Momento Poesia

Dissidências


"Arredio, avançando
Sigo prosseguindo
Recuando de meus medos
Medos vem me reprimindo

Sóbrio, frígido
Comporto-me cínico
Sabendo que é meu futuro
Vívido, frágil, imaturo

Dedico-me em vão
Em uma idealizada canção
Entorno uma garrafa de vinho tinto
Ao meu intestino distinto

Faço meu dever
Como boa pessoa
Sou agraciado, sinto-me reprimido
Ingrato, meu coração ressoa

Torno-me sujeito em cadência
Junto palavras, sem maledicência
Num ato emotivo, o conflito
Num gesto egoísta, que me visita

Hilário, em seqüência
Junto emoções em dissidência
Opostos a dois, vejo depois
Que nada disse, quanto antes visse

Desde então, em verdade
Nada disso foi realidade
A repressão, falsa emoção
Depois se tornou em gratidão

A canção surgiu, o vinho entornou
Logo tenho sentido
Que meu frágil intestino
Da refição os nutrientes aproveitou

Bêbado, encorajado
Vi com cautela alarmante
Que o futuro, enquadrado
Era algo palpável, vísivel, porém distante

Fim das contas, verdadeiramente
Encorajado, recuando
E tudo que pensava antes ter feito
Ainda nem estava começando

Torno-me sujeito em cadência
Junto emoções em dissidência

Num ato emotivo, o conflito…
Será que realmente existo?"


music_note Tears For Fears: Woman In Chains

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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