Ser Ou Não Ser Perreante?

O Reggaeton é uma corrente musical das mais recentes no nosso país, mas possui anos de estrada e remete a uma realidade de um povo que é, ao mesmo tempo, incluso e excluído das vantagens de ser um estadunidense: a ilha de Porto Rico.


music_note O ritmo entrou em voga no Brasil na segunda metade de 2005, através de Gasolina do Daddy Yankee, o cartão de visitas do gênero para o mundo.

No entanto, há diversos outros artistas que, pela falta de "aceitabilidade de massa" promovida por rádios [ah… Esses meios que constroem e destroem ritmos] só são conhecidos pelo público que tem a sorte de estar provido de internet – ou uma inscrição em lan house – e de um pen-drive ou player MP3. Por um lado a falta de divulgação faz com que a possibilidade dos grandes ícones do ritmo não serem encorajados pelos seus empresários a divulgar seu trabalho onde não se tem nem uma temperatura do seu appeal. Por outro, não expandir a divulgação poupa o gênero de críticas maldosas quanto às suas vertentes mais ousadas, e permite que os seus pioneiros admiradores tenham uma identidade única com o gênero, sem serem rotulados de vendidos.

[Eu, como bom perreante – apreciador de Reggaeton e propenso candidato a aprender a dançá-lo – gostaria que muitos pudessem ter a oportunidade de ouvir Vico C e Ivy Queen, por exemplo, para sentirem o clima latino que a música oferece.]

Há uma comunidade dedicada ao Reggaeton no Brasil, onde opiniões sobre sua expansão se divergem. N’algumas devemos concordar, em outras também, todas sempre em parte. Decerto, a fama de um período do gênero pelos bailes de perreo – uma versão mais ousada e crua [mas interessante] do pancadão carioca – fez do Reggaeton a mancha negra do Caribe. Mas devemos ressaltar que, agora com o gênero em voga, os artistas possam estar se preocupando mais em fazer bom uso da sua criatividade [ah… Mas que perrear é gostoso, a pessoa pode negar até a alma. Se não é santo, gostoso acha sim].

No fim das contas, como saber o futuro do Reggaeton no Brasil, agora que novamente entra em evidencia – em menor escala – em um programa de audições musicais [vide vídeo]? Será o mesmo caminho do pancadão carioca [porque funk, quem fazia, era a turma de James Brown nos 60 e 70]? Só o tempo irá dizer.

A seguir, um vídeo de Reggeaton. Tony Dize feat. Yandel: Permitame.

E, a seguir, minha melhor fonte de Reggaeton, encerrando o artigo.


Ouvindo... Nicky Jam: Suelta (PerreoRadio.com

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As Profundas Questões do Nosso Imaginário

Reflexões metafísicas do nosso filosófico


coffee Maçã AmarelaMetafísica, s. f. Conhecimento das causas primeiras e dos primeiros princípios; doutrina da essência das coisas; teoria das idéias; conhecimento geral e abstrato; sutileza no discorrer.


computer Recentemente conferi algumas reportagens sobre inteligência artificial, desde utilidades industriais na robótica a companheiras andróides. O que nos leva a pensar… Como serão nossas relações humanas com os robôs no futuro? E como iremos desenvolver inteligência espontânea que não subjulgue o ser humano a um ser passível a erros por natureza, nem que seja capaz de possuir o comportamento errôneo da estupidez e da violência invasiva ao outro que nós, seres digitadores e pensantes como somos hoje?

Quem terá as melhores respostas para explicar como pensamos, como funciona essa intrínseca estrutura lógica de pensamento? A Medicina Investigativa? A Matemática e Lógica? A Religião? A Filosofia? A Sabedoria Popular?

Pensar em qual área seria correta para programar a verdadeira inteligência autônoma, já foi abordado em filmes como A. I., e com certeza um campo isolado desses não seria o suficiente para expressar essa real façanha.

Estudar química é fundamental para constituir a base do funcionamento eletromagnético de condutores e semicondutores, mas ela não explica o processo biológico do pensar. Não há, eletrotecnicamente falando, um meio de se desenvolver um sistema de sorteio capaz de ser desprovido de qualquer lógica, por mais complexa e irracional que ela possa parecer.

