Bipolarismo Retórico

Filosofia de Botequim Acerca de Conceitos Gerais


Retórica, s. f. Arte de bem falar; aula em que se ensina essa arte; conjunto de regras concernentes à eloqüência; livro ou tratado que contém essas regras; afetação de eloqüência; estilo empolado. (do lat. rhetorica)


"Presenciei uma discussão (não agressiva, nem destrutiva, já vou adiantando) em que um companheiro de teatro questionava a posição do ator frente ao seu predecessor – a pessoa – e a seu objetivo – o personagem. Não lembro muito bem qual era a real posição dele frente a esse questionamento… Ah! Sim! Lembro… O ponto vital que foi alvo da discussão seria sobre o domínio da arte de atuar, em que, para ele, os atores devem basear-se naquilo que lhes pertence naturalmente para compor um número limitado de ‘persona caracteres’, como se houvesse a falta da exigência do ator desafiar-se na composição de um comportamento ou de um módulo de personalidade – como diz o Checcia, a falta de ser sujeito de si mesmo – que componha o personagem apresentado diante do palco (ou da película ou da tela).

Mas não foi exatamente essa opinião que trouxe à tona. O que houve, no ponto vital do ponto vital, é que a opinião deste nosso companheiro foi muito segmentada e fracionada. Para ele, as questões são levadas a soluções que remetem aos extremos, sendo que exceções são pouco comuns. É o que estou chamando no título logo acima.

O que estou para analisar é que como é complicado encontrar pessoas que se livrem desse estigma de optar interinamente por uma decisão ou outra sem valorizar um mínimo conceito da sua oposta. Isso é uma falha da Educação que temos nos dias atuais, que ensina (exemplo claro disso seriam as dissertações que fazemos desde meados do ensino fundamental) que devemos interinamente sermos esquerdos ou direitos, e nunca centrais – claro que isso é um conceito idealista, mas nem tanto quanto se pensa, e Confúcio é prova disso – ou desenvolver múltiplas visões sobre um determinado assunto.

Claro que em certas situações há Verdades absolutas que exigem que se tome uma decisão lateralista: a defesa ao direito de viver é plenamente aceitável, em termos idealistas. Falo em idealismo porque há uma falha inerente ao ser humano: todo conceito universal acaba sendo personificado. Bem e Mal, correto e incorreto, verdadeiro ou falso, tudo o que atravessa a linha do parecer humano ganha posições distintas – daí muitas religiões orientais fazerem jus ao fator que não cabe ao homem o julgamento de determinados conceitos, e isso sim é uma verdade praticável – e dificulta um discernimento lógico, e alimenta uma dialética que muitas vezes é desprezível. Justamente pelo fato apresentado no primeiro momento: o extremismo, a visão bipolarista.

E em tais discussões que está o âmago dos preconceitos e dos estereótipos que rotulam a sociedade em que vivemos…

Resta ao nosso estimado companheiro de teatro compor um arcabouço consistente para embasar sua opinião sobre a própria opinião que possui acerca das coisas, bem como levar em conta, num âmbito de materialismo dialético, a multiplicidade que o teatro possui acerca de seus elementos, inclusive o mais complexo que é o ator (ou a atriz, não sejamos machistas)."


 Love: Alone Again Or

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Momento Poesia

Poemas Sobre As Rosas Do Asfalto (Ou Efeito Dos Espinhos)

Gentilmente cedido por Sir. Lucas V. para publicação neste espaço


"Tudo é feito pra me alegrar
Tudo é feito pra me divertir
Tudo é feito…
Sem efeito.

Mas sobre meu leito eu ainda choro
E insisto a entreter a razão
Que no caminho por onde moro
Moro ao lado de desilusão

E se não fosse tão simples
Talvez eu não entenderia.
Se a vida me entristece
Ou apenas me alivia

Com uma alegria suposta
Que ela tem a me mostrar
Procuro espaços para entender
Porque ela insiste em me calar

Para o lado de lá eu vou
Voltar pra me ver
Sentir que estou onde estou
Só para finalmente poder entender

Que saber é longe do meu existir
E a vida me aparece assim
E sem saber pra onde ir
Eu fico contido em mim

Por fim eu apenas me calo
Vejo por aonde vou me ver
Paro sobre o cheiro do ralo
E sinto que tudo é por merecer

