Trigésimo Quinto Fonema

Procura-se um simbolismo

Depois da letargia, vem sempre a recomposição


smile_confused O Autoc então procura começar a se reorganizar, frente à sua nova realidade. Mas como?

Teria então que se desfazer dos mais ortodoxos e clássicos valores. Não por que eles eram mais incorretos, mentirosos ou impugnantes… Apenas porque eles já não tinham identidade com ele. Ambos eram insolúveis, sem intimidade. Permanecer ligado a eles seria uma relação formalizada de cumplicidade, para satisfazer a vontade de outrem, coisa que o Exoc não o permitiria fazer.

Lembrava sempre das palavras do então discreto, conciso e sábio complemento de si mesmo:

As verdades nunca são eternas, pois
a Verdade Absoluta e Trivial
sempre as modifica de acordo com as necessidades do presente,
os erros do passado,
e as boas expectativas do futuro.

E, conforme essa afirmativa, partindo desse princípio, buscou desintegrar o carro-chefe de sua conduta.

Precisava de uma nova ética filosófica de ação. Os colarinhos ajustados do mundo que o cercava; os sapatos engraxados, sempre iguais em cores, formatos, tamanhos; as pastas cheias de números e inexistências físicas da economia; e, finalmente, as representações não-físicas-existenciais que guiam-lhe por dentro: nada lhe prestara mais.

Liberdade? Não considerava! Consolo? Não lhe promovia! Precisava de uma referência.

E cada vez mais que procurava, tinha a certeza de que era um bom negócio desvencilhar-se do trivial velho para um admirável conceito novo.


Nota musical Aerosmith: Mama Kin

Prepare-se para os momentos finais em "O Possante Suco de Tangerina", no Brejo do Sapinho.

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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