Falando de Filosofia

Um breve contexto histórico sobre esta que é a mais controversa das áreas humanas


Filosofia. s. f. Ciência geral do conhecimento das coisas por suas causas ou primeiros princípios; sistema de princípios que tem por objetivo agrupar uma certa ordem de fatos para explicar; cada um dos sistemas particulares de filosofia; doutrina filosófica (do gr. e lat. philosophia).


"Filosofar implica em fazer uso de uma ferramenta muito aguçada de análise da auto-análise. Filosofar sobre a filosofia, então, constitui o mais alto grau de análise conhecido [em meu humilde, nada-filosófico e mortal ponto de vista]. Decerto, se muitos pensarem bem, talvez a filosofia não seja uma área estritamente humana [e ela tem suas categorias de lógica também] e, talvez, compreendendo-a em seu aglomerado de cunho lógico, seja possível desenvolver a inteligência artificial para a computação: não há área de conhecimento que explore de tamanha forma o funcionamento da conduta e da lógica humana.

Apresentações à parte, podemos dizer que todo mundo filosofa alguma coisa, inclusive blogueiros. Há filosofia para discutir a essência do ser, como para discutir sobre coisas esdrúxulas e até inexistentes. O exemplo clássico: ‘Vou parar de pensar!’ [dããã]. E você pára pra ver, já pensou alguma coisa, e já pensou a respeito da situação, e se continuar matutando [tal como o sujeito que vos fala] chega à conclusão que não dá pra parar de pensar. Sinuca de bico? Pelo menos essa não. Pior as outras [deixemos-nas para as Maçãs Vermelhas].

Como andei me deparando com o seguinte livro no segundo ano do colegial, mas sem lê-lo profundamente, e tinha a oportunidade [necessidade, podem interpretar alguns] recentemente de analisar um livro, lembrei deste [sem falar na curiosidade de entender o que Descartes queria dizer a respeito de nossa existência ou consciência] e pronto… olhos nos livros.

Richard Osborne fez um trabalho de compilação em Filosofia para Principiantes, que dá uma base inicial para, não de fato, entender filosofia. Mas sim, a meu ver, um condensado a respeito dos pensadores ao longo dos tempos, e suas contribuições mais visíveis ao mundo. Uns bem entendidos, outros complicadores, determinados radicais, extremistas, subversivos… encontra-se filósofo pra todo gosto.

Adiante, uma síntese do livro, feita no meu extinto ‘Núncia de Blogs, e utilizada para Atividades Culturais. Portanto, caso a Comunidade Internética [n. e. os leitores] cheguem aqui por meio de pesquisa e com fins de Atividades didáticas, pode fazer uso do texto apenas para ter base, o que não descarta a leitura. Recado aos professores: exijam uma pequena análise sobre o livro. Para quem quiser fazer uso integral deste material sinta-se à vontade, desde que fazendo referência ao nosso BS [n. e. o Blog] nesse endereço. Ficaria muito agradecido pelo reconhecimento, bem como pela propaganda do espaço [‘merchan’, amigo!]."


"O livro trata-se do assunto ‘Filosofia’ sob o contexto histórico de cada época e a contribuição desta para a formação da cultura, além de se ater ao contexto filosófico dos principais filósofos e como eles se evoluíam conforme os tempos. Aqui serão apresentados alguns dos principais pontos do livro.

A filosofia, no significado do termo, quer dizer ‘amor à Sabedoria’ mas a Sabedoria propriamente dita foi conceituada de maneiras diferentes no decorrer da história do homem. Bertie Russell definiu a filosofia assim: ‘A filosofia é a terra de ninguém entre a ciência e a teologia, exposta a ataques dos dois lados’. A definição dada por Russell dá a idéia do relacionamento da filosofia ante a sociedade e a humanidade no geral, no decorrer da sua existência.

Há um consenso geral entre os Filósofos de que a filosofia surgiu na Grécia, no século VI a.C. Nesta época os gregos desenvolviam, através das artes, o conceito de governo e de democracia, além de se firmarem como grandes navegadores do Mediterrâneo.

