Radar Musical: Dois

System of a Down - ToxicitySystem of a Down

Toxicity

[American/Columbia, estúdio]


Este aqui já foi um presente muito especial, e a ocasião nunca estarei por esquecer: era semana santa, eu havia contraído uma gripe das horríveis, daquelas de doer o corpo. E por algum motivo não justificado, fui ouvir daqueles antigos trambolhos de walkman na calçada – os que davam para tocar fitas de áudio – , em frente ao antiquíssimo lar que vivia na Cidade da Catenária. Eis que, ouvindo o finado programa Hora dos Perdidos da finada Rádio Rock de São Paulo, em meio a chiados de interferências, venho reconhecer a sujeita missiva que mando a eles sendo lida e eu tendo direito ao prêmio. Alegria na certa, apesar das dores de músculos. Daí, foi só contatá-los, e semanas seguintes, recolher meu presente de Páscoa.

Divertir-se com CDs ainda era tarefa do aparelho de som, eu já gravava parcamente minhas MP3 diretamente do rádio. E sentir todo o feeling do álbum era como imergir num campo de inigualável fúria de protesto por todo o caminhar da música.

Saber se o SOAD – carinhosamente chamado – era uma banda de Nü-Metal, gênero em voga desde os tempos de Faith No More e Korn, é discussão que poucos devam tentar fazer. O álbum, relativamente curto, com pegada muito Metal, como possamos chamá-lo, e com rapidez de Punk, é um convite à reflexão social, à reflexão pessoal e em tom menos nobre, de esculacho ao próprio ser humano, por parte das composições de Daron. Decerto, os acertos de protesto de Serj vigoram neste um dos melhor álbuns que já ouvi desde então.

Setlist

  1. Prison Song: protesto em música, mas já joga todo um elemento de agressividade imediatamente no início. Será que isso não prejudica todo o corrimento do álbum? Veremos…
  2. Needles: nada mais que uma musiquinha só para irritar os ouvidos mais sisudos e conservadores.
  3. Deer Dance: a música é show, principalmente com seu lance de altos e baixos. Representa bem o álbum.
  4. Jet Pilot: contrabalanço punk. Mas a essência da letra fica na média. Após ouvir muitas vezes, você não a acha tão pesada, de tão barulhenta que acaba ficando.
  5. X: que é isso? Controle de natalidade em um país superpopuloso? Pelo jeito, para dar sentido a tanto vazio, deva ser isso…
  6. Chop Suey!: depois de tanto protesto e expurgo de males [com mais males?] vem uma melodia para fazer-nos acender isqueiros e bater-cabeça ao mesmo tempo.
  7. Bounce: talvez uma das jogadas mais furadas no álbum. E ainda fala do velho cinco-contra-um…
  8. Faixa em destaque Forest: uma daquelas que mostra todo um bom trabalho de álbum. Compensam muito o conteúdo. Não fazem feio e ainda tem uma levada angustiante a la Korn.
  9. ATWA: você pensa que ela é um quebra-gelo, mas se surpreende totalmente com o resultado. Uma das melhores.
  10. Science: mais uma vez, um bom trabalho de politização em forma de música, mas parece que o groove aqui está se tornando repetitivo.
  11. Shimmy: aqui é um pequeno alívio no álbum, será que tudo irá desmoronar aqui?
  12. Toxicity: esta aqui responde a pergunta anterior: não! A faixa-título conta muitos pontos em todo o contexto do álbum que já foi relatado.
  13. Psycho: sonho psicodélico quadrado da nova geração? Não, é só mais uma com o mesmo peso. E os ritmos da música nada mais fazem que variar. A fórmula está ficando muito desgastada, mas…
  14. Aerials: o instrumental diferenciado nesta aqui confere mais uma vez aquele clima de que o mundo irá se despedaçar. E quando você pensa que tudo acabou, vem ainda uma palhinha de música folclórica.

Pegou pesado?

No primeiro momento surpreende, mas com o tempo, você acha tudo ainda tão leve…

starstarstarstar e 1/2

 


 


Ouvindo... System of a Down: Deer Dance

 

 

 

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