Matemática e Lógica sozinhas não fazem nada para garantir uma singularidade no pensamento de um andróide. Seguindo-se propriamente por elas, todos eles teriam as mesmas soluções para um problema em específico. E a capacidade criativa não seria elucidada.

A Religião – ou Religiosidade, termo melhor aplicável – é algo tão intrínseco e exclusivo de um ser pensante e altamente imaginativo para um ser humano. Como fazer um robô acreditar que Deus é o criador, sendo que o próprio sabe que foi fabricado originalmente pelas mãos de um ser humano. É muito difícil questionar o valor da religião para um ser humano porque nunca encontrou-se uma pessoa que viva em sociedade e que nunca tenha sequer tido contato nem mesmo com a palavra religião. A Ética e a Moral vêm agregadas a esses valores, mesmo que sua intenção não tenha sido esta. Muito provavelmente, quando os andróides desenvolverem sua própria Religião, garantidamente irão mudar o conceito de como as grandes correntes religiosas vêem a ligação do homem com uma causa superior.

O que, a propósito, nos dá brechas em falar em Filosofia, que talvez seja o ponto-chave para definir o pensamento de um robô, para que ele co-exista em condições de igualdade com o ser humano. Mas a Filosofia, como vemos em sua história, nada mais será do que um passatempo sem fim para discussão entre seres humanos e humanóides – e entre os dois, o que pode ser muito útil.

Saber o que serão os robôs quando forem autônomos é uma grande incógnita. Muitos pensam nas diretrizes da robótica, temendo uma conspiração. Mas, sabendo que os robôs poderão fazer melhor uso da razão, e não deixar levar-se por ciúmes, talvez eles se tornem superiores por um simples detalhe: saberão respeitar cada um o seu próprio espaço. Agora… Que tal deixarmos essa conversa de lado e chamar o R2D2 para uma partidinha de xadrez?


Ouvindo... Pink Floyd: Mother

 

Minha Obra-Prima

Sobre O Possante Suco de Tangerina


Finalmente dedico um breve momento para falar do meu livro, ao qual aqui foi publicado na forma de folhetim (embora poucas pessoas tenham conhecido o seu final) e deixar como que um informe à imprensa, caso, futuramente venha a publicá-lo, coisa que não planejava no princípio, quando a história tinha as proporções de um desabafo ao qual irei deixar claro neste momento.

Há alguns anos, me deparava com certas idéias literárias. Um projeto abortado do meu tempo de infância – Entre o Vento e a Vida -, resultou em um capítulo muito descritivo e pouco de ação. Não tinha um teor de livro, uma história definida. Caiu pelo esquecimento.

Embora minha preferência declarada seja por áreas de exatas, não descarto minha intimidade com as humanas, em especial as ciências das letras. Compreendi, já muito cedo, a básica estrutura da linguagem (sujeito-verbo-complemento) e daí, para interpretar e criar estruturas mais ricas, foram necessários alguns anos e o contato com todas essas ferramentas linguísticas.

Em meados da segunda fase do ensino fundamental, passamos a ter contato com elementos de proposição de dissertações e crônicas. Por muitos anos a seguir, fui elogiado pelos trabalhos irreverentes escritos que fazia. Uma das minhas maiores referências talvez seja a coluna jornalística do Veríssimo. Assim foi até o penúltimo ano do ensino médio.

Neste crucial último ano de escola regular, as coisas se mostraram diferentes. Somava-se a esse tempo aulas direcionadas de língua portuguesa em curso suplementar. Ali fui apresentado oficialmente ao gênero da dissertação argumentativa, e não à crônica dissertativa, como fazia aos anos anteriores. Embora a estrutura visual, estética, linguiística e ideológica transmitida fosse muito limitante, consegui conciliar o meu estilo aos padrões exigidos para concurso. O que rendeu-me bom desempenho no ENEM 2004 e o ingresso em um faculdade – para um curso de Matemática.

