O Acaso da Banda Larga (Ou de Sua Falta)

O estado de São Paulo viveu seu dia do passado, onde mãos tiveram que ser postas à prova para escrever, e teve uma noção da ausência de uma já banalizada tecnologia: o acesso dedicado à internet.

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Fonte: 2008 Technology/Wordpress São Paulo é um estado sem igual no cenário nacional, seja por toda a confluência de pessoas que nele aportam, os investimentos que nele recaem e os insumos que provêm. Neste cenário invencível, invulnerável da brasileira economia, qualquer fator fora do alcance de qualquer um é crucial para que prejuízos sejam contabilizados e alcancem cifras e zeros nunca antes imaginados. Em todos os segmentos sociais e em tão minúsculo espaço de tempo. Assim foi São Paulo, nesta semana, com a interrupção dos sistemas que proveem acesso à internet de média e alta velocidade.

Soma-se a isso a predominância de uma empresa e direitos de exclusividade com serviços essenciais, e percebemos o quanto a vida de um cidadão médio ficou sujeita a essa tecnologia e como sua vida pode ser complicada com intempéries desse gênero. Quanto mais envolvido com atividades cada vez mais ligadas a captação de dinheiro e dependentes de transações não-físicas, os prejuízos tornam-se mais agravantes. Fora o descontentamento – às vezes, inútil – de usuários finais, que realizam tarefas de menor respaldo econômico neste meio tão intrínseco nosso chamado internet.

Ao ver o quanto algo semelhante pode acontecer, a qualquer momento, por diversos fatores, voluntários ou não por engenheiros, técnicos de telecomunicações, ou burladores de sistemas – os famosos crackers – e sabotadores, pende uma questão: houve uma falta de divulgação de meios alternativos de acesso? Falta de incentivo à livre concorrência, ou da promoção de escolha de operadora destes serviços, equalizando o quinhão de cada operadora nestes segmentos? Investimentos em sistemas secundários que podem prover o mesmo suporte a mesma quantidade de tráfego, ou ao menos os mais essenciais? Qualificação dos profissionais de diagnóstico, para que possam sanar o problema sem prejudicar o conjunto como um todo?

Questões assim permeiam todos os serviços em todos os segmentos do comércio e serviços, mas em se tratando de telecomunicações, contamos com o fator da pluralidade de seus usuários. Quantos negócios deixaram de ser fechados oportunamente no momento certo? Quantas correspondências eletrônicas de teor incontestável não puderam ser lidas em prazo hábil? Quantos pagamentos não puderam ser efetuados, seja empresas, funcionários, com cedentes inadimplentes ou não? Mais que os prejuízos materiais, consideremos os prejuízos semânticos e culturais incontabilizáveis.

Como princípio, uma operadora desse porte, ao procurar iniciar suas atividades em um ramo tão sensível como este deve estar ciente da sua responsabilidade crescente, proporcional à sua expansão de área de cobertura, prever falhas sob todos os ângulos e, em primeiro lugar, carregar para si toda a responsabilidade por eventuais falhas, exonerando toda a sua clientela afetada por todos os seus serviços prestados de forma inadequada. Porque, como dizia o antigo ditado, "o cliente, portador de uma justificativa plausível, sempre tem razão".


Ouvindo... Andy Boy: Cuando Sueo (R a d i o R e g g a e t o n : Pegajosa.com

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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