Castigo-me com meus gritos
Abro as janelas e mais gritos
Todos somos mitos incalculáveis
Sobre palavras ditas inacabáveis

Lamentáveis lamentos para as rosas
Paro sobre as paisagens
Insisto em respirar só para lê-las
E ver porque estou aqui de verdade"


Experiências

Por Terra Preta Piemontense


"Nascer de um novo dia indisposto
O céu azul-rubro se demostra aposto

Temendo os espíritos noturnos
Ouço as vozes das alimárias diurnas
São os malandros sagazes e gatunos
Roedores à procura de alimentação: verduras

Céu azul-rubro de um novo dia indisposto
Se demonstra um nascer aposto

O sol que a colorir o espaço
Fere minha vista, viro-me e afasto
Mancha as ruas com sua vastidão
Esparsa cores: ciano, amarelo, vermelhidão

Azul-rubro se demonstra um dia aposto
O céu nascer de um novo indisposto

O bípede, supremo de si mesmo
Julga-se ser terreno
Liga chaves, acende luzes, aperta o botão
Um novo dia na indústria: a produção, a poluição

Se demonstra um novo indisposto
O dia nascer de um céu azul-rubro aposto

O tempo, absoluto por iminência
Mostra sua competência
Traz vapor d’água condensado
Chuva, tromba d’água: tempo ameaçado

Agora, demonstra o nascer aposto e disposto
O dia, o azul-rubro, o céu: exposto."


 Steve Vai: Genocide

Escrevendo Filosofias

A Deliciosa Arte de Anotar, Rascunhar, Tornar Manuscrito…


Escrita, s. f. Coisa que se escreve, arte de escrever; caligrafia; escrituração comercial.

Escrever, v. tr. dir. Representar graficamente por meio de letras (as palavras); compor (obra literária); redigir: escrever uma carta, um livro, um artigo para jornal; assinar. (do lat. scribere)


"Escrever, via de regra, é fundamental. Mas o que se vê são poucas pessoas que tem um costume de realizar a prática constante da escrita por prazer, ainda mais se tratando de internet.

Não quero parecer aqueles colunistas que buscam inesperadas experiências vividas na condução dos seus trabalhos, no lanche da cafeteria próximo das residências de classe média, do novo babado da redação do jornal. Mas, no fim das contas, fico parecendo com eles, e isso é até divertido. Estes buscam sempre cutucar aquele ponto de interrogação escondido atrás da nossa orelha sempre com uma história genial.

Bom… História genial eu posso não ter pela falta de atenção para apropriar-me dos fatos alheios, e memória para transcrevê-los num momento oportuno. E há certas coisas que possamos estar presenciando que nada merece ser levado em consideração. Aí reside uma dúvida pessoal, e nela reside o fator do que hoje tenho a tratar com vocês, comunidade internética: por que escrever?

Eu poderia fugir da responsabilidade dessa pergunta utilizando-me de uma inescrupulosa justificativa parnasiana: o escrever por escrever. Mas com certeza isso não faria satisfeito nosso prezado leitor. Escrever constitui um exercício da capacidade de argumentar, embora dependendo da constância desse exercício podem surgir dois tipos de argumentação: uma limpa, coesa e direta; e a outra, justamente o oposto, muito auto-justificável em si própria, e pouco significativa. E a atividade de escrever proporciona – para o bom escritor – um exercício mental de organizar as idéias.

E, modéstia em uso, acho que mais uma vez, como sempre, ando fugindo do assunto. Ou até que me digam o contrário…

Dizem também que aquele que lê bastante tende a se tornar um sucinto escritor, com todas aquelas características argumentativas de limpeza de discurso já citadas. Isso não constitui uma regra seguida à risca. Eu, no meu caso (e, confesso) não tenho um hábito constante de ler livros, e como você pode ver na lista Explorações Literárias, estou numa leitura, a passos de tartaruga, de uma revista científica, de cunho profundo e filosófico sobre o conceito de infinito, coisa que, mesmo acostumado a trabalhar – apesar da afinidade com as letras, meu objetivo está mais centrado na matemática – faz nós na cabeça tamanha sua complexidade.

