Capítulo Trinta

Os Futuros Desafios de um Ator Teatral


"Osasco, Cidade da Catenária, reduto do Láite e de imitações de gêneros banalizáveis que afloram mundo afora… Faltam características que marquem positivamente este município abraçado à matricial metrópole paulistana. Há algo a mais que estruturas de concreto descendo conforme as newtonianas Leis da Natureza e coberturas fazendo o mesmo trajeto. Poderia ser esse diferencial estar na arte?

Eu estou vendo, não de uma maneira profética e imperativa, um movimento artístico próprio estar surgindo na cidade, uma Escola de Rock nos acordes das esculturas, uma CGBG da pintura artística, um Woodstock de eventos cênicos. Estou mais participativo nesse segmento.

Muitos acham que foi a virose do teatro se manifestando em mim, mas sinto que poderia estar mais integrado a essa esfera. Eis aí um desafio.

Ser ator é mais que apenas entreter. É um canal de indagação. Claro! Eu poderia estar falando plágio de centenas de pessoas do meio que ditam sobre o ‘ser’ ator como canal de reflexão e de expressividade. Mas o ‘ser’ ator devia ser substituído por um ‘estar’ ator, coisa que se muita gente pudesse compreender, com certeza o teatro poderia ser aproximado do público e não se tornar algo inatingível pela grande massa, visto que atores são vistos como deuses da dissimulação, tamanha sua habilidade (ou a falta dela) de assimilar num determinado momento, alguém que possa até ser oposto a ele. São muitas lendas a dissipar.

Contanto, não podemos desprezar a magia daquele que faz de um teatro algo orgânico, vivo, além do papel e do figurino, da iluminação e dos apetrechos: o ator, canal de interação entre as artes cênicas e o grande público.

E que essa interação seja mais que uma interação: ‘esteja’ uma interação unificadora sobre pessoa e teatro, que envolva sobriamente e beneficamente o espectador. Diferente do envolvimento com peças de concreto caindo do céu…"


 Zion y Lennox: Cuanto Tengo que Esperar Perreo Radio

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Momento Poesia-Prosa

Crepúsculo


"Noite:
Caldo da turvidão escura do mar
Esnevoaçada além dos limites do teto do mundo
Buscando a luz, fugaz, esguia
Por entre as neblinas a crescer e se ajuntar

Sol poente:
Bola de fogo fria
Despede-se com alegria
Procurando outras caras para encontrar

Coruja na árvore:
Olhos de fogo frios
Esnevoaçada além da alegria
Alimenta-se e a sua prole
Com camundongos fugazes, esguios

Ursa maior no céu:
Despede-se além do teto do mundo
Iluminando outras caras para encontrar
Sua bola de fogo na turvidez do mar."


 Tego Calderón y Abrante: Bambula

Capítulo Vinte e Nove

Crônicas de Uma Rotina


"Quebrar a rotina, algo tão simples e ao mesmo tempo tão complexo

Em casa, nosso reduto particular, fazer tão esplendorosa tarefa é transcender os limites do possível. Pois que fazer algo diferente da rotina requer muita criatividade e um pouco de esforço físico para, ao menos, mudar a cara da situação.

E que situação é essa? A situação é aquela velha mania ‘acordamos, comemos, limpamos, comemos, nos lavamos, aproveitamos um pouco do nosso espaço e dormimos’ e se repete todos os dias… Não que eu esteja reclamando da limpeza , mas, acima de tudo, deve haver outro propósito caseiro nessa questão cotidiana. Falta uma visita? Alguém seria o elemento surpresa apto a diferenciar desse cotidiano suas tarefas? Fazer do seu quarto sua academia de dança ou seu salão de controle de uma LAN House, solitária mas acompanhada à distância por outros, que nem você, que fazem, mais do seu quarto, um território autônomo do país, um local onde impera a sua cultura, suas crenças e vissicitudes, e onde se enterram suas queixas, angústias e expectativas furadas, sem resquícios de sua passagem?

Eu digo talvez quanto a mim: ainda não pude experimentar a total privacidade de meu reduto visível… ainda há um elemento que liga esse meu mundo ao restante do macrouniverso que nos permeia e ao qual passamos a permear desde o dia de nosso nascimento, de forma invasiva e cooperante (o que não intui uma invasão maléfica, por sinal). Esse elemento é este no qual vos falo.