Tales é considerado como um dos primeiros filósofos, por separar a ciência da magia e pensar sobre o mundo sem pensar primeiro em Deus. Surgiram logo após Pitágoras e seu raciocínio a respeito dos números e do Universo; Heráclito e o fluxo de todas as coisas; as partículas elementares básicas, de Parmênides, Leucípo e Demócrito. Sócrates preocupava-se com a Ética e a moral, descobrindo o que era justo, verdadeiro e bom.

Platão, discípulo de Sócrates e quem transcreveu seus ensinamentos, em razão de sua morte, fundou a Academia e desenvolvia seus conceitos, como a Teoria das Idéias, o Problema do Terceiro Homem e seu senso de Política. Aristóteles, aluno da Academia, classificou o conhecimento e discutiu vários temas, como a Lógica, a Estrutura da Língua, a Metafísica e a teoria da Causalidade, a Ética, Política, Biologia e Poética.

Nos anos de declínio da Academia, surgiram diversas formas de ceticismo, que tomaram conta da esfera grega da filosofia, estas afirmando que era impossível fazer afirmações significativas e fazendo da dúvida o principal tema de discussão.

Em Roma surgiram os estoicistas, cujo impacto se deu no campo da ética. Surgia também o epicurismo, onde o bem supremo era o prazer. Estas foram as últimas correntes filosóficas do período greco-romano.

Com o advento do cristianismo, a filosofia toma outro formato, mais metafísico e interessada na alma, tornando-se um livre-pensar cristão. Dentre os filósofos, Plotino desenvolveu a idéia de Trindade (O Uno, O Nous e A Alma).

A Igreja fortalecia-se como instituição enquanto do declínio do império romano. Surgiram quatro sujeitos – Os Doutores (Ambrósio, Jerônimo, Agostinho e Gregório) – que estabeleceram o papel da Igreja filosoficamente. Santo Ambrósio defendia o papel de superioridade da Igreja sobre o Estado. São Jerônimo defendia a preservação da virgindade e traduziu a Bíblia. Santo Agostinho definiu a instituição Igreja livre dos pecados, a entidade de Deus e sua relação com o Tempo.

Surgiu o período da Idade das Trevas, onde as lutas contra os bárbaros; e a cisão do Império Bizantino foram marcos importantes. Na Irlanda, reduto de estudiosos, o conhecimento grego foi difundido e ampliado, para depois ser redistribuído para a Europa. No Mundo Muçulmano, onde o Islamismo era surgente, Aristóteles tornava-se filósofo-base para os árabes. Surgiram Kindi, Avicena, Averroes e Maimônides.

A Escolástica surgiu como corrente filosófica no século XI, ela teve como alvo o ensino nos monastérios e seu maior expoente foi São Tomás de Aquino, que tentou sistematizar todos os ramos do conhecimento, modificando a essência as identidades Deus-Mundo, Conhecimento-Realidade, Fé-Razão. Roger Bacon, Duns Scotus e Guilherme de Occam foram outros grandes escolásticos.

A Estrutura Medieval Feudal enfraquecia-se, a Inquisição e a corrupção na Igreja e o surgimento da classe burguesa transformaram o mundo do século XIV e XV. A Filosofia pôde-se desgarrar do cristianismo, e a Escolástica tornava-se antiquada: era a época do Renascimento.

Surgiu novamente, com novas premissas, a filosofia política, esta iniciada com Maquiavel, que defendeu o uso de força, astúcia e meios corruptos para conseguir e manter o poder. Embora parecessem rude estes argumentos, eles demonstravam a real situação da política que perdura até os dias atuais.

Sucedeu-se a Reforma, e pensadores como Lutero e Calvino lançaram as bases de uma Igreja mais centrada nos ideais da época de Cristo. A Igreja Católica, para frear o Protestanismo surgente, fez a Contra-Reforma como resposta.

No campo científico, surgiram Copérnico, Galileo Galilei e Isaac Newton com suas grandes descobertas. Francis Bacon lançou as premissas da ciência através de incansável experimentação e observação e Thomas Hobbes constituiu uma representação mecânica do universo e da sociedade.

