Momento Poesia

Entrelinhas


"Faça-se presente
o ausente
considera-se a minoria
distante, quem diria!

No sorriso uma canção
que canta vivaz
‘Esguia, na atenção
Vívida, fugaz…’

Reza lenda, dita rima
Fazem poemas sobre coisinhas
Passa faca, usa lima
Caçando-se entrelinhas

Gente de boa procedência
Gerencia casa, comércio, granja
Atividade, com consciência
Casa arroz tropeiro, feijão e canja

Realejo, joelho, temporã
Arroxei-o, ajusteiro, amanhã
E a canção que andei no esmerilho
Já deixei no desfazejo

Tornou-se então ausentes
os presentes
desprezou-se a maioria
tão próxima, ninguém diria?"


music_note Delmore Brothers: Lonesome Yodel Blues

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Sobre o Projeto

Desculpem a demora para postar alguma coisa neste espaço… Tenho de administrar um blógue mais idoso também, e faltavam idéias para serem publicadas nos dois. Decidi então esperar que algo palpavelmente interessante viesse em mente.

O que, de certa maneira, ainda não aconteceu.

Mas notei que haveria uma lacuna para quem aqui caísse de sopetão…

Que raios é esse “Trigésimo Quinto Fonema”?

O que nos leva a uma estranha e, digamos, interessante história.

Eram meados de 2005, havia passado por uma crise existencial. Talvez tenha deixado a mente me empreitar num absurdo de teorias acerca de coisinhas vitais (digamos aquelas relacionadas ao Universo), e misturando um pouco de misticismo, pelos 60 anos do lançamento das Bombas Atômicas sobre o Japão. Nessa tinha um projeto literário de ficção em mente, o qual chamaria de “A Nona Revelação”.

Absurdos passados, e recomposto de tantos sinais sem nexos, percebi que era um nome um tanto quanto forte demais.

Meados de 2006… com o medo de atravessar o mesmo problema, e procurando evitá-lo, o tive novamente… Dessa vez estava intrigado com o significado místico das vinte e seis letras e dos números, numa teoria numerológica absurda. Pois bem… confundindo letra com fonema chamei o “aquele que faltava” de “Vigésimo Sétimo Fonema”, compondo o projeto literário semi-ficcional que é parte integrante do meu idoso Brejo do Sapinho.

Ano depois… Agora sem crises! E, sabendo que letras são diferentes dos fonemas, fiz uma pesquisa no intuito de saber quantos fonemas temos na língua portuguesa, tendo a resposta de que são trinta e quatro, o que leva à idéia que devia pensar naquela fonema que não existe… o trigésimo quinto!

Mas, afinal…

O que é o “Trigésimo Quinto Fonema”?

Essa talvez seja a pergunta mais difícil de responder… Mas tentarei.

O Trigésimo Quinto Fonema, estruturalmente, será um protótipo de um projeto literário composto de pensamentos, crônicas, filosofias, enfim… “Picotados” de textos e artigos, publicados por mim e por aqueles dispostos a aderirem a este espaço. Filosoficamente falando, não há uma corrente de pensamento fixa para isto, podendo mudar de acordo com o tempo. Como já dizia Confúcio (ou interpretava-se do que ele dizia), não devemos ser extremistas. Maleabilidade pode ser o termo-base para gerenciar como diversas, distintas e até dissidentes correntes de pensamento possam figurar aqui neste blógue.

O objetivo final do 35F – termo reduzido – ainda é um tanto quanto obscuro e incerto. Seria muito capitalismo canibal obter a partir dele um livro de compilações de maneira forçada. Acredito que se o destino de algumas das melhores histórias que daqui surgirem seja uma publicação, que isso ocorra naturalmente.

O tema para esse projeto talvez não seja fixo… Crônicas como a postagem anterior de cunho reflexivo, histórias de realidade extirpada, releituras de espetáculos cênicos, obras literárias, produções, reduto de poemas, prosas… Até mesmo idéias soltas, talvez um canal expoente de um possível movimento literário que futuramente possa ser conhecido por Virtualismo (se for, gostaria de ter respeitosamente os créditos dessa denominação) ou coisa do tipo.

