A Função Analítica do Teatro

O Teatro Como Instrumento De Modificação Social

[Sugestão de Suzane Gonçalez]


Maçã VermelhaInterpretar? Seria apenas uma questão em que nos colocamos à situação de quem não somos e falamos textos que não necessariamente refletem nossa opinião?

Eu, em minha personalidade puramente artística [vedo que isto não é uma dissertação] contesto com a questão da superficialidade no teatro, como muitos que o fazem, sejam eles os que fazem a diferença no meio em que trabalham ou aqueles que buscam ter o "algo a mais" em seu trabalho.

Falo por "aqueles que buscam ter" pelas pessoas que iniciam teatro, assim como o vosso estimado escritor que vos fala. Isso porque, a primeiro momento, quando ingressamos nessa esfera da interpretação, pouco sabemos do papel transformador que nos é incumbido. Bom… Assim como outras carreiras, em específico relativas às Humanas, o que não faz da arte de interpretar fonte exclusiva desse instrumento.

Uma coisa, sim, é argumentar tudo o que aqui deixamos explícito. Outra é estarmos a meio metro sobre a primeira fileira, para amplitude visual a cem metros do palco; e reverberar a voz para esclarecimento auditivo do espectador desprovido de boa audição, arredio, lá na última – e desprivilegiada – fileira. Jogo de respiração, elucidação da interpretação e do diálogo, tensão corporal, velocidade, expressão facial, domínio do personagem, compõem todo o arcabouço para se montar o personagem propriamente dito. Mas muitos dos profissionais buscam o "algo mais" sobre tantos conceitos empíricos. Algo que supere expectativas do leigo e da crítica. Uma equiparativo a nomes de anos passados e vindouros. Uma impressão na história. Uma promoção da obra do dramaturgo. Promoção financeira…

Diante de tantos fatores evidentes, pró-arte, ou a favor do produto de consumo, fica o ator, principal intermédio entre todo esse culturoespaço, hesitante em seu verdadeiro valor.

Sim, não podemos cobrar de um ator que ele saiba discutir as minúcias de projetos constitucionais da União Africana em um drama de Nelson Rodrigues, se não há referências cruzadas a serem exploradas [consideremos que há também atores-mirins em espetáculos de grande envergadura. É desumano submetê-lo a um golpe de informação que ele não possa deglutir com senso crítico], nem a questão do Biodiesel numa tragédia Shakespeariana… Tudo bem, pode-se sim fazer tudo isso, mas para isso serve as adaptações, mas a primeiro ver, é empresa difícil conciliar assuntos tão díspares.

Mas que acréscimo um personagem fará ao ator para que ele se situe em cena em sua função de transformador? Aí que encontra-se o ponto-chave… Diga-se de passagem que há ene casos para tal detalhe. Uma peça que versa sobre drogas, como garantir que em uma mostra da realidade tal como ela seja, não criemos propensos grandes traficantes que se sentem encorajados por encenações que versam a ascensão de maus seletos pelo declínio da saúde e vida de centenas? Eis aí que mora a ética das peças de teatro [e em uma outra oportunidade, já havia dito sobre essa ética no teatro].

Abrandando tais efusividades, como designamos o formato de interpretação que vemos em veículos transmissores audiovisuais como televisão e internet, que muitas vezes possam não prezar a verdadeira essência da mensagem, por não atribuir uma marca diferencial em um papel em específico numa novela, ou pelo mesmo versar por um padrão totalmente disforme do real? Atores interpretando a si mesmo, o tempo todo? Rebaixar seu talento pela imposição do meio midiático, ou engrandecer seu ego por total identificação com proposta do papel?

O ator, como sujeito de sua participação, ou no estilo "faço apenas o que o diretor manda"? A diferença é tênue, e somando-se as lendas urbanas que ser um ator gera represas de dinheiro, faz da arte cênica um campo místico e mítico no mundo das manifestações artísticas.

Só poderemos saber que os nossos atuais e futuros atores amadores e aspirantes a profissionais estarão no caminho certo quando seu foco não for receber papel de destaque na novela de maior audiência, e disso não desejar superar. Os atores mais bem-sucedidos, mostra a experiência, sempre tem o contato constante com o teatro, onde toda a sua essência pode ser posta à prova, sem cortes, edições ou truques.


Obrigado, Su, pela sugestão.

Ouvindo... Coldplay: Your Love Means Everything

 
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