Desse período surge René Descartes, que lançou as bases da filosofia moderna, argumentando que toda a filosofia passada necessitava de fundamento sendo examinada e sistematizada. Com seu sistema de dúvida cartesiana, de aceitar idéias claras e definidas, dividir os problemas em tantas partes quanto necessárias, ordenar os pensamentos simples ao complexo e verificar possíveis lapsos, desenvolveu suas idéias do ser como uma coisa pensante (‘Penso, logo existo’) e que a mente era capaz de conhecer as coisas externas porque Deus também existe pois ele é a causa de nossa idéia de perfeição dele. Afirmou que o corpo era separado da mente e ambos operavam como relógios sincronizados.

Spinoza, seguidor do racionalismo de Descartes, afirmou que Deus e natureza são o mesmo elemento, e mente e corpo são características desta substância única. Leibniz, ao contrário, postulou uma infinidade de substâncias infinitesimais chamadas mônadas, independentes, imateriais e atemporais.

John Locke lançou as bases do Empirismo, em que a mente só adquire idéias através da experiência. Afirmou que estas experiências são de dois tipos: sensoriais e reflexivas. Que a partir de idéias simples, a mente constitui idéias complexas através de combinações, comparações ou abstrações, e que os objetos possuem qualidades primárias, existentes neles, e qualidades secundárias, que produzem idéias na nossa mente. George Berkeley adicionou a idéia de percepção de Deus frente aos objetos e as nossas mentes perceptivas, mas afirmava que as idéias das coisas não são capazes de reconhecer as coisas propriamente ditas e que as idéias abstratas eram idéias particulares apenas. David Hume, com suas dúvidas sobre a Teoria da Causa e Efeito, tentando fundamentar o empirismo, acabou por desintegrá-lo.

Locke, como filósofo político, opunha-se ao Leviatã de Hobbes, obra política absolutista e defendia o direito de propriedade privada como direito natural do homem, e que este homem é livre, mas vive em sociedade para manter sua propriedade. Locke influenciou o Iluminismo por colocar o Legislativo acima do Executivo, modelo de governo adotado na Inglaterra daquela época e em todos os sistemas Republicanos de hoje. Voltaire, Montesquieu, Rousseáu e Goethe foram outros grandes pensadores do Iluminismo europeu.

Immanuel Kant foi o filósofo que sintetizou sistematicamente o Empirismo e o Racionalismo, eliminando as dissidências que haviam nessas duas correntes. Disse que sem os sentidos, não perceberíamos objeto algum, mas sem entendimento, não formaríamos conceito algum do objeto. Tempo e espaço são lógicos e absolutos. O pensamento está dividido em categorias que estruturavam o modo como percebemos a realidade. Para Kant, o emprego da razão é na prática, conhecendo o mundo.

O idealismo alemão, escola filosófica de Kant, gerou Fichte, Schelling e Hegel, e este último geriu a idéia de uma interligação entre tudo. Seu sistema dialético partia de uma tese, e uma posição contrária, a antítese. No fim, a síntese abrangia o resultado entre as duas. Essa síntese seria uma nova tese, com antítese e síntese correspondentes, e assim indo até se gerar uma idéia absoluta, uma síntese última. A filosofia foi posta neste sistema, e o próprio sistema hegeliano se tornava a idéia absoluta de toda a dialética – ou contradição – da própria filosofia.

A partir daí, muitos filósofos se encaixavam como seguidores de Hegel, sejam esquerdistas como Feuerbach, Marx e Engels, centristas como Rosenkranz, Lotze e Sigwart, direitistas como Daub e Goschel; ou opositores, como Schopenhauer, Kierkegaard e Nietzche. Este último minou a filosfia com sua perversão ao cristianismo, e sua idéia de Super-Homem, que foram o motor filosófico do nazismo alemão no século XX, mas algumas de suas idéias foram influentes para a psicanálise, criada por Frued.

