Desabafo

Percepção Entalada Na Garganta


Não dá mais! Chega!!

Pensava por muito tempo que esta minha idéia estava errada, que era cruel, mas o tempo mostra – e localidades diferentes – que isso foi um grande engano que quis imputar em minha cabeça.

Antes de resumir essa idéia que, ao ritmo do absurdo, chega a ser um preconceito, mas na verdade não o seria, em três ou quatro termos, quero apresentar uma exposição do que é este meu manifesto antes que qualquer leitor julgue-se aturdido por tais comentários.

O que me faz indignado não são as pessoas que o fazem, mas o comportamento em si. As pessoas mudam. Os comportamentos perduram ao passo do "vi, então farei igual".

São atitudes de descaso com o público espaço alheio, com o desrespeito à vida, o ato de ferir o bom senso. E isso, temporariamente, impregna em certos momentos na vida das pessoas, quaisquer sejam suas origens e suas casualidades.

[Posso inclusive incluir-me a mim mesmo como um destes corrompidos.] Mas, o que enfim, caracteriza um demérito entre as pessoas?

Há muito venho eu, seja em pessoa física ou artística, falando de política. Perjuramos o cenário político nacional, denigrimos nossa confiança no poder público, mas na época de eleição, ficamos babando nas carreatas, esmolando cargos públicos através de brechas inconsistentes, querendo um quinhão de facilidades para ingressar na vida pública, somente para coçar as partes baixas numa assessoria de gabinete.

É muito triste algo assim…

E consideremos que a juventude se corrompe através do contato a cada dia mais acruado com a realidade do mundo adulto. É admissível ver uma criança de pouco mais de cinco anos destratando alguém de respeitabilidade em seu convívio, e este não pode sequer conferir uma boa réplica de cunho educativo pois isso pode caracterizar destrato ao menor, se este sentir-se ofendido por ter sido chamado à atenção daquilo que faz simplesmente? E o pior: os pais destes sequer sentirem peso na consciência por verem que os seus rebentos não possuem bom senso de dirigir conceitos de moral cívica ao coletivo, para os filhos do Brasil?

Não vamos defender, obviamente, uma infância regrada na alienação comportamental. Mas o que se vê hoje em dia próximo aos centros urbanos é lastimável…

E, atingindo todas as idades, origens financeiras e outras variantes sociais, quantos de nós, arduosos expectadores de um país da verdadeira produtividade humanista, não vemos pessoas que fazem de seus atos de importunação comunitária verdadeiros prejuízos ao bem-estar de famílias subjugadas. Som automotivo além dos limites, incômodos berros em portas de bar, lavação de roupa suja em espaço público, ocupação de espaço de trânsito de qualquer espécie… São alguns exemplos amargamente presenciados pelos meus insignificantes vinte e um anos decorridos, que, não muito dizer, podem também incomodar o leitor que se identifica com estes relatos.

E isso não é o maior problema. O verdadeiro problema é o indivíduo que não contribui para uma boa convivência coletiva achar nobre, bonito, charmoso prosseguir com os mesmos arcaicos atos que receberão a designação no momento oportuno. E perpetuam, desde pequenos atos como fazer de sua cidade inteira sua lixeira particular, chutar o pára-lamas do carro que arranhou a caríssima pintura de seu novo carro, a promoverem verdadeiras guerras ideológicas com pessoas que pouco se intrometem em suas vidas.

E são demeritosas atitudes, infelizmente ditas como típicas da cultura do brasileiro, que alimentam aforismos como "odeio ser brasileiro", "ser do Brasil é uma vergonha", "brasileiro é simplesmente Carnaval, cervejinha, pagodinho e futebol" e textos diversos como um, falsamente atribuído ao Arnaldo Jabor, que apesar de mais cruel que tudo o que já foi citado até aqui, faz-se valer por atos anti-comunitários de muitas pessoas que precisam receber puxões de orelha do já dito bom senso.

Bom… Se você se sentiu bombardeado por isso, espero me redimir falando que não foi sobre você, mas sobre o que você aprendeu a fazer de errado. E que, principalmente, pode ser corrigido. Afinal [segue-se uma das menos honrosas e mais toscas e horrendas máximas que eu poderia propor]:

Antes de se fazer uma guerra, declare-a. Do contrário, é um ato covarde.

Enfim, posso dizer que tudo o que acabei de citar não tem a ver com classe social – tem muito grã-fininho que não se faz um militante do bom senso – nem com crença ou qualquer outra coisa que possa caracterizar preconceito. Não existe fórmula pronta, ou regra teórica a definir quem conturba a ordem social, seja criança, adolescente, adulto, mulher ou idoso. E que deva ser corrigido, não por base da ignorância, mas pela base da admoestação realista e dura, firme como exige ser.

Depois desse longo manifesto, tenho a consciência que irei comprar muitos desgostosos por mim. Paciência… Mas não posso mais esconder.

Detesto pessoas com pobreza de espírito!



Ouvindo... Nirvana: Lithium

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

Um comentário em “Desabafo

  1. Olha, podes ganhar desgostosos, mas também pode ganhar amigos e pessoas que concordem contigo. Sou um destes.O egoísmo que é ensinado e incentivado pelas leis é imenso, vivemos num mundo onde uma pessoa pode colocar som alto prejudicando e incomodanto toda uma vizinhança, e se vamos reclamar a lei entra em favor do infrator.Pais orgulham-se de ver seus filhos levando vantagem, sendo espertos, enganando os amiguinhos. E odeiam quando pessoas conscientes tentam lhes abrir os olhos, mostrando o mal que estão fazendo aos filhos.Bom, a estas pessoas, meus pêsames. Aos outros, conscientes e lutadores para serem pessoas melhores, meus parabéns!!!!

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