Enquanto houver sem exclusividade esta ferramenta aqui, haverá outras pessoas em torno da quinesfera do meu quarto, local onde tento, na possibilidade do dia-a-dia, quebrar a rotina."


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 Perreo Radio: Puro Reggaeton! Escuchalo y Perrea!!! Tocando Felito y Hector: Masacre Pa

Resposta a um Manifesto

Carta para Bárbara Svenska


"Antes de mais nada, querida Bábi, li seu manifesto bem antes do que você imaginava, e você permitiu que eu publicasse um pouco de sua vida (nós conversamos a respeito disso via e-mail, meio de comunicação tradicional da internet), assim como publico os assuntos pertinentes à minha realidade, seja ela filosófica, pessoal ou de qualquer outro gênero.

O cãozinho acuado e coitado a que me referi do seu antigo consorte (termo que você diz e eu conheço muito bem também) era uma figura de linguagem, afinal, se você diz que ele não merece crédito, eu acredito. Pelo que te conheço, você jamais faria brincadeira com aquele a quem você está no momento com intenções maléovolas [hmmm… é assim que se diz???].

Momento cultura num reservado a seguir:


Coitado. adj. Digno de ; desgraçado; infeliz.


Como você pode ver, querida, usei as palavras no sentido correto da figuração de linguagem.

No mais, peço desculpas se você ficou mal-dita pela minha conduta de responsabilizá-la por tal atitude tomada com o Omar. Afinal, conto que fiz o mesmo em um momento de minha vida com uma garota. Mas isso é assunto particular, e as ocasiões não competem que tal ocorrência seja dita publicamente.

Mas, sobretudo, que fique tudo esclarecido querida Svenska, e que seus comentários e manifestos sejam sempre bem vindos."


Eu não lembro do que ouvia quando li o manifesto da Bárbara, mas o que estou ouvindo agora:

 DJ Blass: Daddy Yankee and Nicky Jam (Perreo Radio)

Bárbara Dialoga: Três

Um Manifesto Muito Peculiar (Carta para o Chefe)

Por mim mesmo, Bárbara Svenska!!! Com muito orgulho…


"Sim, esse é um e-mail que enviei direto para o blog. Talvez o chefinho se dê conta deste manifesto no dia 18 de abril, quem sabe…

Chefe… quem é um cãozinho coitado e acuado? Aquele Omar me deixava esperando nos encontros, por um ano longo, dos cento e cinqüenta encontros que tivemos, cento e doze ele se atrasava mais de vinte minutos. E eu tive a paciência de aqui, em Floripa, em me sujeitar a uma tentativa de intromissão que, se o mané apresentasse a arma, seria assalto. Ah! E você se pergunta… Sim!!! Contabilizo tudo nos meus relacionamentos, exceto os beijos…

Eu só quero deixar claro ao meu público querido e estimado que não sou a vilã nessa história. Um cara que não cumpre suas obrigações como consorte (digo, namorado) deve ser definhado em sua personalidade e em seu ego para aprender que não se deve deixar esperando uma moça tão bem apessoada e barbaramente (usando o trocadilho do chefinho) linda como eu, sujeita a ene tipos de risco… Ele bem que teve o que mereceu.

E este ato do ‘Vigésimo Sétimo Fonema’, chefe, está passado. Isso foi conversa para deixar você cabeludo,essa coisa do ‘estar atrás de um legítimo hispânico’ era para chamar a sua atenção, já que sua família tem um ‘poquito’ de sangue hispânico (óbvio que você não caiu porque não é legítimo). Estou na encolha e tranqüila… diria que, se estivesse desesperada, estaria agora tentando achar bofe no programa da Cicarelli. Mas isso pra mim é puro mico…

No mais, achei divina a mênção de ‘russo-húngara’ que você me fez. Não desprezando minha brasilidade, lógico, mas isso me deixa chique, mais do que posso suportar em condições normais.

E um beijo para nossos conterrâneos, chefinho. Quem sabe, logo visito vocês aí?"


 O que será que o chefinho está ouvindo agora?

O Vigésimo Sétimo Fonema: Vinte e Oito

Uma Razão para o Projeto


"Por que ‘O Vigésimo Sétimo Fonema’? Parece-me conveniente explicá-lo hoje…

Em Julho do ano passado, deduzi uma das teorias atônitas e descabidas que, quando tornamo-nos à realidade, vemos que são furadas. Ela tem a ver com a tabelinha que montarei a seguir.