Voltando aos sonhos, num dado dia de agosto de 2005, veio-me uma distopia à mente, que vez por outra, surgem em mente. Dado que a digitalização das informações e a disponibilização na internet de informações públicas e particulares das pessoas (redes sociais, discos virtuais), o rastreamento de aparelhos plugados em rede, bancos de dados geográficos torna a vida de uma pessoa calculável por mãos muitas vezes maléficas? E se, num futuro próximo, houvessem físicos quânticos que descobrissem como operar as mônadas, e um destes soubesse manipular uma a ponto de ocasionar um novo Big-Bang? Essa foi a idéia principal à qual geraria um projeto adormecido de ficção chamado A Nona Revelação. Houveram colegas que visualizaram a possibilidade, e porque não, o sucesso desta empreitada literária. Mas houve um fenômeno de ordem pessoal que inviabilizou até mesmo em pensar no início deste projeto.

Esse fenômeno atrasou em alguns poucos meses muitas coisas em que planejava fazer na vida, mas ofereceu experiência o suficiente para propor uma não inédita, mas consistente história de um fato cotidiano que poderia ocorrer com qualquer um.

 O Possante… não é exatamente o que ocorreu comigo, mas elucida um monte de fatores questionáveis em nossa sociedade. Como podemos garantir a certeza da insanidade dos nossos pacientes em tratamento ou internados no mundo? Sabemos, por acaso, diagnosticar sem erro qual disfunção psíquica certa pessoa possui? Sabemos decifrar como ela chegou àquele estado? E, prinicipalmente, sabemos conduzir um método de mehlora eficaz?

Minha vida também foi modificada graças a um diagnóstico errôneo em um primeiro momento. Instituições mundiais de saúde, às vezes, podem estar exagerando ao declarar que por exemplo mudanças drásticas de humor constituem disfunção a ser tratada. Não há mais diferença de idade, sexo, condição social, ambiente exposto ou outros fatores que distinguam simples pessoas que vivem cercadas de compromissos diversos e enfrentem situações das quais não podem ser indiferentes.

Sendo assim, qual é o estágio saudável mental do homem? Qualquer desencadeador, por minúsculo que seja, tem que ser combatido por métodos invasivos como remédios? E, porventura, estes não sejam capazes de afixar tal estado que combatem? Há outras terapias não invasivas, que podem surtir efeitos melhores ainda?

Sim, sabemos que há casos claros que devem ser tratados e considerados como tal… Mas serão todos eles?

Não devemos nos esquecer que há narcóticos, sim, podendo causar coisas semelhantes. O livro escrito por mim não ilustra uma situação vivida por mim pelo contato com substâncias invasivas – não até o primeiro diagnóstico hipotético -, mas ilustra, também, o contato com um mundo, no mínimo, imaginável porém pouco descritível, de quem, voluntariamente ou não, entra em contato com uma realidade que não lhe cerca.

Entender a mente de um acometido por indesejável situação é a principal mensagem que desejo transmitir nesta minha obra. Por sorte, como não presenciei alucinações ou coisas do gênero, mas questionei-me se alguma vez já o tinha feito, decidi transcrever em um livro como seria uma possível realidade de um paciente. Muitas vezes, algo banal para nossa sana compreensão ganha status de instigante, e as vezes aterrorizante para um sujeito acometido por qualquer disfunção psíquica. Sua mente pode delinear inúmeras possibilidades para uma questão, a partir de padrões incomuns. Talvez sejam estes princípios a causa fundamental da diferenciação – e às vezes, da discriminação – deles conosco.

Ficaria, então, um alerta aos profissionais de saúde, em pensarem menos em tratamentos de interrupção de crises e mais em um trabalho cognitivo de readequação dos princípios lógicos que a pessoa adotou ou deixou de adotar. Procurar delinear a mecânica do pensamento do paciente. Indicar o caminho para que, mesmo limitado a seu comportamento diferenciado, o sujeito possa resolver situações-problema sem pôr qualquer um em risco e que obtenha os mesmos resultados dos que – ainda – são considerados sanos.

Essa é a mensagem oculta, ao qual tentei expressar nas palavras do livro, às quais pouco foram modificadas desde a publicação do epílogo até a sua primeira revisão.

