O Possante Suco de Tangerina

star Compacto dos capítulos um a cinco, retrabalhados para exposição pública


Quarryington: a cidade portuária, amplamente conhecida pelas suas tangerinas.

Na avenida principal da cidade, a sétima, havia uma das agências publicitárias mais importantes da região. Em seu escritório, num dos prédios desta incrível e altamente conturbada avenida, está presente Orfos Sane. Ele é um garoto prodígio: poucos anos de vivência na consultoria, descobriu a maneira infalível de tocar os clientes onde mais queriam. Era o mestre em fechar negócios. Tinha conceitos filosóficos de trabalho e vida bem definidos, boa estatura e sutis pêlos de cavanhaque, o que disfarçava sua idade: era menor de idade, mas já tinha costumes que só eram permitidos a maiores de idade, inclusive beber com colegas de serviço após o expediente. Mas sua maioridade estava próxima, e sua aspiração principal seria, assim que completasse os dezoito anos, morar sozinho, seja em um apartamento na região mais nobre – a preferencial – ou em uma República – já em um lugar não tão privilegiado.

A agência era composta do escritório na sétima avenida, e de um estúdio de produção no fim desta. No escritório, enquanto que as relações entre funcionários e clientes era mais formal e tensa e o ambiente era descontraído por um repertório musical animado e eclético; no estúdio, os funcionários viviam descontraidamente. Havia lugares de descanso confortáveis para ambos os locais, e uma biblioteca de mídias para estudo e arquivo próprios. Guns N’ Roses era o sinal de dispensa dos funcionários em ambos os lugares. O responsável pela aquisição de material musical era o próprio presidente da empresa, Tony Dyniz, que dedicava parte de seu tempo na qualidade de vida dos funcionários.

Chegava a semana de aniversário de Orfos – o dia era a sexta-feira – e os funcionários, além de receberem os devidos ganhos, seriam informados sobre o desmpenho mensal da empresa, que nos últimos tempos eram animadores. No entanto, ao deparar-se com os índices, Orfos e Marsimos – antes colegas do elementar e, agora, companheiros de empresa – vislumbraram indicadores nada animadores. Sane estranhou, pois os últimos dias choviam clientes e negócios feitos, e isso o deixou desanimado e seu ritmo de vendas, pela sua baixa auto-estima, havia despencado. Solicitou feedback a Malconm, supervisor na administração, que, não poucas vezes, fazia pouco caso do garoto, e desta vez não seria diferente, mas o presidente havia pedido sua presença para sanar suas dúvidas a respeito do motivo das quedas de desempenho. Mesmo confortado, Orfos não se sentia bem por que seu aniversário na empresa corria o risco de não ser realizado, e não se contentaria com um simples jantar em família em uma data tão especial. Após os cumprimentos e desejos de felicidade por parte de Tony, Orfos faz a entrega de um "pacote confidencial" para o estúdio, a pedido de Malconm, sempre importuno. Assim o fez.

Os dias que se seguiram pareciam tensos para Sane, que participava das palestras organizadas pela administração. Quinta-feira, Malconm sugere-lhe entregar outro pacote, não tão confidencial quanto o primeiro, e informa que dia seguinte a empresa funcionaria até um pouco mais cedo, e que ele, Marsimos e mais duas colegas fariam plantão. Naturalmente, não perderia a oportunidade de aproveitar-se da boa vontade do rapaz.

O garoto iria ter o resto da tarde para lanchar e descansar, e aproveita o caminho para desfrutar da imagem da avenida que é o coração de Quarryington, chegando nas proximidades de um dos hospitais, encontra oportunamente Simmons Gyrdal, colega de colegial, que trabalhava na ala psiquiátrica. Além de compartilhar dos fatos da semana, Orfos recebe a informação de que seu colega ficaria em férias durante um mês no interior, a contar da sexta-feira, impossibilitando-o de comparecer ao jantar da família.

Já no dia de Orfos, o plantão foi executado normalmente e após o horário, os quatro iriam executar um Happy Hour no Cantaleão, mas Marsimos forja uma ida ao Il Pattilo e a surpresa se revela ao então maior de idade: os outros funcionários já se encontravam lá para comemorar o aniversário surpresa do jovem. O desempenho mensal fora maquiado para que Orfos imaginasse a impossibilidade de sua festa entre os funcionários. Além dos presentes – um laptop e uma câmera fotográfica – um negócio foi proposto: o dobro do salário e o novo encargo de Sane nos estúdios de produção, área que manifestava grande interesse, com direito a graduação na área.