1 2 3 4 5 6 7 8 9
A B C D E F G H I
J K L M N O P Q R
S T U V W X Y Z ?


Pois bem, achava que para cada letra correspondia um número, conjunto da soma dos números da sua ordem no alfabeto. Assim, como exemplo, jota é a décima letra, então 1+0=1. Daí não haver zero nesta lista. Era como se fizesse a numerologia das letras.

Se fosse só isso… mas cismei com tal tabela que acreditava que invertendo a ordem numérica e adicionando um ‘código de complemento’, criaria uma ‘chave-mestra’ quebra-senhas, o qual nunca testei. Acreditando ser um segredo de Estado, passei a me atuar de maneira estranha na preservação dessa teoria de ‘domínio internético’… quanta bobagem que me rendeu algo parecido com meu Chuqueberrismo, cujo sintomas não são nada agradáveis aos olhos de quem não compreende tais simbolismos.

Essa foi a parte clínica-realística do motivo de surgir esse projeto literário. Agora vem o motivo idealístico-poético.

Sabemos que há vinte e seis letras no nosso alfabeto romano, e cada uma correspondia a uma casa numerológica, formando uma tríade completa… até a casa oito. Na casa nove, faltava uma letra que completasse a tríade. Ficou então um ponto de interrogação neste espaço.

Completar com o quê então? Poeticamente, há uma letra do alfabeto grego que simboliza o número áureo, e como mênção de bom matemático que pretendo ser, achei o ‘phi’ a melhor escolha para preencher essa lacuna. E qual seria sua pronúncia? Algo engasgado tipo um assobio arredio e abafado. Daí ser esse assobio ‘ph(…)’ o Vigésimo Sétimo.

No entanto, confundi letra com fonema, e o ‘phi’ ‘phicaria’ [quanto senso de humor…] na realidade, em outra posição na inscrição dos fonemas que talvez não seria a vigésima sétima.

Mas, no fim das contas, o nome pessoalmente acabou pegando, e a idéia poética permanecendo."


Sobre os Vigésimos Sétimos

 Projeto integração OVSF papel-blog


"Citações incríveis são feitas em épocas em que estamos altos, de tal maneira que atingem um ápice filosófico na composição de idéias soltas, assim como as inscritas neste ato de abertura dessa entrada.

Osasco, terça-feira, 22 de agosto de 2006

Nascem essas pessoas, com pretensões tão absurdas. Planos irrealizados, acumulando ao longo do tempo. Idéias permeantes e permanentes sob seus cérebros, cogitando-o para uma ou outra opinião. Em suma, são decisões bipolares que custam muito sobre tais espíritos coitados, que na conjuntura das idéias subdividem seus ‘eus interiores’ e os estarrecem numa deflagrada situação que, pertinentemente não lhe é resolvida. [Alguém aí entendeu alguma coisa? Pois eu mesmo nem lembro mais o que significa.]

‘Tipo aquela russo-húngara chamada Bárbara Svenska. Nasceu modestamente na Cidade D’Itália [isso faz uma pressão grande para se escrever], viveu naturalmente até aos idos dos seus quinze anos, quando um pungido e sinistro americo-lusitano, filho de ciganos, chamado de Omar Neshkar, compareceu sem cartão de visitas em sua vida. Ela, Bárbara [saca só a figura de linguagem nesse adendo], sentiu-se lisonjeada perante tal incurso em sua vida. Já não dormia, levantava-se e ficava de pé por diversos momentos, e estes não passavam.

A marcha do tempo de um relógio é implacável.

Barbaramente, ela guinou sua vida de novo, ao saber que seu ibero-americano Omar estava na turvidez de seu pensamento, confuso, distraído e retraído, feito cachorro – coitado – acuado. O mais interessante? Foi a própria srta. Svenska que o deixou assim…

Anos após, ela decidiu mudar suas metas: decidiu perseguir, sadiamente, um legítimo hispânico (…)’ [e essa história vai longe…]

[Vem então, um questionamento pessoal…] O que seria, portanto, essa nova Ordem mundial? O princípio? O fim? Os meios que se justificam-se?

Não, não!!! Tudo errado… Começamos do zero novamente, então.

Pra que mudar? Pra deixar tudo confuso de novo, amigo leitor? Não se preocupe: você não está sozinho… Eu estou contigo."


 Eagles: Desperado

E a seguir, uma imagem mais nítida daquele companheiro observador, o Wishbone.