Agora, burocraticamente, o livro encontra-se na fase de captação de recursos e apresentação e promoção em editoras. Aos estimados amigos, toda a sorte para que este não seja apenas um livro inspirado em elementos como "Uma Mente Brilhante", uma boa fonte para compor meu personagem principal, mas que seja um recado para toda a sociedade neste quesito tão tênue e ambíguo que é a saúde mental.

Aguardem por novidades.


Ouvindo... Baby Rasta / Gringlo: Desnuda (R a d i o R e g g a e t o n : Pegajosa.com

Causos de Longinqual de Preta Terra

A Eurasiana e o Taxista

Longinqual de Preta Terra é um distante, muito distante – far away mesmo – reduto localizado ao extremo norte de qualquer lugar que você possa imaginar, desde que não haja gelo nele. Aqui, nesta discreta e simples povoação de três bilhões de habitantes – estou contando por baixo – ocorrem histórias como a aqui abaixo descrita. Os fatos podem ser comprovados pela sabedoria popular do seu discreto povo, portador de notebooks desde a década de 1860, pelas suas fotografias artísticas que percorrem mostras pelo mundo e pelo jornal O Pasquim de Longinqual.


car Euripédio era um singelo empresário da zona industrial local. Sua proeminência no ramo da tecelaria o conduzira a salários extraordinários, de modo que toda a sua família tinha ele como principal rendatário financeiro – nada mais que doze irmãos, quinze primos e duzentos sobrinhos matriculados lá nas melhores escolas das Cidades Miúdas, como chamavam São Paulo – e, ainda assim, sobrava uma justa quantia para que a cada noite, pudesse fazer presença nas sociais do clube local de coleção de cabeças de bagre.

Mas isso não é o importante… Em um dos que seria mais um dia cotidiano, nosso personagem em questão acorda tarde [as margaritas não lhe desceram bem companheiro?] e perde sua preciosa condução para o distrito industrial. Não importava… Dinheiro lhe sobrava para um táxi.

Então, no pé da estrada principal, um singelo, bem rodado e moderníssimo fusca vermelho é abordado por nosso amigo tecelão-empresário. Nele, um parrudo, com uma expressão impenetrável de companheirismo, pele morena e cabelos alisados a gel, motorista, começa a corrida. Seriam cerca de setenta pilas, calculados pelo Euripédio, uns trinta quilômetros e cerca de uns quinze minutos de prosa [as estradas são um lamaçal, hein meu companheiro taxista…]. Sabemos como, se arrancarmos meia palavra de um deles, eles já iniciam um artigo de jornal rapidamente:

– Por favor! Leve-me ao distrito industrial do Cabaçal de Meia Lua Vermelha.

– Sim, como não? Aceita um drinque, um cigarro, jornal Pasquim?

– Não me fale de drinque… Ontem a social do clube me rendeu uma dor de cabeça com aqueles saquês amargos [Ai… Errei]. Cigarro não é comigo. Agora, o jornal, aceito sim. Quero ver essas cotações de dólar, como vão.

– Ah… Cotações de dólar… Você tem cara daqueles sujeitinhos das Cidades Miúdas, sempre olhando pra essas coisas que só existem nos livros que plugamos na tomada.

– Livros na tomada? Quais?

– Esses negócios que trouxeram das vilas da redondez, tipo isso aí atrás. Eu ligo ele num gato com o alternador, e ele está sempre disponível pro povo cliente meu ver as coisas desse mundo doido…

– Sim, sei. São notebooks. Eles entram na internet.

– Olha, nem venha falar dessas coisas para nós. Pra mim, basta usá-las. Gostei de te conhecer, qual o seu nome?

– Euripédio. Euripédio da Souza Sândalo. Mas chame-me de Euris. E você?

– Meu nome é Maurício Tenório Osbourne, mas não sei por quê os amigos me chamam de Mastodonte.

– Isso nem irei adivinhar… Mas voltando ao jornal, ficou sabendo do sumiço da observadora misteriosa do mirante da Macieira?

– Uma notícia muito manjada, já. Esses jornalistas descobrem dessas coisas muito depois de nós, que moramos lá, deixemos de comentar. Sou quase vizinho do observatório. Diziam que a associação que prestava serviços de manutenção no local havia desaparecido na mesma época. Eram sujeitos muito estranhos a meu ver. Um deles veio com essas coisas que nem a minha aí atrás, escrevendo que desejava um copo d’água. E entre eles, não proferiam uma palavra sequer.

