O Estranho Caso do Cachorro Morto

Escrito por Mark Haddon


Christopher John Francis Boone, 15, é aficcionado pelas coisas que tenham um senso de ordem e um método regularmente lógico, sabe trabalhar muito bem com a matemática e tem o desejo de ingressar no campo científico. Ao deparar-se com o quintal de sua vizinha, a Sra. Shears, vê seu poodle estirado e morto no chão. O fato deixa-o intrigado e lhe propicia a oportunidade de investigar a morte do animal, e também de poder escrever um livro.

Toda essa curiosidade e vontade de conhecer, no entanto, esconde um lado adverso: Christopher é carente de malícia para entender relações interpessoais intuitivamente, além de seu modo de vida soar um tanto quanto diferente das outras pessoas, de nenhum detalhe de coisas novas lhe passarem despercebidas, entre as quais outras pequenas manias (algumas afetando o convívio social) que exigem de Christopher atenção social especial em sua escola.

Conforme prosseguia sua investigação, e deparava-se com adversidades, como seu próprio pai, Christopher chegou a uma conclusão inesperada e totalmente fora de lógica que ele poderia entender. Um mistério havia transformado em dois, e o segundo o conduziria de sua pequena cidade a Londres…

Qual era o segundo mistério? O que havia de tão importante nele para fazê-lo viajar até uma grande cidade, onde toda a movimentação e o dinamismo poderiam deixá-lo totalmente confuso?

O resto, como sempre, recomendo a leitura.


Qual o diferencial?

O Estranho Caso… é um dos livros mais relevantes de cunho literário (neste sentido pode-se dizer não-científico) que trata sobre a Síndrome de Asperger, um quadro de autismo de alta funcionabilidade bastante incomum e reconhecido pela comunidade médica só muito recentemente. Ela agrega diversas características que não a constituem como uma doença, mas sim como uma "disfunção" [verdadeiramente falando, a meu ver, é laborioso saber um quadro geral a respeito da SA, como é carinhosamente chamada e, assim, classificá-la medicinalmente] que possa encontrar a pessoa portadora como participante de dois quadros sociais: o da regularidade e das excentricidades.

O que é correto afirmar é que o portador é dotado em informações de interesse específicos, principalmente em áreas de exatas e tecnologias. Alguns, enquanto possuem pouca habilidade em expressar-se verbalmente, desenvolvem mais as expressões artísticas. Melhores conclusões podem ser obtidas pesquisando sobre a Síndrome.

Mas, voltando ao livro, o que talvez possa torná-lo interessante (e o tornou, pois a amplitude deste foi internacional, com direito a uma produção de filme) é que o livro, estruturalmente em primeira pessoa, justifica as razões de ser dos Aspergers que acreditamos não ter sentido, dando "a visão de alguém em cuja mente você nunca entraria" (palavras do autor, que inusitadamente, até onde saibamos, não é portador).

Enfim, um pouco de um dos incontáveis possíveis mundos dos Aspergers pode ser decifrado neste livro.


Avaliação

Leitura recomendada.

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Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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