Política S. A.

Fazer política no Brasil é o mesmo que anunciar um simples produto? Onde estão os direitos do consumidor, caso esse produto apresente algum defeito? Existirá mudança significativa no Brasil enquanto fazer política for sinônimo de propaganda?


A cada dois anos, nos deparamos com a mesma situação: após as convenções partidárias e os lançamentos dos pré-candidatos e da aprovação dos mais ditos competentes, são panfletos, carreatas, showmícios, muita festividade e pouca postura de discursos vazios e falta de abertura de um canal com os almejados eleitores. Assim é a política nacional, que com este comportamento, por mais que se tente, nenhuma campanha de Justiça Eleitoral consiga levantar sua combalida moral.

Por muitos momentos, fica difícil definir quando a candidatura de qualquer candidato seja, na verdade, uma exibição pública de material audiovisual para promover seus autores. Procura-se ganhar o eleitor através de melodias de fácil assimilação, discursos há muito polidos e o uso de pessoas ilustres promovendo a candidatura e utilizando-se de sua influência midiática. Além de dispersar a linha que a política deve se ater a não interfirir em outros segmentos sociais, mostra um injusto distanciamento econômico de quem possa promover-se mais com quem pouco possa contar com esse fator.

O maior momento de ignorância aos valores da política é quando o candidato promove um comício em forma de show. O apelo ao voto, num evento mal preparado, através do uso indiscriminado de personalidades e da economia da participação popular em sugestões mostra um candidato exasperado a se fixar no poder público. Além disso, demandar mão-de-obra para sustentar comícios-show ou qualquer outra forma de promoção eleitoral mostra mais uma vez a política como moeda de troca para assalariar, nem que seja por um momento, pessoas que não necessariamente desejariam votar em tal candidato. O apoio ao mesmo deve partir por iniciativa própria, sem qualquer escambo.

Em qualquer amplitude gestora de nossa nação, é importante que cada candidato atente às justas demandas de sua região, mas sem jamais esquecer-se de um todo, caso eleito. Promover em demasiado a melhoria de apenas uma região em detrimento de outras mostra a clara incapacidade de gestão, bem como denota o claro interesse de uma futura reeleição obtendo o apreço de uma parcela da população, seja ela aquela que lhe apraz por ser dos seus, ou aquela que não tenha o poder de observar e criticar a falta de ação pelos outros, ou aquela de fácil manipulação ideológica.

Experiências em outros países mostram que o uso dos meios de comunicação corretos e do debate, não para promover candidatos, mas sim propostas, pois os candidatos são a ponte executiva para as ações, são as que melhor rendem resultados para um voto mais consciente. Mas para que isso seja possível, alguém de boa fé deve tomar a iniciativa para que a política torne-se um centro de análise de propostas de melhora social, e não uma disputa por uma cadeira no executivo ou legislativo. Do contrário, os eleitores continuarão a votar, obrigatoriamente, no candidato "menos pior".



Ouvindo... Spagga, Prieto, Valdes, y Junito Blade: Mucho Money (PerreoRadio.com

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

2 comentários em “Política S. A.

  1. Sim, o candidato “menos pior” é o que, aparentemente, vai ser o escolhido para os nossos votos…E assim, mais uma vez, a gente se manifesta em apenas palavras, e atos pequenos…é, meu caro, um dia tudo mudaé só mudar de canal…

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  2. Ola, realmente votar no “menor pior” é “pá cabá”, no popular.Sempre abominei tal postura, não é nada construtiva.Se tiver interesse, veja o que penso a respeito do sistema eleitoral, e como considero que seria muito legal um sistema onde verdadeiramente participaríamos.

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Comentários encerrados.

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