O Vigésimo Sétimo Fonema: Vinte e Três

Parábolas vivazes


"Tipo que eu me lembre agora de uma pequena historinha envolvendo meu filosófico sapinho Uílto… quando ele não era tão verde e peludo e vivia nos verdadeiros brejos da vida.

Era um local onde cada sapinho podia, a título de Pasargadense, podia escolher sua rã, sem complicações, afinal, havia quase uma rã para cada sapo. Esse ‘quase’ significa em realidade que alguns sapos não teriam sua desejada parceira.

Bom… só que esses alguns em número significava um solteiro, e o (in)felizardo era justamente o Uílto, e não era falta de correspondência. Havia justamente uma que vivia numa indecisão amorosa, por um simples sapo ou pelo forte gênio crítico de nosso aclamado amigo, e seu nome era Tífane.

Tífane e Uílto: um casal sem dúvidas e incertezas, como sal e açúcar no soro caseiro.

Impedimentos? Só um… Uílto não se expressava muito bem nas palavras fonadas.

— Então, hã… Tífane… sabe como é… sei lá! — Muito produtiva a conversa de nosso amigo sapinho.

— Você, meu amissíssimo Uílto, precisa expressar-se melhor. Como irá querer que eu converse contigo se você não busca assuntos para conversarmos? Ora, sei que você é um grande escritor filosófico… Comente mais sobre suas peripécias através do pensamento.

— Sabes o quanto se torna vã cada teoria na qual mais nos aprofundamos nela? Melhor fora que não nadássemos nas águas geladas para descobrir mais além da ponta do iceberg — na filosofia o Uílto era gênio [até hoje o é] — o que significa que pouco devemos nos preocupar em nossos anseios e fazer de nossa filosofia de vida um ponto de vista mais prático…

— Como assim? O que você sugere?

— Nossos girinos podem ter meu nome?

E uma amizade tão ponderada termina num incontrolável desejo que, para Tífane, era grosseria por ainda ter a juventude a curtir, sem pensar na prole, afinal seria uma carga de responsabilidade grande para tão jovem rã. Decidiu, então, ficar com um símplice sapo, que anseiava curtir uma vida, no momento, sem responsabilidades.

E assim nosso estimado amigo, desiludido pelo amor, decidiu migrar de seu brejo, cultivar sua pelugem e esperar por um novo motivo para filosofar na Cidade D’Itália, observando sutilmente, numa vitrine, com outros animais, a movimentação humana, e a pensar em seu amor perdido, a Tífane, que por um motivo de continuidade familiar, rejeitou uma mente tão brilhante neste grandioso mundo anfíbio."


 Eric Clapton: Layla

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