Polipolarismo Dialético

Porque Precisamos Ser Maleáveis

Esse artigo é um prosseguimento do já publicado "Bipolarismo Retórico".


Dialética, s. f. Arte de argumentar ou discutir; arte de raciocinar; lógica; o diálogo, como método de investigação científica. (do lat. dialectica)


"Do outro lado da esteira das resoluções das problemáticas sociais e humanas materiais está uma espécie de posição que, a princípio, pareça metamórfica e inconsistente em demasiado. Muitos acreditam que pessoas polipolares dialeticistas (termo cunhado por mim mesmo) são aquelas que vão cegamente na opinião dos outros, e se ao acaso surgir alguém que se contrapõe com uma justificativa forte, vão de acordo com a opinião contrária. Estes, na verdade, são dialeticistas inconsistentes.

De uma certa maneira, o Polipolarismo Dialético se embasa no fundamento prático da filosofia hegeliana da construção da idéia absoluta. Mas não da construção da dita idéia, e sim em um argumento que leve em conta duas declarações Bipolaristas Retóricas contrárias e adiciona-se possíveis desdobramentos que surjam a partir dos dois troncos da discussão. Esse argumento, por muitas vezes se utilizar de princípios que até pessoas não-letradas praticam, por não necessitarem de estudos clássicos filosóficos, como o Bom Senso Popular, a Moral Universal e coisas que se aprende no seio da família, às vezes apresenta-se muito simples, o que claramente poderia ser chamado – sem ofensas – de Filosofia de Botequim.

Em resumo e palavras rasas: a massa popular tende a pertencer ao Polipolarismo Dialético. Mas só tende, porque apesar de parecer simples encarar a problemática social e humana nessa corrente de pensamento, ela tem um fundamento que ainda irei discutir com mais detalhes: o Monopolarismo Lógico. Consiste no quê? Obviamente, em uma ‘cartilha’ de princípios básicos que norteiem a avaliação dos fragmentos convenientes e incovenientes, aproveitáveis e descartáveis que uma situação oferece, ainda mais quando é bipolar. Esse conceito é conciliado na prática, não há outra maneira, e (embora não seja estudioso de filosofia) sei que o Confucionismo, o Pragmatismo teórico e algumas outras correntes filosóficas possuem princípios parecidos. O Materialismo Dialético de Marx, numa síntese com o Idealismo Dialético de Hegel, constitui o Polipolarismo Dialético: é ideal, por que procura um lugar-comum para as opiniões divergentes que ali se encontram; mas é realista, porque esse lugar-comum é limitado a premissas praticáveis e estão fincados a ideologias já existentes, que longe estão de constituir uma idéia absoluta.

Enfim, o Polipolarismo Dialético permite, ao contrário do Bipolarismo Retórico, um manejo mais atencioso a tudo aquilo que subentende o ser humano por si mesmo. Mas nem sempre aderir a essa visão de mundo é vantajosa, porque ela bota o humanismo a serviço do homem, ou seja, assuntos fora da esfera da humanidade entram em desacordo, conduzindo a discussão em um dialeticismo inconsistente. Embora o Bipolarismo Retórico coloca somente o homem a serviço do homem, deixando a problemática mais restrita a uma solução radical, a dialética inconsistente acaba por fazer o mesmo quando não é aproveitado no campo correto de pensamento.

Saber ser dialético polipolarista exige tempo, conhecimento e, sobretudo, bom senso e moral para discutir qualquer questão."


 Eagles: The Long Run

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