Marx foi influenciado pelo método dialético de Hegel, mas rejeitou seu conservadorismo e idealismo. Conhecedor das classes proletariadas, fundou o materialismo dialético, e desenvolveu o pensamento econômico e refletiu sobre os modos de produção, sobre as relações entre as pessoas dentro do sistema capitalista como mercadorias e a mão-de-obra é vendida às elites capitalistas numa troca aparentemente livre. Com Engels, a obra de Marx foi determinante para o surgimento do socialismo, e deste para o comunismo do século XX.

Marx, assim como Wittgenstein, declararam o fim da filosofia por ela estar muito metafísica e hegeliana, e pelo fato da ciência estar mais prática e capaz de resolver os problemas que a filosofia não estava apta a resolver. Mas mesmo assim surgiram muitas correntes filosóficas.

No século XIX, na Inglaterra, longe da influência de Hegel, surgia o Utilitarismo, representado por Bentham e Stuart Mill. Na França, o positivismo de Comte. O evolucionismo de Herbert Spencer foi influente, numa espécie de darwinismo social. Nos Estados Unidos, o pragmatismo de C. S. Pierce, William James e John Dewey.

Para o século XX, Gottlob Frege deu início à filosofia analítica, mais lógica. Expoentes dessa corrente foram Russel, Whitehead e Gödel. De Wittgenstein, surgiram os filósofos da linguagem comum (Ayer é um exemplo de atuante) e os positivistas logicos – o círculo de Viena.

Brentano, Husserl e Heidegger deram início a escola fenomenológica, que evoluiu para o existencialismo, nas mãos de filósofos como Jean-Paul Sartre.

O século XX teve filósofos que adicionaram conceitos ao marxismo, como George Lukács, Antonio Gramsci e a Escola de Frankfurt, que no uso de psicanálise e do existencialismo, tentou conciliar Marx e Freud.

A corrente lingüística de Saussure deu início à escola estruturalista, com expoentes como Lévi-Strauss, Lacan, Foucault e Althusser, este último também de uma corrente marxista mais ‘científica’. Esta escola, que tratava dos signos nas estruturas de linguagens, evoluiu para o descontrutivismo e o pós-estruturalismo, fundamentados na figura de Jacques Derrida. Estas correntes filosóficas carecem de uma análise de onde se erguem suas paredes na história da filosofia, assim como elas mesmo minam todo o conceito de racionalismo da filosofia ocidental desde o seu princípio.

Mas o que mais se observa na filosofia desde Sócrates é a ignorância à mulher. Mas surgiu-se em meados do século XX o feminismo, cujo intento é dar uma linguagem feminina à filosofia, e que junto das correntes modernas filosóficas, estão destruindo a idéia fundamental da ‘verdade’ absoluta, tão buscada pelos gregos. A filosofia, nos últimos tempos tem sido questionada em todos os seus aspectos, o que faz com que ela seja um ramo do conhecimento dos mais complicados de entender."


Análise final

"O Livro: faz um tratamento bastante geral do assunto, e não é maçante [trabalho ilustruado por cartunistas], e base-guia para conhecer as principais obras de cada filósofo.

As correntes filosóficas: as mais modernas e mais lógicas, a Racionalista, a Empirista e a Escolástica apresentaram-se mais interessantes do que as outras. A primeira se relaciona com o aspecto mais humano da Matemática; as outras, buscam achar as certezas através da descoberta ou observação; a última, embora acorrentada às diretrizes da Igreja Cristã, buscava explicar Deus de um modo mais concreto.

Os pensadores: a maioria muito estranhos… mas ainda são legais. Só uns são rudes demais e grosseiros [não deseje conhecê-los pessoalmente… pode acabar adquirindo ódio violento, e isso filosofica e biologicamente faz mal].

Enfim: quer filosofia? Começe por aqui para não ter dor de cabeça."


ESSE pôste está aqui nesta categoria por se tratar de análise de livros publicados por outrem, mas também se encaixa perfeitamente na categoria de Maçãs Vermelhas. Mas o espaço só permite uma categoria por pôste… fica sendo a de livros então.

E… falando filosoficamente:

Podemos dizer que dois a zero é uma vitória magrinha?

Fico devendo a resposta. Até breve [e sono bate forte no rosto].


Eletrônica nos ouvidos:

 Prodigy: No Good (Start the Dance)

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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