Minha Obra-Prima

Sobre O Possante Suco de Tangerina


Finalmente dedico um breve momento para falar do meu livro, ao qual aqui foi publicado na forma de folhetim (embora poucas pessoas tenham conhecido o seu final) e deixar como que um informe à imprensa, caso, futuramente venha a publicá-lo, coisa que não planejava no princípio, quando a história tinha as proporções de um desabafo ao qual irei deixar claro neste momento.

Há alguns anos, me deparava com certas idéias literárias. Um projeto abortado do meu tempo de infância – Entre o Vento e a Vida -, resultou em um capítulo muito descritivo e pouco de ação. Não tinha um teor de livro, uma história definida. Caiu pelo esquecimento.

Embora minha preferência declarada seja por áreas de exatas, não descarto minha intimidade com as humanas, em especial as ciências das letras. Compreendi, já muito cedo, a básica estrutura da linguagem (sujeito-verbo-complemento) e daí, para interpretar e criar estruturas mais ricas, foram necessários alguns anos e o contato com todas essas ferramentas linguísticas.

Em meados da segunda fase do ensino fundamental, passamos a ter contato com elementos de proposição de dissertações e crônicas. Por muitos anos a seguir, fui elogiado pelos trabalhos irreverentes escritos que fazia. Uma das minhas maiores referências talvez seja a coluna jornalística do Veríssimo. Assim foi até o penúltimo ano do ensino médio.

Neste crucial último ano de escola regular, as coisas se mostraram diferentes. Somava-se a esse tempo aulas direcionadas de língua portuguesa em curso suplementar. Ali fui apresentado oficialmente ao gênero da dissertação argumentativa, e não à crônica dissertativa, como fazia aos anos anteriores. Embora a estrutura visual, estética, linguiística e ideológica transmitida fosse muito limitante, consegui conciliar o meu estilo aos padrões exigidos para concurso. O que rendeu-me bom desempenho no ENEM 2004 e o ingresso em um faculdade – para um curso de Matemática.

Voltando aos sonhos, num dado dia de agosto de 2005, veio-me uma distopia à mente, que vez por outra, surgem em mente. Dado que a digitalização das informações e a disponibilização na internet de informações públicas e particulares das pessoas (redes sociais, discos virtuais), o rastreamento de aparelhos plugados em rede, bancos de dados geográficos torna a vida de uma pessoa calculável por mãos muitas vezes maléficas? E se, num futuro próximo, houvessem físicos quânticos que descobrissem como operar as mônadas, e um destes soubesse manipular uma a ponto de ocasionar um novo Big-Bang? Essa foi a idéia principal à qual geraria um projeto adormecido de ficção chamado A Nona Revelação. Houveram colegas que visualizaram a possibilidade, e porque não, o sucesso desta empreitada literária. Mas houve um fenômeno de ordem pessoal que inviabilizou até mesmo em pensar no início deste projeto.

Esse fenômeno atrasou em alguns poucos meses muitas coisas em que planejava fazer na vida, mas ofereceu experiência o suficiente para propor uma não inédita, mas consistente história de um fato cotidiano que poderia ocorrer com qualquer um.

 O Possante… não é exatamente o que ocorreu comigo, mas elucida um monte de fatores questionáveis em nossa sociedade. Como podemos garantir a certeza da insanidade dos nossos pacientes em tratamento ou internados no mundo? Sabemos, por acaso, diagnosticar sem erro qual disfunção psíquica certa pessoa possui? Sabemos decifrar como ela chegou àquele estado? E, prinicipalmente, sabemos conduzir um método de mehlora eficaz?

Minha vida também foi modificada graças a um diagnóstico errôneo em um primeiro momento. Instituições mundiais de saúde, às vezes, podem estar exagerando ao declarar que por exemplo mudanças drásticas de humor constituem disfunção a ser tratada. Não há mais diferença de idade, sexo, condição social, ambiente exposto ou outros fatores que distinguam simples pessoas que vivem cercadas de compromissos diversos e enfrentem situações das quais não podem ser indiferentes.

Sendo assim, qual é o estágio saudável mental do homem? Qualquer desencadeador, por minúsculo que seja, tem que ser combatido por métodos invasivos como remédios? E, porventura, estes não sejam capazes de afixar tal estado que combatem? Há outras terapias não invasivas, que podem surtir efeitos melhores ainda?

Sim, sabemos que há casos claros que devem ser tratados e considerados como tal… Mas serão todos eles?

Não devemos nos esquecer que há narcóticos, sim, podendo causar coisas semelhantes. O livro escrito por mim não ilustra uma situação vivida por mim pelo contato com substâncias invasivas – não até o primeiro diagnóstico hipotético -, mas ilustra, também, o contato com um mundo, no mínimo, imaginável porém pouco descritível, de quem, voluntariamente ou não, entra em contato com uma realidade que não lhe cerca.

Entender a mente de um acometido por indesejável situação é a principal mensagem que desejo transmitir nesta minha obra. Por sorte, como não presenciei alucinações ou coisas do gênero, mas questionei-me se alguma vez já o tinha feito, decidi transcrever em um livro como seria uma possível realidade de um paciente. Muitas vezes, algo banal para nossa sana compreensão ganha status de instigante, e as vezes aterrorizante para um sujeito acometido por qualquer disfunção psíquica. Sua mente pode delinear inúmeras possibilidades para uma questão, a partir de padrões incomuns. Talvez sejam estes princípios a causa fundamental da diferenciação – e às vezes, da discriminação – deles conosco.

Ficaria, então, um alerta aos profissionais de saúde, em pensarem menos em tratamentos de interrupção de crises e mais em um trabalho cognitivo de readequação dos princípios lógicos que a pessoa adotou ou deixou de adotar. Procurar delinear a mecânica do pensamento do paciente. Indicar o caminho para que, mesmo limitado a seu comportamento diferenciado, o sujeito possa resolver situações-problema sem pôr qualquer um em risco e que obtenha os mesmos resultados dos que – ainda – são considerados sanos.

Essa é a mensagem oculta, ao qual tentei expressar nas palavras do livro, às quais pouco foram modificadas desde a publicação do epílogo até a sua primeira revisão.

Agora, burocraticamente, o livro encontra-se na fase de captação de recursos e apresentação e promoção em editoras. Aos estimados amigos, toda a sorte para que este não seja apenas um livro inspirado em elementos como "Uma Mente Brilhante", uma boa fonte para compor meu personagem principal, mas que seja um recado para toda a sociedade neste quesito tão tênue e ambíguo que é a saúde mental.

Aguardem por novidades.


Ouvindo... Baby Rasta / Gringlo: Desnuda (R a d i o R e g g a e t o n : Pegajosa.com

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