O Vigésimo Sétimo Fonema: Quatorze

O ‘Ser’ Um Escritor


"A vida caseira é um tanto quanto afoita a novidades

Encerrado entre quatro paredes, podemos perceber que nos fazemos prisioneiros de nós mesmos [típico papo de urbanóide]. Com medo do desconhecido, fechamos nossas portas e janelas, conosco dentro, em razão da nossa própria segurança e daquilo que achamos que nos é precioso. Enfim, dizendo, estamos nos encarcerando num ato coletivo de prisões domiciliares.

Mais que nos encarcerarmos fisicamente, estamos nos prendendo psicologicamente diante das outras pessoas, e poucos conseguem superar essa atitude retórica pessoal de proteção à identidade. Pessoalmente, acho que esta é uma barreira a ser derrubada de uma forma bastante radical para tornar a vida caseira, diante de uma máquina sujeita e submissa, mais inflada de comentários que não sejam batidos e de assuntos que façam a pessoas como eu tornarem-se verídicos escritores, munidos de toda observação do mundo que o rodeia.

O respirar de poeira pode causar males psicológicos e sociais à percepção externa. Passamos a ver, sob falta de influência direta da luz solar, grilos em nossos óculos, repousantes sobre a mesa, ou à area de trabalho [uma explícita referência a ‘Pausa’, de Mário Quintana], com o desejo pessoal nosso de reprimir a profunda realidade, e deixar o pensamento e a imaginação mergulharem em nosso cotidiano. Mas respiramos ar e poeira, e percebemos que não podemos nos deixar voando ou submersos em água sob qualquer cincunstância.

Viver na imaginilidade ou mofar no velho cotidiano de uma pessoa comum, com problemáticas comuns, e poucos assuntos a esclerosar – digo, esclarecer – em busca de um riso, ou um pensar num estudo de caso… a dialética psiquiátrica do escritor…"


 Yes: Soon

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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