Por fim, espero que esse projeto seja o que seja, o que for… E como tempo, veremos no que renderá…

music_note The Clash: Lost in the Supermarket

Momento Poesia

Dissidências


"Arredio, avançando
Sigo prosseguindo
Recuando de meus medos
Medos vem me reprimindo

Sóbrio, frígido
Comporto-me cínico
Sabendo que é meu futuro
Vívido, frágil, imaturo

Dedico-me em vão
Em uma idealizada canção
Entorno uma garrafa de vinho tinto
Ao meu intestino distinto

Faço meu dever
Como boa pessoa
Sou agraciado, sinto-me reprimido
Ingrato, meu coração ressoa

Torno-me sujeito em cadência
Junto palavras, sem maledicência
Num ato emotivo, o conflito
Num gesto egoísta, que me visita

Hilário, em seqüência
Junto emoções em dissidência
Opostos a dois, vejo depois
Que nada disse, quanto antes visse

Desde então, em verdade
Nada disso foi realidade
A repressão, falsa emoção
Depois se tornou em gratidão

A canção surgiu, o vinho entornou
Logo tenho sentido
Que meu frágil intestino
Da refição os nutrientes aproveitou

Bêbado, encorajado
Vi com cautela alarmante
Que o futuro, enquadrado
Era algo palpável, vísivel, porém distante

Fim das contas, verdadeiramente
Encorajado, recuando
E tudo que pensava antes ter feito
Ainda nem estava começando

Torno-me sujeito em cadência
Junto emoções em dissidência

Num ato emotivo, o conflito…
Será que realmente existo?"


music_note Tears For Fears: Woman In Chains

Capítulo Quarenta

Aí Vem Mais Uma Crônica

star Parte integrante do Projeto 27F Blog-papel


envelope Osasco, quinta-feira, 28 de setembro de 2006

"Por que o céu é azul? Muitos diriam que a Matemática não teria respostas a perguntas simples como essa. Mas quando descobriram que a percepção de cores é uma questão de gama de freqüências, recorreram aos matemáticos para distingüir essas faixas de freqüência. Contudo, poderíamos dizer que todas as nossas percepções são meras manifestações de senos e cossenos conjugados?

Diz-se muito das teorias das supercordas

Somos todos frutos desta grande ente chamada Matemática?

Sinto dizer aos incrédulos que sim, pois a Matemática é a Razão de Deus… Mas o que conhecemos dela é minúsculo, apenas uma parte dela…

Trabalhar com Matemática é uma maneira universal de descrever os complexos microssistemas e macrossistemas que não levam influência constante do homem, a única variável indecifrável desse grande sistema matemático que é viver.

Sorte que, por ser essa incógnita, o mundo, felizmente, não é só Matemática [ainda bem, pois letras soltas, signos e muitos números em excesso, dizem ser prejudicial].

E quando vemos, aquela mesa redonda [e quadrada] deixa de decifrar aquela Ciência e vai ‘puxar a hora do rango’."


music_note Beatles: Good Morning Good Morning

Acidentes? Conspiração?

Gostaria de ser mais positivista, mas assuntos assim exigem que a gente tenha uma abordagem realista acerca das coisas.

Estamos entrando numa era em que a transparência nas atividades públicas ganha notoriedade, mas ainda estamos longe de entrar na era em que a transparência das execuções judiciais sejam idôneas e éticas.

Em nosso passado recente, e em uma freqüência cada vez maior, nosso país presencia um escândalo político atrás do outro. Isso, se contarmos que não vivemos no “coração” do país, podendo acompanhar no “mano-a-mano” todas essas arapucas, que podem ser mais do que presenciamos via mídia tradicional. Ou, ainda, uma encenação teatral da Escola de Artes Parlamentares que têm por pretensão desmoralizar o Executivo, o Judiciário, ou ainda o Poder Moderador-Sindicalista (por ser extinto do ponto de vista Oficial, mas que ainda procura sobreviver por uma desesperançada atitude daqueles que querem ver verdadeiras práticas políticas e idôneas para a massa), no qual os escândalos de teor verídico são menos numerosos do que podemos presenciar.

Infelizmente, não saberemos se há mais motivos para escândalos políticos dentro de Brasília, que estejam encobertos; ou se os que “conhecemos” são manipulações de entidades maiores que o governo.

E o que o título deste pôste tem a ver com o nosso Brasil S. A.? (Entidades maiores que o governo? Se o governo é frouxo para governar o país pra deixá-lo nas mãos das corporações, então vivemos numa empresa tupiniquim de serviços gerais “quebra-galho” para o mundo, concordam comigo?) Talvez tudo isso seja somente a ponta de um aicebérgue bem grande que obstrui a passagem de um navio chamado “Progresso Brasileiro”.

