As Pupilas do Senhor Reitor

Escrito por Júlio Dinis


José das Dornas possuía dois filhos: Pedro e Daniel. O primeiro, devotado às atividades campestres. O segundo… Bem… O segundo um pouco "estouvado", como o diria seu pai até o fim da obra. Com inclinações a estudos, o reitor, antigo pároco local, sugere ao pai ingressar o pequeno Daniel ao estudo eclesiástico. Já passado algum tempo, o gradualmente menos dedicado aos estudos Daniel se vê às paixões infantis com Guida dos Meadas, e o reitor os surpreende nesse inocente incidente – e é surpreendido também. Intrigado, sugere ao pai que faça o pequeno estudar em Porto, sugestivamente Medicina.

Dez anos após, volta Daniel formado como médico homeopata – uma função que assusta a muitos: a João Semana, cirurgião local, e inclusive a João da Esquina, que até hoje não sabemos se tomou o seu Arsênico (…) – e regrado a folguedos de urbanóides, esquecendo-se da vida do campo e de sua consideração afável por Margarida. Nesse meio tempo, Pedro ajusta sua vida a viver a dois com Clara, irmã por parte de pai de Margarida dos Meadas, e esta Clara dá corda aos gracejos de Daniel, sem saber ao certo seu passado com sua irmã Guida, nem pensar em possíveis conseqüências do desastre.

Vendo que a situação ficava horrível a seu lado, Daniel procurava remediar, sem querer da pior maneira que a anterior, o indesejável ocorrido. E o reitor, sabido das coisas, consegue solucionar todos os problemas existentes para não surgir tragédias na vida de suas pupilas e na família do das Dornas.

Como isso acontece? E que fim leva? Como sempre, recomendo a leitura.

Qual o diferencial?

Embora se trate de um romance, e tenha muita propensão em ter um formato que, se o escritor fosse dos tempos de hoje, poderíamos jurar que foi escrito sob medida para telenovelas, Pupilas rende um fator muito interessante [isso não só eu que falo]: não há pessoas inferindo empecilhos para a felicidade das partes principais – Pedro e Clara, Daniel e Guida -, mas apenas costumes e sentimentos agem como verdadeiros antagonistas da naturalidade das ocasiões. Estruturalemnte falando, o livro rechea um toque de humor em algumas parcelas dos núcleos não envolvidos diretamente na trama central, e em concepção, não é um livro que exalta a filosofia do "quanto mais se ama, mais coitado seja", mas sem cair em uma neutralidade dos romances costumeiros dos dias de hoje, fazendo análises mais realísticas dos sentimentos humanos – notadamente em Guida – e utilizando-se livremente da linha do tempo para engessar a história na literatura lusógrafa.

Avaliação

Por fazer melhor que a média.

starstarstar e 1/2


Ouvindo... Led Zeppelin: You Shook Me

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