[…] Crônicas de um Fim de Curso

A Arte de Escrever à Mão; um pequeno descritivo de um dia na universidade

Nova coluna estreando: ‘Canetas ou Lápis, e Teclas’


Crônica. s. f. Narração histórica, segundo a ordem dos tempos; noticiário dos jornais; comentários literários ou científicos, que preenchem periodicamente uma seção de jornal; (fig.) biografia escandalosa. (do lat. chronica)


"De uma certa maneira, o texto que escrevi não figuraria nas idéias descritas acima, a não ser sobre comentários… para preencher o tempo em que não estive aqui [na prática, pois que em tese apareço muito aqui para fazer uma correçãozinha aqui, um ajuste acolá, e por aí vai].

Esta nova seção que inauguro para a Comunidade Internética tem um quê com a de ‘Livros‘, por se tratar, também, de literatura, mas com um pequeno diferencial: para textos que [num primeiro momento] não pertençam a livros, ou coletados de histórias. Seção aberta aos aspirantes de escritores e aqueles que botam os punhos [e depois os dedos] para funcionar Naturalmente, pertenço a esse grupo despretencioso que põe cabeças a funcionar a serviço de uma literatura descentrada e descontraída, longe de sermos grandes escritores [ou enroladores de lorotas… que é mais o meu caso].

[hmmm… falei difícil, vamos simplificar…] Quer publicar um texto amador? Ele irá aparecer aqui!

E pensando que título iria dar para essa categoria… Para não cair na mesmice, fica sendo ‘CL & T‘. Canetas ou lápis para fazer referência aos textos que começamos rascunhando à mão [e não há ‘Papel’ na história porque podemos escrever em ‘quase’ qualquer coisa] e teclas por repassar os textos em computador. De uma certa maneira, também ficam valendo aqueles textos que produzimos diretamente via teclado, mas, além de perder aquele gosto de escrever, conta o fato que fica difícil inventar, ainda mais quando o texto é longo, e queremos ver alguma coisinha escrita anteriormente, mais fácil aquilo que está à mão que rolar na tela. Quem escreve muito tem idéia do que digo.

Sem papo a mais: o texto a seguir se auto-explica na intenção de escrever por escrever [parnasiano, não?]. Redigido originalmente numa [parca] folha de caderno."


Osasco, 19 de Junho de 2006

"Cá estou eu, fazendo uma coisa inusitada: escrevendo um texto [ou crônica, ou sei-lá-o-quê]. Inusitada, porque há anos o que passo no papel são textos a título de trabalho, equações matemáticas e proposições lógicas. De repente, a gente se vê naquele trabalho, compensador e quase artístico, de pegar um lápis ou uma caneta e jogar letras ao vento, logicamente arrumadas para compor expressões de sentido profundo [ou logicamente sem sentido, como muito do que eu escrevo].

Hoje fazem-se o fim das aulas na universidade. Motivos de tranqüilidade para uns, ‘estudar mais’ para outros… E aqui não há mais crianças falando ‘que saco é esta escola’. Aqui é universidade! E [por enquanto] entra quem quer [ou, na pior das hipóteses, quem precisa].

Lugar: o Reduto da Matemática. O ruído das ventoinhas ecoando levemente pelo local, o barulho das folhas virando e dobrando, e, certas vezes, algumas gracinhas entre amigos. São vistos os icosaedros e dodecaedros pendurados ao teto, mesas circulares e quadradas, outras formas regulares sobre uma estante na entrada e um ‘pequeno fardo’ aos nossos professores, mestres e doutores, carinhoso presente de veteranos. A cruz dá o tom da graça ao local.

Ali, freqüentadores assíduos, regulares, ocasionais e turísticos. Mas nunca invasores. No máximo, bajuladores [tal como eu, que ali pouco fica para estudar e mais para tirar os outros da concentração].

O Corpo Docente? Composto de figurões dos mais variados tipos e humor. Alguns militarizados, outros discretos, certos deles são intimistas e ameaçadores [o que, caro leitor docente, não indica que tal comportamento assombroso seja negativo… pelo contrário, torna tudo mais divertido]. Ou seja [em meu ponto de vista]: gente [a] normal, como eu e, talvez, você.

Serão, enfim, cerca de quarenta e cinco dias longe desse contexto [hmm… fugiu a palavra] de lógica e respostas diretas. Fim de trabalho por enquanto, pois Matemática é um homeopático bem concentrado, e o uso contínuo pode provocar efeitos colaterais prolongados.

Quando se vê, já passaram das onze e meia, não só o mundo matemático pára, como todos os outros desta grande nave espacial a nos abduzir para a galáxia do conhecimento científico, com todo um arsenal tecnológico para usar e descobrir.

E descendo as escadas, podemos ter a chance de encontrar um humilde e amigável faxineiro, o responsável por manter essa nossa segunda casa, nosso tão comentado lar."


COMPANHEIROS professores: não se sintam ofendidos… mas que graça teria se vocês não fossem assim?

No mais, esse texto não fica parecendo uma crônica, só uma miúda descrição, que talvez precisasse de mais alguns detalhes, mas como pretendia não modificar o texto original [muito]…

Em breve, mais algo para falar [e está na pendência uma Maçã Verde, pronta a ir para a feira].


Pop Show

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Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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