Acidentes? Conspiração?

Gostaria de ser mais positivista, mas assuntos assim exigem que a gente tenha uma abordagem realista acerca das coisas.

Estamos entrando numa era em que a transparência nas atividades públicas ganha notoriedade, mas ainda estamos longe de entrar na era em que a transparência das execuções judiciais sejam idôneas e éticas.

Em nosso passado recente, e em uma freqüência cada vez maior, nosso país presencia um escândalo político atrás do outro. Isso, se contarmos que não vivemos no “coração” do país, podendo acompanhar no “mano-a-mano” todas essas arapucas, que podem ser mais do que presenciamos via mídia tradicional. Ou, ainda, uma encenação teatral da Escola de Artes Parlamentares que têm por pretensão desmoralizar o Executivo, o Judiciário, ou ainda o Poder Moderador-Sindicalista (por ser extinto do ponto de vista Oficial, mas que ainda procura sobreviver por uma desesperançada atitude daqueles que querem ver verdadeiras práticas políticas e idôneas para a massa), no qual os escândalos de teor verídico são menos numerosos do que podemos presenciar.

Infelizmente, não saberemos se há mais motivos para escândalos políticos dentro de Brasília, que estejam encobertos; ou se os que “conhecemos” são manipulações de entidades maiores que o governo.

E o que o título deste pôste tem a ver com o nosso Brasil S. A.? (Entidades maiores que o governo? Se o governo é frouxo para governar o país pra deixá-lo nas mãos das corporações, então vivemos numa empresa tupiniquim de serviços gerais “quebra-galho” para o mundo, concordam comigo?) Talvez tudo isso seja somente a ponta de um aicebérgue bem grande que obstrui a passagem de um navio chamado “Progresso Brasileiro”.

Leitores, façamos um exercício de memória (bastante esdrúxulo, porém criativo):

  • Qual era a Novela Parlamentar do Horário Nobre há dois anos atrás? Quem era o pivô das discussões que levou um olho roxo (que, por meio de fofocas em salões de beleza, dizem que tal feito foi de um carequinha mineirinho que gostava da secretária boca aberta, que desejava sair em revista masculina)? Quem foram os comparsas do mineirinho publicitário? Vermelhos? Azuis-Amarelos? Tricolores? Quantos foram para a cadeia por atos ilícitos? Conseguiram desmoralizar o Chefe-Maior, por seu amigo íntimo estar envolvido no esquema de desvio financeiro?
  • E a de um ano atrás? Lembram-se do nome das empresas que burlaram o sistema de tarifação de impostos e superfaturaram ambulâncias? E os atores, foram os mesmos da trama anterior?
  • E a minissérie “Máfia das Roletas”? Que fim deu? Os heróis conseguiram capturar todos os líderes mafiosos? E o “parente” do Chefe-Maior? Era um deles, ou apenas um laranja?
  • E a franquia “Guerra Sob As Estrelas”? O Senador corruptor e pertencente às forças sombrias foi destituído da presidência do conselho da galáxia Tupinikin?

Uma coisa todos sabem: embora não houve casamento em nenhuma destas tramas, houve festas. Mas nem todos participaram (eu fiquei sem o meu quinhão de bolo e pizza)…

Agora, a mídia está produzindo a série K.OZ.A.R.O. (Leia-a em inglês e português ao mesmo tempo), a pedido dos produtores do Centro-Oeste do Brasil. Uma das cenas mais baratas (contrariando a lógica) aconteceu em São Paulo. Não houveram locações, tudo foi feito ao melhor estilo Rélite-chou e envolveu a participação de todo tipo de mídia, em maior participação desde então. E esqueceram-se de transmitir a saga do Senador sombrio.

Exageros à parte, voltemos à realidade (e respeitemos as vítimas, sobretudo): um avião caiu em São Paulo, sob circunstâncias que a princípio são duvidosas, mas que levam a um ponto em comum, que são interesses políticos. Segundo informações oficiais, três causas principais podem ter gerado os acidentes. Para cada uma delas, podemos determinar uma culpa direta ou indireta a governos, ou a empresas terceirizadas contratadas pelo governo, administradoras de serviços aeroportuários, ou companhias aéreas.

A primeira: condições climáticas e pista curta. Parece que o governo interessa-se em fazer manutenção ou planejar ampliações e reformas somente após uma ocorrência de grande porte, mas aqui podemos atribuir a culpa à empresa que executou os serviços que seriam necessários. Será que essa empresa estava realmente interessada em agir de boa fé em seus procedimentos?

A segunda: falha mecânica. Descompromisso da companhia aérea em cuidar de sua frota?

Terceira: erro humano. Incompetência da escola aérea (civil ou militar) no treinamento do piloto?

Um companheiro transpôs a barreira do despreparo das forças públicas e sugeriu que isso seria uma tentativa de sabotagem! E para as três perguntas acima, digo que há algo além de uma operação da oposição ao Executivo, ou de entidades corporativistas contrárias às políticas sociais do presidente que, discussões à parte se são ações de boa fé presidencial ou somente iniciativa de terceiros que verdadeiramente possuem essa preocupação social, tentam desmazelá-lo.

Talvez não seja uma iniciativa da burguesia nacional… Será, então, pressões de megacorporações internacionais pretensas em administrar os aeroportos brasileiros, as poucas companhias aéreas nacionais que temos, pressionando o governo por todos os lados, obrigando-o a privatizar a rede aérea civil nacional?

E dúvidas à parte, especulações por outra e teorias conspiratórias na encoberta, todos nós sabemos de uma coisa: as perdas humanas serão irreparáveis, e, se fruto de sabotagem, serão verdadeiros crimes hediondos que, infelizmente, nossa embaçada transparência jurídica será incapaz de condenar…


music_note Steve Vai: Fire Garden Suite

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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