Trigésimo Quinto Fonema

A Experimentação do Desejo

smile_angel Agora vivências serão decisivas…


O Auto-Crítico encara a presença de uma das representações de Vênus, que estaria por deixá-lo em provação. O mistério de sua presença é obscurecido à meia-luz, sua face é indigna de confiança, mas seu chamado traz a atenção do nosso personagem em sua acostumação da própria aparência.

Os instintos reagem ao chamado, e Vênus é a própria recompensa do existir deles. E Vênus sobrevive à custa da subsistência de todos esses fatores. Uma reciprocidade inconsciente, viciosa, constante… Quanto mais Vênus chamava, e mais se satisfazia dos sentimentos; mais o Autoc ficava perplexo diante de tal suntuosidade que fazia jus a presença de Vênus ali contigo.

Foi o primeiro momento em que decidiu revisar os conceitos que antes havia reorganizado. Faria tudo girar em torno da hipoteticidade de Vênus, direcionando toda a sua razão de existir nela.

Mas… Isso, porventura, não o faria perder a compostura e o bom senso, diante de inebriante situação? O Autoc desejava suar frio, desajava expor-se ao reconhecimento, mas sua expressão superficial e pouco expressiva, autista, desconsertante, desnuda de sentimentos…

Vênus ainda faria mais uma investida, oferecendo-lhe um duvidoso retorno a uma realidade em que seu exterior crítico, que se perdeu junto à presença do Exoc, seria substituído por sua orientação sempre libidinosa, lasciva, impugnante. Valia a pena?

O nosso personagem não tinha senso crítico, naquele momento, para distingüir o certo do errado. Então, uma voz proclama decisiva:

Deixa então que o oposto lado de sua vida,
sempre presente, necessário, não-onisciente,
oriente-no em momentos que podem ser vergonhosos?
Causando indignação, profunda e consistente!

Veja que nenhum corpo tenro rubro,
de casca decorativa, em perduro,
faça diante de sua conduta,
filosofia de corpo em permuta…

Uma opinião que certamente fazia sentido… Entregar-se simplesmente a Vênus seria a auto-destruição, pelo vício da insaciedade corporal superando a razão, algo perigoso em questão de exteriorizar ao mundo. A razão usada nesse momento apenas fez com que Vênus, de receio, afastasse, deixando ao Autoc, de presente, parte de suas mexas da cor da vida, como um sinal de que, haja o que houver, ele nunca poderá esquecer-se dela, por mais que desejasse.


Sugestivamente:

Ouvindo... Steve Vai: All About Eve

"O Possante Suco de Tangerina" está sendo concluído. Em semanas, a publicação total do conteúdo.

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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