunge. E toda a acústica valorizou-se nas quatorze faixas que compõem este álbum, carregadas de expressivas apresentações das lendárias formações que nunca mais voltará em terra – quem conhece a história, sabe.

Setlist

  1. Faixa de destaque Bleed The Freak: início primoroso para o álbum, com todo o poder do baixo de Starr.
  2. Queen of the Rodeo: a mais fiel para o hard rock ou blues, mas que tem suas explosões mais características do grunge mais pesado.
  3. Angry Chair: esta versão é uma das mais instigantes no quesito presença de palco. A presença das cordas é latente. E o medley
  4. Man in the Box: …leva até a clássica e mais cruel canção do conjunto, com aquele solo do qual já havia falado.
  5. Love, Hate, Love: a mais densa em tempo, e portanto, a maior jogada de risco para a seleção. Parece que nunca acaba…
  6. Rooster: a atmosfera da canção contrasta muito bem com a sonoridade do vocal.
  7. Would?: o baixo inconfundível traz uma das versões mais cruas desta outra clássica.
  8. Junkhead: momentos de agressividade e de calmaria tornam dessa esquizofrenia musical uma ótima composição.
  9. Dirt: a sequência das ótimas composições se dá com esta pérola que equilibra todos os seus compostos.
  10. Them Bones: outra fase, outra melodia. E um chute cego que parece ter dado certo, mas só parece…
  11. God Am: os berros do vigoroso vocal fazem da canção ter a equalescência necessária para manter o nível do álbum.
  12. Again: um outro Alice In Chains [calma, é o mesmo…] com uma personalidade díspare, mas que ainda se mantém o mesmo por um elemento indistinguível. Seria este o vocal ou as cordas?
  13. A Little Bitter: uma canção de clamor do sentimento. Esse é o espírito da banda que conhecemos…
  14. Dam That River: o que a derradeira nos reserva? Estruturamente, nenhuma diferença de algumas anteriores. Mas o álbum termina por não cair no conceito, no fim das contas.

Cru o suficiente

Isso é uma afirmação. E, apesar de ser uma coletânea, pelo espírito dos palcos, o produto final ganha um acréscimo.

starstarstarstar e 1/2

 


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Ouvindo... Alice in Chains: Rooster (’93 Live)

  • A prévia de Romeu e Julieta, por discrepâncias de prazos, poderá se compôr de ensaios experimentais nos dias 18, 24 e 25 de novembro, no Espaço Um em Ibiúna, próximo à Anglo e à rodoviária. Ibiunenses e regionados, e pessoas que estiverem de passagem pela cidade, venham pôr suas sugestões em nosso trabalho.
  • Por razões maiores, estarei postando com menos frequência, já a partir de hoje, pelos próximos meses, neste e no 35º Fonema.

 

Radar Musical: Doze

Oasis - Be Here NowOasis

Be Here Now

[Helter Skelter/Epic, estúdio]


Há outras muitas e incontáveis vertentes no rock a serem exploradas. Algumas sugerem preços tão atrativos como esta banda pop alternativa que é o Oasis. Talvez não das melhores [ou das melhores ainda, conforme o ponto de vista] lembranças que tive em minha vida, lembro-me de algumas músicas deles como trilha sonora.

Ah… Boas as épocas em que nós tínhamos rádios a tocar essas pérolas. E isso, ainda falo, numa época em que nem sabia quais eram essas incontáveis ramificações roqueiras.

Pelas palavras do próprio Noel, este é um dos álbuns mais desvalorizáveis da banda… Não entendo o porquê? Tudo bem, não são canções que toquem com a marca inglesa do Oasis, mas o exagero que desvaloriza uma obra, no pior dizer, mediana, permitiu que eu – antes de saber essa opinião – adquirisse essa pequena pechincha [lembra o Charlatans nesse sentido, mas você leitor, se acompanha musicalmente o que falo, perceberá mais semelhanças entre ambas do que possam imaginar].

Setlist

  1. D’You Know What I Mean?: lembra da primeira do Tellin’ Stories do Charlatans? Seria uma amostragem desta aqui, cujo clipe é de assombrar [Oasis com cara de boy band]? Mas, tirando isso, a psicodelia é fenomenal.
  2. Faixa de destaque My Big Mouth: Oasis tem que ser sinônimo de alegria, e esta aqui é sinônimo de Oasis.
  3. Magic Pie: mas também pode ser uma bela e suntuosa melancolia.
  4. Stand By Me: tradicional no quesito de musicalidade do Oasis.
  5. I Hope, I Think, I Know: um investimento não muito original, já que foi um plágio menos favorecido de uma das faixas anteriores.
  6. The Girl In The Dirty Shirt: e o acústico, uma característica da banda, aparece nesta canção sacana e bem bolada.
  7. Fade In-Out: os elementos adicionais fazem desta uma música bem interessante.
  8. Don’t Go Away: mais uma canção melancólica e bela ao estilo tradiconal de levada acústica da banda.
  9. Be Here Now: a leva de teclados cria uma atmosfera divertida, de brincadeira de criança, mesmo.
  10. All Around The World: talvez o alvo das críticas supra-citadas. Será por ser uma música tal que, se existe no Britpop um ramo progressivo, esta é a gênese? Mas é isso que confere beleza à "quase" suíte.
  11. It’s Gettin’ Better (Man!!): uma canção arrasa-quarteirão traz à tona um perfil mais pop da banda. Algo que deixaria os primórdios dos Beatles com inveja…
  12. All Around The World (Reprise): um instrumental monumental fecha o álbum, como uma porta que eles próprios abriram.

Tocou de menos?

Ó, Noel, acho que você está sendo muito exigente… Fique feliz com este álbum que faz melhor que a média!

starstarstarstar


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Ouvindo... Oasis: All Around the World