Sabemos como é complicado o hábito de ler e tirar proveito disso. Tomando a mim como exemplo, necessito de pelo menos a leitura do mesmo texto no mínimo duas vezes para saber do que se trata. Há quem capture a idéia de relance, na primeira leitura. É uma questão de analisar as entrelinhas da literatura em questão. E, para quem trabalha com teatro, visualizar o subtexto e traduzí-lo numa linguagem corporal e vocal conjunta, coisa que, definitivamente, é digna de parabéns a aqueles que o fazem em uma única tacada.

E, acima de tudo, fazer opinião daquilo que se lê, para ter opinião daquilo que se escreve. Porque (pirando, agora) escrever é anotar sua personalidade no conjunto de palavras: elas expressam o que você é, o que foi, e quais as suas expectativas futuras.

E eu, simplesmente corro atrás de um jornal de vez em quando, para enganchar idéias bacanas e fazer complemento das mesmas quando julgar necessário, e fazer o assunto valer a pena, mesmo que seja só para divertir aqueles ávidos por uma boa leitura.

Pronto… Já falei demais… Agora vou para o meu cafézinho noturno."


Incrível… foi o Winamp que escolheu para tocar para mim…

 Queen: We Are The Champions

Ligeirinhas

Novos Conceitos, Boas Idéias


"Passando pelas regiões de Santo Amaro na segunda que passara (coisas pessoais a resolver), encontramos uma atendente simpática com um avental (ou camisa, não lembro) cor verde-telefônica paulista. O que ela fazia? Entregando uma coisa que há tempos desejava receber: um novo jornal grátis!

E me surpreendi com o que vi. Não é um jornalão daqueles que você tem que fazer piruetas para mantê-lo em pé no seu colo. E foi um jornal que pude ler em acumuladas quase uma hora. O primeiro jornal que consegui ler de cabo a rabo, no mesmo dia. Recomendo!

Quem interessar-se em conhecê-lo (ele também pode ser lido na internet), clique aqui."


 Genesis: I Can’t Dance

Capítulo Trinta e Quatro

Desajustado Com o Próprio Relógio


"Eram cinco da manhã. Celular programado para retirar-me do sono dogmático da inconsciência.

Tocou! Começa mais uma realidade… ‘sai da cama, rapaz! Carpe diem do ar livre, das plantas que balançam ao vento, do sol que desponta ao horizonte e calmamente desenha seu calor ponta-a-ponta do céu’. Mas nenhuma reação minha.

Lembrava-me que tinha uma consulta marcada comigo mesmo. Uma auto-análise periódica de alguém que existe comigo, junto de mim, que possivelmente poderia ser eu, ou talvez não poderia. E aí me lembrava daquele fonema impronunciável, indizível, totenizado e cravado por sua circularidade e via tudo aquilo que parecia não ter junção significativa numa certa época.

Ah… era uma época misteriosa! Mas parecia que tudo funcionava corretamente, numa incontestável ordem… Lembrava-me das conclusões sem fundamento acerca de coisas tão óbvias, e de outras fantasiosas e absurdistas que beiravam os limites da sanidade. Não eram bem loucuras, mas sim uma espécie de ‘reza-lendas’ que não é assimilado pela massa em geral, de tão sem características que se apresenta. As palavras e expressões ideomáticas perdiam totalmente o seu sentido figurativo e passavam a conotar a sua própria literalidade. E reconhecer o que era discernível ou não nesses aspectos era empresa confusa.

Mas voltemos ao raciocínio principal: por alguns segundos, intervalados ou não, me lembrava de certa época. As conclusões que me tiraram duma rotina que a longo prazo geraria meu futuro, através da Matemática, numa forma que eu gostava, que era apresentando-a a quem desejaria assimilá-la, fazdo um papel maior que um mero professor. Precisava de elementos adicionais para criar esse interesse, e sempre achei teatro um bom complemento para isso. E a auto-análise dos possíveis ‘eus’ era um elemento de acompanhamento para não deixar as conclusões mirabolantes acerca de tudo aquilo que me rodeia tomar conta de minha vida e não fazer de meu Chuqueberrismo uma verdadeira patologia.

Mas o sono dogmático da inconsciência era mais aprazível. Ele transcendia o tempo e podia trazer doces lembranças e extasiantes experiências para minha apreciação. Pena que ela durava menos do que poderia supô-la, e sempre não se justificava por completo. Ficava aquelas reticências para serem preenchidas, e o pensamento real não dava a liberdade de deixá-las fiéis ao seu conteúdo.