Após a festa e o jantar com a família, dia seguinte Orfos dirige-se a República – que ficava no "médio subúrbio", região onde havia uma aroma constante e pertinente de tangerinas – com seus pertences. Lá, conhece a zeladora e dona de restaurante Syne, trinta anos com aparência de pouco mais de vinte, os seis homens e as nove mulheres, e dentre elas, uma loira com mechas vermelhas, encorpada, olhos multicoloridos e um óculos de náilon chamativo, mas de grau, o que tirava a atenção do rosto dela e a deixava menos bela. Seu nome é Hellen Sully, e sua afinidade foi tamanha com Orfos que o convida para uma noitada na casa noturna pioneira da cidade, a Sonnipheros di Settima, ou S7, o qual aceita com maior expectativa.

Estando lá naquela mesma noite, Orfos, pelo seu comportamento na casa com alguém acaba levando uma prensada que o deixa no hospital, preocupando Syne, Marsimos e, principalmente, Hellen Sully. No hospital, acaba conversando a sós com um sujeito que se identificava como Gyno Achiles, que vem pedir desculpas em nome da casa noturna e propõe a ele conhecer uma nova especialidade secreta da casa assim que de lá saísse: um coquetel à base de suco de tangerina, uísque e vodka, o qual tinha batizado como Tangelicus. Combinaram encontrar-se novamente na terça seguinte.

O domingo foi reservado para descanso e ambientação com os novos colegas, além de recober admoestações por parte de Syne pelo ato intransigente na casa noturna.

Já no dia seguinte, Orfos é designado para começar sua nova etapa na empresa no estúdio. Lá, conhece os funcionários, notadamente Erikson Hylwk Jr. e Ryn Moths, vulgo Naftalina. Já se integra aos meios de confecção dos trabalhos publicitários e arrisca desenvolver material publicitário para uma geléia importada que entraria no mercado da região em breve.

Orfos estava extasiado com os rumos que sua vida tomava, que dispensou o convite de Hellen Sully de acompanha-lá no parque, seco e indiferentemente, o que a deixou profundamente sentida, pois sentia algo de especial nele. Preferiu focar-se no trabalho.

Terça-feira foi o dia em que os funcionários do estúdio poderiam experimentar a geléia em questão e avaliar os trabalhos publicitários para ela, inclusive o que Orfos produziu. Mas o de Orfos, apesar de mostrar a competência do garoto no trabalho, não era o suficiente.

Após o expediente, o jovem dirigiu-se ao local indicado por Gyno para receber a garrafa e algumas orientações sobre seu consumo. Ao chegar à República, e guardar as coisas, desceu ao hall, que estava vazio por volta das dez e meia. Todos dormiam. Enquanto assitia a televisão, provava do Tangelicus, que tinha um sabor incomum.

Então… em um determinado momento, já alto da bebida e decidindo recolher-se ao quarto, tenta desligar a tevê. Mas acaba acionando um canal sem transmissão. Um canal que começou a transmitir algo sinistramente bizarro


O que seria essa transmissão? O que Orfos fez para parar no hospital? Qual o interesse de Hellen Sully em Orfos: amizade profunda ou algo maior? E o futuro de Orfos na agência, qual será?

Se deseja conhecer as respostas destas e outras questões, aguarde em breve a publicação de "O Possante Suco de Tangerina".

O texto também está disponível a quem estiver interessado em conhecê-lo, bastando para isso contatar-me e explicar sobre seu interesse no trabalho (infelizmente, requer que você possua um Windows Live ID).

Continuem acompanhando os trabalhos aqui do 35º Fonema.


Nota musical Portishead: Glory Box

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Um pensamento sobre “O Possante Suco de Tangerina

  1. parabéns meu caro, suas obras Literáiras estão dignas cada vez mais de um comentário mais caloroso! História rica em detalhes (eu até acho que vc deve ter vivido algum personagem, ou ter presenciado um, porque o nivel de detalhes é impressionante… rsrs).Mas parabéns, em breve terá autores reconhecendo o seu grandioso trabalho… o meu eh soh por digitar no teclado mesmo, rsrs…Ah, e o artigo dos maravilhosos atalhos está ótimo tb! O que seria da gente se naum fosse o Control+Z hein… hehe, e como vc mesmo disse, que quem sabem em breve… não tenhamos um assim na vida real. Seria o “Try again”, ou “Retry” dos games :pAt+ Douglas, te cuida!

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