Causos de Longinqual de Preta Terra

A Misteriosa Andressa Shanya

Em Longinqual há personagens diversos entre a população, além de taxistas formadores de opinião e dirigentes de associações de bochas. São as andressinas, mulheres de cabelos morenos com sorrisos inconfundíveis e que se vestem de uma maneira única. Uma destas, em especial, constitui a lenda viva e patrimônio imaterial da localidade.


Esta pessoa da qual nós falamos é conhecida por Shanya simplesmente. Os pais são pertencentes a uma das famílias que constituiu o povoado minúsculo dos bilhões de habitantes. Mas o que a diferenciava das andressinas – que nem sempre eram as Andressas, mas sim classificações dadas pelos taxistas da cidade para gerir uma árvore genealógica de "estilos de mulheres" – e de qualquer outra classe de mulheres da cidade (existem quinze) era sua inigualável pinta que possuía na lateral do nariz. Algo que lhe conferiu o apelido de bruxa, e toda uma lenda que envolve a pessoa citada nos nossos causos de hoje.

Sendo de uma família de classe média-alta, Shanya em sua juventude era uma dessas jovens que tinha regalias a esbanjar. Seus pais a permitiam coletar tudo que fosse informação do movimento Wicca. Gostava – e gosta – de usar roxo, violeta e derivados bastante contrastantes. Tudo isso está comprovado por fatos e em reportagens, como muitas do Pasquim local.

Ela sempre se relacionou com jovens que também não eram muito ortodoxos [bom… Muitos daqui de Preta Terra não o são mesmo]. Eram headbangers genuínos, proto-emos dos anos oitenta, góticos medianos, jalecos-pretos… Todos relacionamentos efêmeros: o que pudesse durar mais de quatro meses, seria considerado vitorioso.

Isso não seria tão comum se não fosse por um detalhe: os citados jovens, no espaço de ano após o fim dessa relação com Shanya, desapareciam do cotidiano de Longinqual. Estranho isso, pois, se a cidade não oferece desgostos para seus habitantes, então por que haveriam os jovens deixarem a agitada vida de nosso modesto reduto? – afinal, por que acham que somos bilhões?

Aí é que começam as lendas. O apelido de nossa amiga esbelta é Bruxa. Isso pelo fato de encontrarem um corpo irreconhecível carbonizado na região controversa das aparições de OVNIs, próximo ao distrito industrial e à usina de força. Pela idade, pelo porte, julgam ser um desses jovens que tiveram relacionamento com a jovem.

Hoje, após o abafo dos tempos, a pequena Shanya, hoje não tão pequena, não menos adepta ao Wicca, continua a ser o assunto do momento por vezes ou outras, quando arranja um novo relacionamento. Sobre o que ela passou a ter com uma personagem conhecido nosso, o Sr. Sândalo, vulgo Eurís, os comentários dos taxistas:

– Sabe a Bruxa, Mastodonte? Namora agora aquele carinha empresário e tecelão da cidade… Pobres dois últimos anos da vida dele…

– Tecelão? Empresário? Ah, aqui há somente um, e este bem que merece ter essa urucubaca como fim.

Não só o desaparecimento dos namorados não bem-sucedidos na relação conta para a lenda viva. Dizem muitos moradores ouvirem risos maquiavélicos ecoando das regiões sul do local, em dias de reuniões de baladas góticas na cidade – coisas comuns aqui – e alguns até juram ver um vulto percorrer o céu em noites limpas de lua cheia.

Meda!


Confira sobre as eleições municipais em Ibiúna no Brejo do Sapinho.

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Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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