E, pela segunda vez, a mando pessoal, o celular me interrompia o meu sono dogmático magnífico para me trazer à realidade do compromisso. E poderia fazer da própria experiência do sono uma ferramenta de auto-análise, embora a fizesse apenas no meu íntimo.

Mas, no fim das contas, desisti da auto-análise e esperei por um outro chamado involuntário: o nascer de um novo dia."


 The Jam: That’s Entertainment

E, por favor, alguém poderia me recomendar um bom despertador-dinamite para nunca mais perder essas sessões de auto-análise?

Momento Poesia

De Volta à Vida Normal


"Incluso:
Faço-me distinto
De forma que o instinto
Não se sobreponha à razão

Excuso:
Não faças frente a uma loucura
Se fugir-se-á diante d’um alçapão

Desculpo:
A rosa vermelha deitada na cama
Frondosa, não me engana
Clameja pela minha atenção

Recluso:
Vivo sempre na amargura
Entretida em única compreensão."


Alguém compreende um poema existencial-desestruturalista?
 Doors: The Wasp

Trezentos e Sessenta e Cinco Dias de Caminhada

Parece até que foi ontem…

Da redação do BS


"O que na linha da internet pode significar um ano? Provavelmente uma eternidade em se tratando de uma linha histórica de um projeto. Quanto a mim, Terra Preta Piemontense, posso dar um exemplo concreto com meu descabido e infundado projeto finado, o ‘Núncia de Blogs. Começou baseado (se teve base) em teorias conspiratórias acerca dos paradigmas existentes da interação do mundo real com o virtual, quanto à sua essência, desencanando num momento em que já se tinha material inútil misturado com boas crônicas ficcionais, o que me obrigou a assassinar textos de certa criatividade e originalidade, aproveitáveis num futuro próximo, como textos crônicos e de cunho literário. Trocando em miúdos: ‘tirar o pai da forca’ em vão, quando este já foi degolado. Pouca coisa foi salva desse período, e, se não me engano, foi uma resenha de um livro de filosofia.

Há mais de um ano, procurei reiniciar do zero, tomando o máximo de cuidado em não gerar outro projeto falível, pois já nessa época vi a morte do Tang de Limão, a inatividade do Apedrejem a Inutilidade, e notar que precisa-se de dedicação e empenho para fornecer conteúdo de qualidade (respeitando-se a filosofia da aparente inutilidade dos blógues) e manter uma base de filosofia consistente naquilo que se faz. Com base nas explanações iniciais, fiz este Brejo do Sapinho.

Há exatamente um ano, pude fazer expressar todas as minhas facetas de jornalista informal, ativista incongruente ou como um símplice contador de histórias, recheando estas páginas com diversidades acerca daquilo que vivo, ou imagino viver, ou ainda simplesmente imagino, e embora seu epicentro se baseasse numa premiação informal e inocente (o Troféu Sapinho), o foco sutilmente mudou para um diário virtual, embora um elemento essencial (pelo menos do meu ponto de vista) nunca se perdeu: aquela famosa ‘coceirinha de cabeça’, a comichão intelectual infundida num cadinho de um texto livre das miguxices que infetaram a internet. Textos que, mesmo desencontrando-se, tinham um quê de inteligentes (sem auto-referências).

Sem falar em pessoas que contribuem para a popularização que tanto procuro difundir para provar que este espaço é francamente aberto a uma dialética e saudável discussão. Embora surgiu uma única candidata segura para se afirmar como colaboradora, ela já demonstra que a abertura de portas e o reconhecimento de leitores fiéis e participativos são possíveis. Abraços e obrigado a você, Bárbara Svenska, que esporadicamente deixa seu ar da graça conosco.

E não cansamos de repetir que esse espaço é aberto a qualquer um que queira participar, com um pequeno artigo, bloguetado ou literário.

Por fim, agradecemos a você, comunidade internética que, embora não possa participar ativamente devido às limitações que este serviço oferece a não-associados, agraciou-nos com as mais de 1700 visitas e referências assinadas aos nossos artigos. Sem vocês, não poderíamos fazer nada.

Mas mãos à obra. Vamos fazer nosso segundo ano tão produtivo quanto o primeiro!"


Animação pra combinar…

 Elvis Presley and JXL: A Little Less Conversation