Leitores, façamos um exercício de memória (bastante esdrúxulo, porém criativo):

  • Qual era a Novela Parlamentar do Horário Nobre há dois anos atrás? Quem era o pivô das discussões que levou um olho roxo (que, por meio de fofocas em salões de beleza, dizem que tal feito foi de um carequinha mineirinho que gostava da secretária boca aberta, que desejava sair em revista masculina)? Quem foram os comparsas do mineirinho publicitário? Vermelhos? Azuis-Amarelos? Tricolores? Quantos foram para a cadeia por atos ilícitos? Conseguiram desmoralizar o Chefe-Maior, por seu amigo íntimo estar envolvido no esquema de desvio financeiro?
  • E a de um ano atrás? Lembram-se do nome das empresas que burlaram o sistema de tarifação de impostos e superfaturaram ambulâncias? E os atores, foram os mesmos da trama anterior?
  • E a minissérie “Máfia das Roletas”? Que fim deu? Os heróis conseguiram capturar todos os líderes mafiosos? E o “parente” do Chefe-Maior? Era um deles, ou apenas um laranja?
  • E a franquia “Guerra Sob As Estrelas”? O Senador corruptor e pertencente às forças sombrias foi destituído da presidência do conselho da galáxia Tupinikin?

Uma coisa todos sabem: embora não houve casamento em nenhuma destas tramas, houve festas. Mas nem todos participaram (eu fiquei sem o meu quinhão de bolo e pizza)…

Agora, a mídia está produzindo a série K.OZ.A.R.O. (Leia-a em inglês e português ao mesmo tempo), a pedido dos produtores do Centro-Oeste do Brasil. Uma das cenas mais baratas (contrariando a lógica) aconteceu em São Paulo. Não houveram locações, tudo foi feito ao melhor estilo Rélite-chou e envolveu a participação de todo tipo de mídia, em maior participação desde então. E esqueceram-se de transmitir a saga do Senador sombrio.

Exageros à parte, voltemos à realidade (e respeitemos as vítimas, sobretudo): um avião caiu em São Paulo, sob circunstâncias que a princípio são duvidosas, mas que levam a um ponto em comum, que são interesses políticos. Segundo informações oficiais, três causas principais podem ter gerado os acidentes. Para cada uma delas, podemos determinar uma culpa direta ou indireta a governos, ou a empresas terceirizadas contratadas pelo governo, administradoras de serviços aeroportuários, ou companhias aéreas.

A primeira: condições climáticas e pista curta. Parece que o governo interessa-se em fazer manutenção ou planejar ampliações e reformas somente após uma ocorrência de grande porte, mas aqui podemos atribuir a culpa à empresa que executou os serviços que seriam necessários. Será que essa empresa estava realmente interessada em agir de boa fé em seus procedimentos?

A segunda: falha mecânica. Descompromisso da companhia aérea em cuidar de sua frota?

Terceira: erro humano. Incompetência da escola aérea (civil ou militar) no treinamento do piloto?

Um companheiro transpôs a barreira do despreparo das forças públicas e sugeriu que isso seria uma tentativa de sabotagem! E para as três perguntas acima, digo que há algo além de uma operação da oposição ao Executivo, ou de entidades corporativistas contrárias às políticas sociais do presidente que, discussões à parte se são ações de boa fé presidencial ou somente iniciativa de terceiros que verdadeiramente possuem essa preocupação social, tentam desmazelá-lo.

Talvez não seja uma iniciativa da burguesia nacional… Será, então, pressões de megacorporações internacionais pretensas em administrar os aeroportos brasileiros, as poucas companhias aéreas nacionais que temos, pressionando o governo por todos os lados, obrigando-o a privatizar a rede aérea civil nacional?

E dúvidas à parte, especulações por outra e teorias conspiratórias na encoberta, todos nós sabemos de uma coisa: as perdas humanas serão irreparáveis, e, se fruto de sabotagem, serão verdadeiros crimes hediondos que, infelizmente, nossa embaçada transparência jurídica será incapaz de condenar…


music_note Steve Vai: Fire Garden Suite

Capítulo Trinta e Nove

Saudade das Saudades (Adendo II)

star Parte integrante do Projeto 27F Blog-papel


envelope Osasco, quarta-feira, 27 de setembro de 2006

"Mas uma das saudades mais nostálgicas e estranhas que tenho é de minha querida psiquiatra Cristianny [há uma pequena variante no nome dela, o qual não pretendo revelar tão cedo], segundo nome Karinna. Embora sendo psiquiatra, ela é muito bonita [motivo pelo qual fazia contribuição religiosamente pontual para meu tratamento] e, como muita gente que conheço, dispensa uma atenção toda especial comigo, embora como todo bom [bom?] psiquiatra é dissimulado, é desconfiável que ela se faça assim só para não me contrariar…

Aliás, já me contrariam com o fato de não ser contrariado. Comigo a coisa funciona na dialética, no diálogo, na discussão organizada [adiante, adendo do dia seguinte] tal como na mesa redonda [quadrada] dos matemáticos da UNIFIEO, essa ‘corja’ a qual pertenço e na qual tenho muito orgulho de pertencer."


music_note Spice Girls: Spice Up Your Life