– Dizem que a mulher em questão se chamava Botelhos…

– Dizem. Mas acho que ela seja a mãe da Bárbara Glaucomio, a pioneira em nossa vila em postar matérias em seu "brógue", a Lerianny Glaucomio. Veja o retrato da sujeita aqui neste outro jornal… Não parece a tal?

– Sinceramente? Pouco leio as publicações locais…

– Onde você acha que se encontra? Em Nova Iorque?

E por alguns poucos minutos, um silêncio, cortado freneticamente pelo ronronar suave do fusca possante. A brincadeira de vaca amarela involuntária termina ao Euripédio deparar-se com duas pessoas na via. Um homem levando seus tapetes e uma bela mulher de cabelos louros acastanhados, que reluziam maravilhosamente sua pele alva.

– Observando nosso maior trabalhador na região central, Euris?

– Qual? Não percebi ninguém! Só vi uma mulher, aliás muito bela…

Mastodonte profere uma pequena bufada, sendo que a partir daí, pára para ouvir o que Euris tem a dizer.

– Coisa que eu não contaria para qualquer um, seu Mastodonte. Mas aquela mulher pela qual passamos, é uma das coisas que sempre sonhei em minha vida. Tenho ela em minha mente, nos meus sonhos, desde criança.

Mastodonte repete o mesmo ritual.

– Sabe, sempre fui um cara apaixonado pela vida, pelas coisas boas. Tive profissão, crescimento, dinheiro, mas sentia que faltava algo. Desde criança, tinha sonhos com uma pessoa que, além de minha mãe, amasse-me. Não sabia distinguir essa mulher nos meus pensamentos. Eram esnevoaçados. Mas recentemente, ela apareceu em meus sonhos. Sabe, não sei te explicar… Essa… Difícil de distinguir se seria alemã, francesa, polonesa, italiana, russa… Vamos chamar de Eurasiana, é mais bonito! Pois bem, essa Eurasiana esteve em meus sonhos e num deles, ela falava bem claro para mim: ‘Você é o homem com quem sempre sonhei’. Embora depois de me beijar, falava algo, e eu lhe dizia outro algo. Mas então acordei no outro dia, e isto foi tão envolvente, que até sinto que ela houvesse me beijado.

O carro já se encontrava no centro. Velocidade reduzida. Mastodonte ainda bufava, cada vez mais com o olhar compenetrado no rapaz.

– Sabe, seu Mastodonte. Acho que deveria encontrar aquela pessoa novamente e fazer para aquela beldade o mesmo pedido que fiz em meu sonho.

– Qual? – Finalmente proferiu o Maurício, secamente.

– Casar. Constituir família. Vivermos juntos.

Após uma densa pausa. Maurício toma o discurso.

– Sabe seu Euripédio. Sou um taxista bem informado das coisas, como deva imaginar… Conheço a história daquela moça. E não é nada bonita como ela não. Ela teve duas grandes decepções na vida. A primeira foi perder os pais em um acidente de carro. Tinha idade para não ser mais adotada por ninguém, mas um homem e sua esposa, de bom coração, a acolheram em seu seio, e hoje zelam muito por ela. A segunda foi ouvir grosserias de um cara bêbado numa festa. Um cara assim, tipo a sua altura, o seu porte. Alguém que ela dizia ser o homem com quem sempre sonhou e propôs um romance sério. Em vez de tentar retribuir a gentileza, convidou-a para um motel lá na região do matagal fechado, para fazê-la se esgotar de prazer. Quando ela contou para os pais adotivos, a mãe ficou estarrecida… O pai, irado, desejando descontar a impetulância do infeliz.

– Puxa, seu Mastodonte… E olha que conheço quase todo mundo aqui. Quem são os pais? E quem é o idiota?

– Ela diz que o idiota se identificava por Souza Sândalo. E o pai dela, sou eu, seu imbecil e dissimulado!

