O Vigésimo Sétimo Fonema: Nove

Filosofando [como sempre, todo dia, às manhãs e na hora do almoço] sobre as discrepâncias da saúde mental


"Dias desses numa conversa com minha querida amiga Bárbara Svenska contei para ela minha real situação, denominada clinicamente de Chuqueberrismo Pródigo Velvético Revolvírico. É um pequeno distúrbio que ocorre quando se ouve mais de quinhentas horas de qualquer música alternativamente comercial como Rock ou Eletrônico num prazo de quatro anos. Há convulsões espasmódicas da sombrancelha esquerda ao se ouvir elementos musicais como Mc Serginho & Lacraia, Menudos, Rebeldes [sem causa, e ainda por cima descombinando o figurino] e outras latinices do gênero [embora da terra do Rico Mártir surgiu nos últimos tempos uma coisa bacana chamada Reggaeton] e contrações semi-voluntárias da língua entre os dentes quando se ouve alguém falar ‘eu amo os’ tais descritos aí em cima.

Relutei por muito tempo contar sobre esse disturbiozinho para alguém, achando que seria recriminado por apresentar tais cinesias espasmódicas, ainda mais num país onde os não-disturbiados encontram-se num patamar musical em que Deus abusa de seu charme para desenhar alguém e acham que tal ideologia é bonitinha, mas que, com certeza, no fundo, bem no fundo, devem estar se corroendo com tamanha disputa. Mas descobri que a falta de aceitação é o pior remédio, ainda mais numa época em que os grupos de apoio aos Emos estão começando a ficar presentes em nossos centros urbanos. Sorte que tenho uma conveniação com a FM da USP, onde esporadicamente posso ser injetado com doses cavalares clinicamente aprovadas de MPB de qualidade, e não preciso recorrer-me aos tratamentos Emos de alisamento de franjinha e maquilagem ao estilo Bob Smith.

A Bárbara deu-me o maior apoio, e irá até se consultar com especialistas lá na sua cidadezinha de Samara, pois acredita ter os mesmos sintomas, embora ela diz fazer uso imensurável de um bom Pop que recomendei a ela: um CD duplo do Elton John (que, lá na Europa, é triplo). Ela, caso seja diagnosticada com esse engraçadinho distúrbio [ah vá… quinhentas horas em quatro anos são poucas coisas de Rock e Eletrônico pro meu gosto] diz não se sentir reprimida em dizer que é Chuqueberrista bem alto lá naquelas ruas.

E… convenhamos, para fins de papo: lá na Rússia, afora a comunidade luso-brasileira, ninguém irá entender o grito de uma descolada doidinha mesmo. Então, que importa?"

Sou Chuqueberrista, e daí???


 Elton John: I’m Still Standing

E, por favor, Comunidade Internética: olha o juízo, que o meu já foi assim que eu, por exemplo, comecei este meu blógue.

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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