Num salto, o Euripédio saiu do fusca, que encontrava-se parado diante de um semáforo, e adentrou uma alfaiataria. Mastodonte tentou proferir algo do tipo "Você não iria descer no Meia Lua?", mas o jovem já estava escondido por entre a placa de "Fazemos Ponto Oculto".


Ouvindo... Frank Zappa: Lumpy Gravy (II)

Novíssimos Objetivos Literários

lightbulbstar Possíveis Sugestões de Leitura para os Próximos Tempos


Estou em um moento de reavaliação de material "morto" em casa. Rebuscando papel para ser jogado fora, me deparo com essa lista que desejo deixar registrada para a pesteridade. Eis ela:

  • RAMOS, Graciliano. Angústia;
  • TELES, Lygia Fagundes. As Meninas;
  • ANDRADE, Mário de. Contos Novos;
  • REGO, José Lins do. Fogo Morto;
  • AMADO, Jorge. Gabriela, Cravo e Canela;
  • MACHADO, Alcântara. Brás, Bexiga e Barra Funda;
  • QUEIRÓS, Rachel de. Justino, O Retirante;
  • NAMORA, Fernando. Domingo À Tarde;
  • LISPECTOR, Clarice. Perto do Coração Selvagem;
  • LOBATO, Monteiro. Cidades Mortas;
  • RAMOS, Graciliano. São Bernardo;
  • ANDRADE, Mário de. Amar, Verbo Intransitivo;
  • BARRETO, Lima. Triste Fim De Policarpo Quaresma;
  • LOBATO, Monteiro. Negrinha;
  • VERÍSSIMO, Érico. Música Ao Longe;
  • __________. Clarissa;
  • ALMEIDA, José Américo de. A Bagaceira;
  • TREVISAN, Dalton. O Vampiro De Curitiba;
  • ROSA, João Guimarães. Campo Geral (in Manuelzão e Miguilim);
  • ARANHA, Graça. Canaã.

Essas foram sugestões de leitura do terceiro ano do ensino médio, das quais apenas Brás, Bexiga e Barra Funda constituiu leitura. Tenho também a posse de …Policarpo Quaresma. Espero poder ler todos esses livros.

Até porque, se tudo me for permitido, estarei por ingressar em Letras no próximo ano. E leitura terá que se tornar atividade trivial e obrigatória.


Mas vamos passo após passo.

Ouvindo... Daddy Yankee: Yo No Creo En Socios (Perreo Radio… Puro Reggaeton… Escuchalo y Perrea!!!!!)

O Gato Que Pegou Um Ladrão

Por Lilian Jackson Braun


KokoYum Yum O Condado de Moose, será palco do Festival de Inverno – isso se o clima deixar. O Natal estava às portas do local, as expectativas eram grandes. A esposa do recém-chegado gerente bancário Willard Carmichael, Danielle, convidara seu primo Carter Lee James para desfrutar das festividades locais. Na associação de bridge do Indian Village, um furto de uma quantia destinada a fins filantrópicos modifica a rotina do local. Outros eventos, a princípio isolados, se relacionariam com a morte do gerente, de uma ilustre moradora local, e de um golpe que colocaria em xeque a inocente confiança dos locais.

Para resolver tantas coisas, o ilustre jornalista investigativo James Mackintosh Qwilleran vê-se disposto a solucionar tantos mistérios. Com a ajuda de seus dois gatos siameses, Koko e Yum Yum.

O que tudo isso poderá resultar? Recomendo a leitura para que possam descobrir.


Qual o Diferencial?

Não pude ter a oportunidade de ler toda a série "O Gato que…" de Jackson Braun, mas a descrição além do superficial estilo anglo-saxônico de literatura confere um toque de completude descritiva à obra. Esteticamente falando, esse é o diferencial observado na obra. No entanto, a estrutura literária não é das mais originais: os fatos se acumulam por boa parte do livro, para um elo surgir espontaneamente nos trechos finais – acontece algo parecido em Sanidade Temporária – que liga todas as hipóteses.

Mas, embora não seja um artifício original, o clímax da história dá-se ao melhor estilo Hamletiano, o que confere uma leitura envolvente.


Avaliação

Ganha meio ponto pelo clímax, então:

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Ouvindo... Paul McCartney and U2: Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band